QUEM SOMOS NÓS

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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

quinta-feira, 27 de março de 2014

1964-2014: cinqüenta anos para não esquecer, para não festejar, para não repetir! (Denise Oliveira)


Reproduzimos aqui o texto da companheira Denise, onde ela fala sobre a sua experiência de perceber aos poucos que vivia numa ditadura. O blog dela é esse aqui.


Tenho evitado propositadamente post sobre os 50 anos do Golpe civil-militar de 01 de abril 1964( a data correta é primeiro de abril, dia da MENTIRA).

Bem, eu nasci em novembro de 1963, tinha 4 meses de vida e nada sabia.

Em  68, o ano que nunca terminou,  eu tinha 5 anos nada podia saber. 1969, lembro bem, pois meu pai que nunca chegava cedo, na noite do dia 20.06, chegou, nos colocou no sofá e disse, vamos assistir a maior mentira do mundo. É claro que achei engraçado aquele homem pequeno como eu(era como eu via), com roupa engraçada, se balançando num lugar estranho. Era a Apollo 11, e o cara era Neil 
Amstrong.

Em 1970, com 7 anos. Meu pai nos mostrou a menina queimada durante a Guerra Vietnã, me doeu  ver aquela imagem e lhe perguntei, pq ela esta correndo com essa cara de medo? E ele me respondeu. Os E.U.A, promovem o medo pelo mundo a fora.Nem me passava pela cabeça o terror  que vivia mos por aqui.

Estava eu, no primeiro ano do ensino fundamental, Tia Miriam, era gorda e mau humorada, dizia que 
se não estudasse mos, ia mos puxar carroça. Me perguntava, será que pesa, puxar carroça?
1977, agora com 14 anos, na 7série do ensino fundamental. Professora Rita de história, nos dá aula, na terça feira, cai de pau no governo Geisel, nos fala de um jornalista (Wladimir Herzog) assassinado sob tortura em 1975, por se recusar a falar bem do governo militar.Ultima vez que há vi. Tão jovem (não passava dos 23 anos ),usava um calça jeans surrada,e  camisetas  Hering com frases em português(1 pode ser grande, mas não é 2), essa camiseta era super usada naquela época, e pedi uma ao meu pai, que me disse:”Não é bom usar esses dizeres”. Ele explicava pouco, mas mostrava muito. Meu pai, era medo e indignação. Muito tempo depois eu consegui entender isso. Duas semanas e nada da professora Rita, fomos em comissão à direção da escola,perguntar pela Dna Rita,(E.M.Mário Paulo de Brito), e a diretora, dona Dalva, arrogante como todo diretor daquela época(aliás, como todo adulto daquela época), nos disse: nunca houve nenhuma professora nesta escola com esse nome,semana que vem chegará uma professora para vocês. Cheguei em casa encafifada.À noite narrei o ocorrido a meu pai, e ele, de novo, me disse:”lembre-se sempre com muito carinho dessa professora, mas nunca queira saber o que aconteceu a ela, vc nunca saberá”.Ah, esse era meu pai. Nenhuma resposta completa, sempre pela metade. Para quem  sempre quis saber tanto, essas respostas eram frustrantes.

1979, agora já com 16 anos, cheguei ao C.E. Visconde de Cairú. Uma nova etapa da minha começada, agora já era adolescente e estava no Ensino Médio(naquela época chamado de científico). Os ares já eram novos, se respirava com mais energia o ar no nosso país. É neste momento, e nesta escola, que eu descobri que tinha passado toda a minha infância sob um regime autoritário, que para impor os interesses do capitalismo internacional, dentro da lógica de dominação de espaço(Guerra Fria), matava, torturava,desmontava toda uma geração. A que antecedeu a minha.

Foi a partir de 1979, que tomei consciência de que se não destruísse mos o capitalismo, logo ele nos destruiria, assim como destruiu os combatentes da Guerrilha do Araguaia, numa guerra suja, aonde não houve prisioneiros e sim desaparecidos. Como destruiu as guerrilhas urbanas e ceifou vidas como a do Capitão Lamarca, Carlos  Marighuella e tantos outros que não caberiam neste artigo-memória, do qual não pretