QUEM SOMOS NÓS

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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

PARTE DA ESQUERDA ROMPE COM A TRADIÇÃO MARXISTA E CAPITULA AO ANARQUISMO (RPR)


Reproduzimos aqui o artigo, com que temos acordo, dos companheiros da Resistência Popular Revolucionária (RPR/PSOL)


PARTE DA ESQUERDA ROMPE COM A TRADIÇÃO MARXISTA E CAPITULA AO ANARQUISMO


Primeiro foram os movimentos multitudinário da chamada PRIMAVERA ÁRABE, os diversos movimentos OCUPPY. Agora, as MARCHAS PELA DIGNIDADE. Apesar de toda a repressão, a burguesia não se sente de imediato ameaçada por essas manifestações, pois sabe que seus organizadores ou coordenadores apenas canalizam os trabalhadores insatisfeitos e desempregados para protestos que não representam uma ameaça à ordem estabelecida.

Nas Marchas Pela Dignidade, na Espanha, a maioria dos principais grupos, que participaram do evento, orbitam a IU (Esquerda Unida) liderada pelo Partido Comunista, que colabora com o PSOE no governo regional da Andaluzia. Em dois anos, o governo regional cortou os gastos com a saúde em 10,8 por cento e na educação em 8,6, totalizando um corte de € 2,6 bilhões.

TODOS ESTES MOVIMENTOS TIVERAM ALGUMAS CARACTERÍSTICAS COMUNS: repúdio aos partidos e sindicatos. Em sua mensagem convocatória para a Marcha da Dignidade, a CNT (uma das principais organizadora do evento em Madri) diz : “Só será possível empreender o caminho da dignidade quando o poder residir nas assembleias, afastadas do modelo político e sindical hierárquico, de eleições e parlamentos, de liberados sindicais e de comitês... Junte-se a coluna anarcossindicalista em 22M...”

A CNT -Confederación Nacional del Trabajo- é uma união confederada de sindicatos autônomos de ideologia anarcossindicalista de Espanha de caráter transnacional que vem desempenhando um papel muito significativo dentro dos movimentos sociais relacionados com o anarquismo.

As manifestações de massa são de grande importância pelas oportunidades que abrem para fazer avançar a consciência de classe,. Mas quais foram os resultados, até agora, de manifestações populares espontâneas e sem uma direção revolucionária? Basta olhar o que acontece, no momento na Tunísia, no Egito, na Líbia e na Ucrânia, entre outros.

IMPORTANTE OBSERVAR QUE NA LÍBIA ESTÁ O MODELO MAIS ACABADO DO SONHO ANARQUISTA: a pura e simples destruição do Estado burguês como forma de alcançar a sociedade libertária, que é muito aplaudido por algumas seções da Quarta internacional.

SÓ QUE A ATUAL SITUAÇÃO DA LÍBIA “PÓS-REVOLUCIONÁRIA” não tem nada de libertária e muito menos de igualitária. Pelo contrário, é um Estado falido, fragmentado pelo separatismo onde pululam grupos armados que se tornaram profissionais pagos, em alguns casos, pelo exército formal. Neste aspecto a Líbia caminha para ser uma nova Somália, um país outrora próspero, governado por uma ditadura pró-soviética que, ao ser derrubada, não abriu os caminhos para a democracia burguesa ou democracia operária, mas as comportas do inferno da guerra civil e da fome que já dizimou grande parte da população.

Engels. Dizia que o DESAPARECIMENTO DO ESTADO É UMA CONSEQUÊNCIA DA REVOLUÇÃO SOCIALISTA. Ou seja, não basta destruir o Estado burguês, é preciso substituí-lo imediatamente pelo Estado Operário.

SEGUINDO A LINHA DE MENOR RESISTÊNCIA, organizações que se reivindicam revolucionárias marxistas trotskistas orgulham-se de mostrar para seus seguidores acríticos, que estão em todas as lutas. Mas, para a desgraça da Revolução Socialista, estão a milhas de distância de serem uma verdadeira referência revolucionária para o proletariado em seu dia a dia nas fábricas, nos portos, nas ferrovias, nas plataformas etc, onde, com certeza, não conversam entre si sobre formas de destruir o capitalismo e de instauração de uma sociedade socialista com vista à construção de organismos do tipo soviets, mas sim das necessidades de melhorar seus salários e condições de trabalho.

Apesar de toda a crise capitalista, apesar de toda o justificado ódio das massas empobrecidas e de suas heroicas lutas, por si só, os trabalhadores não vão chegar a uma conclusão teórica de como transformar radicalmente o tipo de sociedade em que vivemos. Para isso será necessário a existência de um Partido Revolucionário capaz de ganhar a vanguarda do proletariado que influenciará as camadas mais atrasadas que, como sua força e determinação revolucionária, arrastarão grande parte da classe média ou pequena burguesia para a Revolução.

Beth Monteiro

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domingo, 13 de abril de 2014

Nenhum negro merece ser torturado (20/04, 14h00)


Alailton Ferreira: espancado até a morte sob falsa acusação de estupro.
Menor de 15 anos no Rio de Janeiro: amarrado no poste com uma tranca de bicicleta. 
Dois jovens negros que representam o que acontece no Brasil: Crescem os casos de assassinatos de negros, taxados injustamente como criminosos. Negros são perseguidos, torturados e assassinados sempre tendo com pretexto alguma acusação.

Entre as vítimas de execução praticadas pela polícia militar, a maioria são negros, como a auxiliar de serviços gerais Cláudia, arrastada pelas ruas pela PM.

Enquanto a maioria dos brancos têm direito a defesa, negros são simplesmente torturados e eliminados. Chegou a hora do Basta! Vamos protestar contra a onda de execuções praticadas contra negros.

Vamos postar fotos com os dizeres: NENHUM NEGRO MERECE SER TORTURADO.
Evento no Facebook: www.facebook.com/events/646837615388858
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sexta-feira, 11 de abril de 2014

MANIFESTO 50 ANOS DO GOLPE MILITAR: A DITADURA CONTINUA!


Publicamos aqui, como parte da descomemoração dos 50 anos do golpe, o artigo do companheiro Denes, do Maranhão 


No último dia 31 de março completaram-se meio século do início de um dos períodos mais sombrios da história do nosso país. Um período em que dirigentes sindicais, lideranças de movimentos sociais, estudantes, intelectuais, políticos progressistas e pessoas comuns foram presos, expulsos do país, torturados, mortos, ocultados seus cadáveres, estuprados, "evaporados" na Casa da Morte de Petrópolis (RJ), sendo que muitos estão desaparecidos. Um período em que as organizações políticas de esquerda eram impedidas de funcionar e que qualquer manifestação pública era reprimida com violência. Um período em que os meios de comunicação, a literatura, a música e todo tipo de expressão artística e política foram controlados e censurados onde grupos paramilitares, procedendo com espancamentos, eram consentidos pela ditadura.

A ditadura não só foi militar. Tinha apoio de diversos estratos da sociedade civil, de religiosos a traficantes, passando pela ajuda externa do governo Kennedy dos Estados Unidos. O caráter internacional do golpe verifica-se na cooperação com outros regimes militares na hedionda Operação Condor.

E ESSA TAL MARCHA DA “FAMÍLIA”... SE A DITADURA ERA PRÓ-FAMÍLIA, POR QUE DAVAM ELETROCHOQUE EM GRÁVIDAS ATÉ ABORTAREM?

A ultra direita tentava usurpar o poder desde o governo de Getúlio Vargas. Seguem-se tentativas golpistas em Novembro/1955, Fevereiro de 1956, Outubro de 1959. E, em agosto de 1961, quando da renúncia de Jânio Quadros, as Forças Armadas vetaram a posse do vice-presidente João Goulart e iniciaram, juntamente com os conspiradores civis, a constituição de um governo ilegítimo, só voltando atrás diante da resistência. Em 1964 foi repetido dessa vez com êxito.

Era uma época em que os apoiadores do regime tiveram favorecimentos e privilégios políticos e econômicos, a exemplo do apoio explícito do órgão de inteligência estadunidense, a CIA. Foi nessa época que sujeitos como José Sarney se elevaram. Inúmeros casos de corrupção havia tanto quanto agora, mas a imprensa era impedida de noticiar o que acontecia, por exemplo, nos projetos faraônicos como a Transamazônica, Itaipu, a Caixa de Pecúlio dos Militares. Também ficaram célebres o caso Lutfalla (envolvendo o ex-governador Paulo Maluf, aliás, ele próprio uma criação da ditadura) e o escândalo da Mandioca. As viúvas santificam os generais e suas frugalidades, mas o aparato repressivo criado para combater a guerrilha propiciava a seus integrantes uma situação privilegiadíssima. Não só recebiam de empresários direitistas vultosas recompensas por cada "subversivo" preso ou morto, como se apossavam de tudo que encontravam de valor com os resistentes. Acostumaram-se a um padrão de vida muito superior ao que sua remuneração normal lhes proporcionaria. Sabemos que os generais receberam “malas de dinheiro” por ocasião do golpe.

Em 1964 Castello Branco prometeu eleições diretas em dois anos, mentiu, e tivemos que esperar por vinte anos pelas eleições diretas. Em 1970 os militares, aproveitando o boom econômico e a euforia da conquista do tricampeonato mundial de futebol, que lhes trouxeram o apoio da classe média, partiram para o extermínio premeditado dos militantes, que, mesmo quando capturados com vida, eram friamente executados. A ditadura terminou melancolicamente em 1985, com a economia marcando passo e os cidadãos cada vez mais avessos ao autoritarismo sufocante. A infração no período chegava a 290%.

Recentemente, travou-se uma luta do poder executivo federal para apurar os crimes da ditadura. Muito pano pra manga. O resultado final foi muito distante do esperado, pois os verdugos, os mandantes não foram responsabilizados, só alguns paus mandados receberam a devida punição. Um dos peixes grandes o coronel Brilhante Ustra teve como testemunhas de defesa o ex-presidente José Sarney e o senador Romeu Tuma. Enquanto isso, na Argentina até general pega prisão perpétua. Na Europa, historiador que nega a existência do Holocausto vai para a prisão. Para o juiz espanhol Baltasar Garzón, responsável pela prisão de Pinochet, o Brasil tinha obrigação de apurar as atrocidades cometidas pela ditadura de 1964/85, pois crimes contra a humanidade não prescrevem nem podem ser objeto de uma anistia autoconcedida pelos verdugos. Só quem ainda dorme de botinas, concebe o termo “revolução” para se referir à ditadura a exemplo do presidenciável Aécio Neves. Questionado depois por um jornal, deu uma aula sobre o uso criterioso de conceitos: “Ditadura, revolução, como quiserem”.

A ditadura acabou, mas ainda tem muito entulho autoritário por aí. Em um desgracioso comentário, a 'Dilma Prendo e Arrebento': “A Polícia Federal, a Força Nacional de Segurança, a Polícia Rodoviária Federal, todos os órgãos do governo federal estão prontos e orientados para agir dentro de suas competências [contra as manifestações de protesto durante o Mundial da Fifa] e, se e quando for necessário, nós mobilizaremos também as Forças Armadas”; como pode empregarem como ministro o senhor Edson Lobão entusiástico do ditador Ernesto Geisel? Como pode até hoje a prática de tortura e desaparecimento ser recorrente com dezoito “Amarildos” sumindo em todo mês? E corredores do Congresso um desfile de filhotes da ditadura - deputados e senadores que foram da velha Arena (Aliança Renovadora Nacional, que apoiava o regime)? Friedrich Engels e Karl Marx mostram que por mais democrático que seja um estado, este continua sendo uma ditadura cujas principais características são a burocracia, a divisão dos súditos por território e uma força militar, um exército permanente.

Não se pode equivaler a luta armada contra o regime militar e as práticas hediondas cometidas pelos órgãos de repressão política. Seria bom que ficasse bem claro seu Gilmar Mendes que, desde a Grécia antiga, é reconhecido o direito que os cidadãos têm de resistirem à tirania. Então, a ninguém ocorre qualificar de "terroristas" os membros da Resistência Francesa que descarrilaram trens, explodiram pontes e quartéis, justiçaram colaboracionistas, etc., atuando com violência incomparavelmente superior à dos resistentes brasileiros. "Constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático", reza o inciso 44 do Artigo 5º da Constituição Federal. A ordem constitucional foi quebrada no malfadado 1º de abril de 1964 e hibernou durante 21 anos. O que vigorava era a desordem totalitária do AI-5, uma licença para os militares perseguirem, trancafiarem, torturarem e assassinarem os opositores como bem lhes aprouvesse. Os ditadores e seu ministro não estão nem aí com sua consciência: “Sei que a V. Ex.ª repugna, como a mim e creio que a todos os membros deste conselho, enveredar pelo caminho da ditadura. Mas às favas, senhor presidente, todos os escrúpulos de consciência!”. É esta a imagem que deixará para a História.

Hodiernamente, dois sujeitos - Maycon Freitas, dublê da rede e Bruno Toscano anunciam o bis da Marcha da Família com Deus e pela Liberdade. Contra o racista Bruno Toscano são movidos vários processos por mentira e difamação nas redes sociais, estimula o terrorismo político contra militantes de esquerda. Será outro fracasso rotundo como foi o movimento “Cansei!”. O Incrível Exército de Brancaleone novamente em marcha, para aumentar a quota de fiascos, dando mais uma demonstração de anacronismo e irrelevância.

No Maranhão, graças ao empenho de deputados, foi instada uma comissão da verdade. Enquanto o senhor Manoel da Conceição era torturado, o senador Zé Sarney construía seu patrimônio. Enquanto Maria Aragão gemia no cárcere, o senhor José Sarney lambia as botas dos militares e cuidava do seu patrimônio. Manoel da Conceição lembrou a história dele na Ditadura Militar. Corrigiu o dia do Golpe que, conforme o militante, foi em 1° de abril, alterado pelos militares por ser conhecido como o dia da mentira. Relatou parte de sua história e se emocionou ao lembrar uma das muitas torturas sofrida por ele. “Vocês sabem o que é ser arrastado e passar três dias pendurado pelo saco? Fizeram isso comigo para que eu entregasse meus companheiros. Mas quando as pessoas procuram por a gente encontram fichas policiais” denunciou. Relembrando da estatização da Fundação José Sarney, “No momento que se cria um comitê da verdade, se cria, também, o museu da mentira para cultuar o ex-presidente da Arena”.

Somos nós a esquerda que estamos cansados com estes governos do PT. Cansados de banqueiros, grandes empresários e agronegócio terem seus interesses caninamente defendidos pelos governos petistas. Karl Marx saúda a vitória eleitoral da esquerda francesa "nas eleições na França de 10 de Março de 1850! Era a revogação do Junho de 1848! Em que pese Karl Marx notar doravante que "o sufrágio universal tinha cumprido a sua missão. A maioria do povo tinha passado pela escola de desenvolvimento, que é a única coisa para que pode servir o sufrágio universal numa época revolucionária, tinha de ser eliminado por uma revolução ou pela reação". Um governo à esquerda dos atuais partidos não pode cair de joelhos para Sarney, não pode se vergar ao blefe de militares, no mínimo. No mínimo.


Findo este percurso, é constrangedor e doloroso, nesse início de milênio, meio século após, ter que repor o sentido de palavras consagradas pelo uso de gerações que a ditadura enterrou sob a mentira, por isso cantamos com toda razão e todo tesão Viva a Revolução! Que nossos companheir@s descansem em paz! Agradecemos ao colunista Antonio Lassance no site da Carta Maior, Uraniano Mota no site da Boitempo e principalmente a Celso Lungaretti no seu blog Náufrago da Utopia pelas informações. 

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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Senderismo, doença senil do maoísmo


"El marxismo-leninismo abrirá el sendero luminoso hacia la revolución"
(Mariátegui)

Quem acompanhou o comportamento do MEPR na última semana pode não ter entendido como uma organização que aparentemente é mais ou menos "normal"¨para os padrões da extrema-esquerda consegue em instantes começar a chamar militantes que trabalham com eles no movimento de P2, fazer ameaças absurdas, comemorar o ataque físico a outras organizações e mentir irresponsavelmente.

Infelizmente, nós do Coletivo Lênin, que já encontramos militantes dessa corrente desde o final do século XX, quando eles se chamavam FER, temos uma visão mais global do problema. É um quebra-cabeça que inclui fatos bizarros, como comemorações de aniversário do Mao Tse-tung, expulsão de prostitutas e travestis de ocupações urbanas e insinuações de que a homossexualidade é um desvio pequeno-burguês.

Mas tudo isso se esclarece quando conhecemos a corrente política em que o MEPR se inspira, o Partido Comunista do Peru, também chamado de Sendero Luminoso. A melhor definição que poderíamos dar à ideologia do PCP, que nós chamamos de senderismo, é a de uma forma degenerada de maoísmo, que eles chamam de marxismo-leninismo-maoísmo-Pensamento Gonzalo. Para entender o que é essa degeneração, temos primeiro que relembrar o que é o maoísmo.


Maoísmo

Primeira coisa quando trotskistas falam de maoísmo: diferente de muitas correntes trotskistas ortodoxas que se acham a única corrente revolucionária do mundo, nós temos senso de história. A direção do PC chinês, com Mao à frente, dirigiu o processo revolucionário mais longo e mais amplo da história, mesmo que não tenha sido o mais radical. Ao mesmo tempo em que criticamos o maoísmo, temos que entender o que ele conseguiu avançar.

Segunda coisa: o maoísmo parte da realidade da revolução chinesa, entre 1927-1949, mas se internacionaliza com a ruptura do movimento comunista entre os partidos pró-URSS e pró-China, no começo dos anos 1960 e se completa com a divisão entre os que apoiavam o Bando dos Quatro no PCC, e os que apoiaram a nova direção a partir de 1976, e que não são mais maoístas. Mas vamos falar de tudo isso no seu tempo.

Aqui não cabe explicar o processo da Revolução Chinesa que, por si só, é o tema de livros incontáveis. O importante para o tema é que algumas características específicas da revolução chinesa foram consideradas universais pelo maoísmo.

A primeira delas, claro, é a forma da revolução, através da Guerra Popular Prolongada. A principal tese do maoísmo é a de que a revolução, em todos os países do mundo, tem a forma de uma guerra popular prologada, que começa no campo, a partir do armamento do movimento camponês e da formação de um Exército Popular. Diferente da concepção guevarista, a guerra popular é subordinada ao partido e ao crescimento da sua influência política. Durante a guerra popular, são formadas áreas liberadas, onde o partido começa a aplicar o seu programa, e que se tornam a base social da revolução.

A segunda é a teoria das contradições. Segundo Mao, na obra Sobre a Contradição, a sociedade é atravessada por inúmeras contradições, mas sempre existe uma contradição principal que subordina todas as outras. A consequência disso é que, em várias situações, a contradição nação x imperialismo é considerada pelos maoístas como superior à contradição burguesia x proletariado, levando a uma política de colaboração com a burguesia nacional.

A teoria das contradições afeta até a análise sobre o Estado, porque os maoístas defendem que o resultado da destruição do Estado burguês num país semicolonial não é um Estado Operário, e sim uma Nova Democracia, onde haveria o governo conjunto dos operários, camponeses, pequena burguesia urbana e burguesia nacional. No mundo real, a Nova Democracia nunca chegou a existir, porque o governo de coalização formado em 1945 pelo PCC junto com os nacionalistas do Kuomitang foi o cenário desde o começo da guerra civil entre eles.

A grande novidade do maoísmo em relação ao stalinismo tradicional é a ideia de que a luta de classes continua no "socialismo" (ou seja, no Estado Operário), e que se essa "luta de duas linhas" entre os revolucionários e os revisionistas terminar com a derrota dos revolucionários, o capitalismo será restaurado. A solução para derrotar o revisionismo e avançar até o comunismo, segundo Mao, é a revolução cultural, ou seja, várias revoluções na superestrutura da sociedade (partido, artes, costumes etc) para eliminar os resquícios da ideologia burguesa.

Como já dissemos, não cabe aqui analisar como foi a Revolução Cultural na China (1966-1976), só vamos indicar que, do nosso ponto de vista, ao não querer identificar as raízes materiais da burocratização, Mao teve que combatê-la somente no plano das ideias e instituições culturais, o que levou ao voluntarismo, muitas vezes violento e, por fim, ao fracasso da luta contra a burocracia.


Marxismo-leninismo-maoísmo

Isso é o maoísmo. Ou melhor, o marxismo-leninismo-Pensamento Mao Tsé-tung, como era chamado na época da Revolução Cultural.

O maoísmo surgiu como movimento internacional a partir de 1962, seguindo a ruptura da China com a URSS. Essa ruptura, que foi motivada pela luta da China pela autonomia em relação à URSS, se misturou com um amplo debate sobre o caráter do socialismo e das formas de transição. Essa luta não começou no terreno ideológico, e sim em torno do “auxílio” soviético para a industrialização chinesa. Como aconteceu no Leste Europeu, os soviéticos queriam que a economia chinesa se tornasse uma fornecedora de matérias-primas para a URSS. Diante da negativa da China, a URSS retirou seus técnicos em 1960, e aconteceram conflitos nas fronteiras, inclusive com ameaças por parte da URSS de uso de armas nucleares.

Para ganhar apoio internacional, a China levou o conflito para o plano ideológico. Nesse debate, o PCC defendeu abertamente a necessidade da revolução, contra a linha de "transição pacífica" da URSS. Por isso, o maoísmo no começo foi uma ruptura progressiva com a linha pacifista do stalinismo. Mas nunca deixou de ser uma ruptura parcial, o que é evidente pelo fato do PCC ter defendido a "herança" de Stálin contra o revisionismo de Kruschev.

Porém, nessa ruptura parcial, não houve ruptura com a ideia de que a política dos partidos estavam subordinadas às necessidades diplomáticas da "Pátria Socialista", sendo que nesse caso a pátria era a China. Durante toda a década de 1970, os maoístas tiveram que seguir os ziguezagues da política externa chinesa, o que significava, na prática, apoiar qualquer merda que fosse contra a URSS, inclusive governos com De Gaulle na França, ou as guerrilhas da UNITA, em Angola, também apoiadas pela África do Sul na época do apartheid.

Em 1976, tudo ficou muito pior, porque a ala maoísta do PCC (chamada de Bando dos Quatro) foi derrotada e expulsa do partido. A maioria dos partidos maoístas continuou ligada ao governo chinês, e deu um giro à direita. Outros partidos entraram em crise, e uma minoria encontrou outra "Pátria Socialista" na Albânia, que não ia durar dez anos - caso do PCdoB. As poucas organizações maoístas que sobreviveram sofreram uma tendência muito forte ao sectarismo.


"Persistir en lo sendero luminoso de Mariátegui"

Uma dessas organizações foi o PCP. Ele foi formado em 1964 sob a direção de Abimael Guzmán (o Presidente Gonzalo), na época professor da Universidade de Ayacucho. O apelido de Sendero Luminoso veio do nome da tese com que eles se lançaram no movimento estudantil, que é esse subtítulo. Mariátegui foi talvez o maior marxista latinoamericano, mas as suas posições classistas e de defesa da democracia operária não iriam servir de exemplo para o PCP.

Depois de um longo período de preparação, o PCP começou a guerra popular no Peru em 1980, com a ação de queimar urnas eleitorais. Desde o começo, houve conflitos e violência contra a população camponesa das bases de apoio, sendo que o ponto alto foi o massacre de Lucanamarca, em que o PCP matou 69 pessoas, incluindo mulheres, crianças e idosos, como resposta à morte de um de seus dirigentes na região.   

A estratégia econômica do PCP era transformar as bases de apoio em economias de subsistência, impedindo a venda da produção dos camponeses no mercado. A ideia era ir sufocando as cidades progressivamente. Logicamente, isso afetava economicamente os camponeses, e a reação do PCP era recorrer à violência, inclusive contra outras organizações de esquerda que também estavam na luta armada, como era o caso do MRTA.

Como uma estratégia de cerco da cidade pelo campo é impossível num país capitalista como o Peru, o PCP não conseguiu avançar, e os seus métodos fizeram eles perderem o pouco apoio que tinham tido. Eles viraram alvo fácil para a repressão, tanto que o Presidente Gonzalo foi preso em 1992. Mesmo a derrota tendo sido motivada por uma estratégia errada, não podemos subestimar a repressão brutal, principalmente do governo golpista de Fujimori, através de esquadrões da morte, tortura generalizada e estupros das mulheres das Bases de apoio. As mortes da guerra suja no Peru chegam a quase 70 mil pessoas.   

Isso levou a uma crise generalizada no partido, que hoje se dividiu em três. A ala direita, que hoje se tornou o MOVADEF (Movimento por Anistia e Direitos Fundamentais), abandonou a luta armada e está disputando as eleições. O setor da Base Mantaro Rojo mantém as posições antigas do PCP, enquando o grupo em torno dos irmãos Quispe Palomino se tornou guerrilheirista, e hoje tenta fazer uma síntese entre maoísmo e guevarismo.

A principal polêmica entre os três setores é sobre a suposta mudança de posição do Presidente Gonzalo sobre a guerra popular. Em 1993, apareceram cartas de paz, assinadas por ele, defendendo o fim da guerra popular e um giro eleitoral. Como ele está incomunicável desde que foi preso, as especulações levaram a três posições, a ala direita aceitou a veracidade das cartas, a ala guerrilheirista também aceitou, mas viu isso como uma capitualçao do Presidente Gonzalo e Mantaro Rojo nega que elas sejam verdadeiras.

O que está por trás dessa polêmica é a suposta infalibilidade do Pensamento Gonzalo, ou seja a aplicação do maoísmo no Peru feita por ele.


Marxismo-leninismo-maoísmo-Pensamento Gonzalo, principalmente Pensamento Gonzalo

Como resultado das pressões sectárias de que falamos antes, todas as correntes maoístas avançaram para um grau maior ou menor de dogmatismo. Dentro do MRI (Movimento Revolucionário Internacional), que foi fundado em 1984 para reunir os maoístas do mundo inteiro, o PCP foi a ala que defendeu, e conseguiu convencer os outros partidos, que o maoísmo não era mais simplesmente "Pensamento Mao Tsé-tung", ou seja, as contribuições de Mao para o marxismo-leninismo, e sim uma nova etapa, a superação do marxismo-leninismo. Por isso, foi em 1993 que o MRI declarou que o mundo vive numa terceira etapa, do marxismo-leninismo-maoísmo.

No Peru, segundo o PCP, o Pensamento Gonzalo tem o mesmo papel que o Pensamento Mao Tsé-tung teve na revolução chinesa. Além disso, consideram o Presidente Gonzalo como jefe (chefe) infalível do PCP (http://www.solrojo.org/pcp_doc/pcp_gd88.htm).

E justamente a "contribuição original" do Presidente Gonzalo é a ideia da militarização do partido. Essa ideia não era estranha ao PCC. Mao Tsé-Tung só foi se tornar líder do PC Chinês em 1943, até então ele só acumulava funções militares, então houve uma militarização das próprias funções partidárias, motivo pelo qual o maoísmo tem essas tendências tão bélicas, do Peru ao Camboja. Durante toda o resto de sua vida, o Mao acumulou funções militares com funções políticas, inclusive no governo da China. Isso não é pouca coisa, o maoísmo é uma vertente militarizada do PC Chinês, que se forjou na Guerra Civil e assumiu posições de comando por conta das especificidades do combate, e que nunca mais abriu mão desde então. 

Mas, no Pensamento Gonzalo, acontece um salto, em vez de o partido comandar o exército, ele se torna uma organização militar. E vai lidar com as outras forças políticas de forma militar, também em grande contradição com a experiência do PCC, que fazia acordos políticos, dava uma certa autonomia ao movimento camponês etc. Esse é o motivo da hostilidade dos senderistas contra todas as outras organizações - e essa hostilidade vai se tornar violência aberta, se eles puderem.

Enfim, a política senderista, que foi a responsável pela morte de vários comunistas, não é exclusividade do Peru. Aconteceram evoluções semelhantes nos partidos maoístas das Filipinas, na mesma época e, o mais famoso de todos, no Camboja, durante o regime de Pol Pot. É condição de sobrevivência para o movimento comunista derrotar politicamente os senderistas.


E isso só pode ser feito esclarecendo o que os stalinistas, incluindo a sua vertente maoista-senderista, querem esconder. Para essa tarefa árdua, será fundamental o desenvolvendo a prática da democracia socialista, e resgatando para os tempos atuais os legados de Marx, Engels e as contribuições e atualizações dos marxistas que fundaram a Internacional Socialista e posteriormente Internacional Comunista (morreram contribuindo para isso, como Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht) e as oposições de esquerda do comunismo que fizeram oposição ao Stalinismo no século (trotskystas, conselhistas, anarcocomunistas).  Sempre fazendo o balanço das contribuições, dos erros e dos acertos históricos nos séculos XIX e XX. Só assim levaremos adiante o marxismo dialético, materialista e revolucionário, derrotando as correntes pós-degeneradas do Stalinismo sem cair nas mesmas armadilhas que progressivamente levaram cada uma delas para o que hoje elas são:  A "nova e superior etapa" da degeneração e do oportunismo, que em nada tem em comum com os princípios do marxismo-revolucionário.
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sábado, 5 de abril de 2014

Nota de repúdio do CL ao ataque contra a sede do PSTU!


No dia 1 de Abril, logo após o ato de descomemoração dos 50 anos do golpe, militantes do PSTU , que em coluna voltavam para a sua sede na Lapa, e 3 autonomistas acabaram se desentendendo. O PSTU alega que esses 3 indivíduos estavam em sua coluna, fazendo provocações tentando desorganizar a coluna até a chegada no prédio da sede na Lapa (que por sinal estava cercada com 3 viaturas da PM!), e que durante a dispersão de seus militantes foram atacados verbalmente pelos militantes anarquistas, porém, sem em nenhum momento reagiram atacaram-os fisicamente. Já a FIP alega que dois militantes anarquistas foram agredidos, porém não há provas disso, como fotos ou videos. Mesmo assim achamos que isso deve ser apurado por uma comissão independente.
Após dispersão da maioria dos militantes do PSTU , esses "ativistas" se reuniram e foram com um grupo em torno de 20 indivíduos, alguns black blocks e outros da base da FIP, e se dirigiram para a sede do partido novamente. O PSTU chegou a receber um desses indivíduos  que inclusive se identificou como membro da FIP, na própria sede do partido para discutir o desentendimento mais cedo. Porém não se chegou a nenhum entendimento, e após este militante sair, eles começaram o ataque contra a sede do partido, e assim quebraram janelas, apedrejaram a sede, picharam a entrada da sede ("+Black Block PSTU"), e quase derrubaram o portão de ferro da entrada.
Para nós do CL, esse tipo de procedimento se caracteriza com muita semelhança a um ataque fascista contra uma organização do movimento dos trabalhadores. Mesmo sendo esta uma organização centrista e com politica nacional e internacional morenista, defendemos o PSTU contra esse ataque irresponsável e inconsequente que não se justifica, independente do que possa ter causado o desentendimento anterior.
Não é a primeira vez que militantes do Black-Bloc, ou que participam da base da FIP, tentam intimidar outras organizações do movimento, sempre com o silêncio e a conivência das organizações majoritárias da FIP. Militantes do MEPR, setor hegemônico na FIP, em todo o momento diz que não tem responsabilidade sobre o que aconteceu, o que pode até ser verdade, mas ao mesmo tempo de forma cínica lavam as mãos e não condenam o ataque, muito pelo contrário, alguns militantes já disseram que o PSTU "fez por merecer" ou "colheu o que plantou" além de fazer chacota. A nota oficial divulgada pela FIP, não apresenta qualquer repudio ou denuncia contra o ataque, o que mostra a condescendência dos grupos e indivíduos da FIP com esse episódio de violência gratuita contra uma organização que, ainda que centrista, possui base no movimento de trabalhadores.
Ainda que os grupos MEPR e o OATL não tenham participado diretamente do episódio de violência contra a sede do PSTU, o que se viu foram alguns militantes dessas organizações, e alguns independentes da FIP ironizando o ataque ou procurando "justificá-lo" acusando as diversas práticas oportunistas do PSTU. Mesmo sendo verdade tais praticas, essa agressão não se justifica. Como bons stalinistas que são, os militantes do MEPR acusaram a nós do Coletivo Lenin e a outros militantes que os criticaram de sermos P2, provocadores e polícia.
Diante disses fatos, EXIGIMOS QUE O MEPR, a OATL E OUTROS COLETIVOS DA FIP DENUNCIEM O ATAQUE À SEDE DO PSTU. Qualquer outra atitude só vai mostrar, mais uma vez, a conivência deles com esse ataque irracional à sede do PSTU.
Ao mesmo tempo, o PSTU, que se manifesta publicamente dizendo que a polícia é parte da classe trabalhadora, procurou a delegacia para registrar um Boletim de Ocorrência, mais uma vez apostando nos instrumentos legais do Estado Burguês. No entanto O PSTU alega que em nenhum momento registrou denuncia diretas contra qualquer grupo ou indivíduo que compõe a FIP, e que fez o BO somente para registrar do fato e ter isenção no custo da depredação do patrimônio do condomínio no qual se situa a sede, caso venham a responder por isso. E em causalidade com este argumento do PSTU, até agora felizmente nenhum militante, movimento ou coletivo foi intimado. Justamente o contrário do que os militantes da FIP vem afirmando, de que estão sendo criminalizados.
Para nós a FIP sempre foi uma iniciativa divisionista do MEPR e da OATL em relação ao conjunto do movimento contra o aumento das passagens no Rio, com o estrito objetivo de auto-construir as suas organizações à custa do movimento sempre entrando em conflito com outros grupos.
A causa disso é a sua linha reacionária, que considera o boicote eleitoral uma questão de princípio e joga todos os partidos legalizados no mesmo saco, comparando partidos de trabalhadores com partidos burgueses e utilizando da mesma linha anti-organização e anti-partido da Rede Globo e os empresários, uma forma oportunista para tentar aproximar uma base que se formou nessa ideia reacionária e capta-los para o MEPR, apresentando este como uma alternativa "radical" e "revolucionária" aos partidos. Esse antipartidarismo, a vontade de se diferenciar sempre através de qualquer ação direta (a maioria voluntarista, pois fazem mesmo quando não há condições para isso), o repúdio às organizações de massas dos trabalhadores, e a condescendência com a sua base de autonomistas voluntaristas que atuam muitas vezes em ações individuais isoladas( levando a casos como o ataque à sede do PSTU!), estão transformando a FIP num alvo fácil de infiltração de provocadores, e isso poderá ser uma ameaça, inclusive física, para o restante do movimento.
Acreditamos que existem militantes independentes, revolucionários honestos, que atuam na FIP e não são oportunistas como os grupos majoritários que a compõem. Para eles também fazemos esta nota e fazemos um apelo: Não descartamos que, se a FIP continuar sem condenar esse tipo de atitude e se mantiver condescendente com a violência contra outras organizações do movimento, vai permitir cada vez mais a infiltração de provocadores em suas estruturas, e ela e seu nome servirão de cobertura para atacar fisicamente outras organizações e dividir o movimento nesse período antes e durante a Copa do Mundo. Essa tática já foi usada pela burguesia inúmeras vezes, e a violência dentro do movimento só facilita que ela seja aplicada, e futuramente esse tipo de enfrentamento entre organizações do campo da esquerda vai servir de justificativa para a intervenção do Estado nas sedes de partidos, grupos e organizações de esquerda, com uma futura caçada aos militantes do próprio movimento e de qualquer uma dessas organizações.
A unidade de todos os setores do movimento é necessária para conquistarmos novas vitórias, dentro do clima de ataque por parte da mídia e nesse cenário de militarização em que vivemos. A acusação entre militantes e os métodos de calúnias, que não são exclusividades de alguns grupos da FIP (o próprio PSTU já fez acusações absurdas contra os Black Blocks), só servem aos megaempreendimentos e grandes empresários, que são nossos verdadeiro inimigos. E ainda, a extrapolação da agressão verbal para a agressão física só impedirá a unidade dos trabalhadores na resistência contra o massacre social provocado pelos megaeventos, e nos levará a todos a derrota.

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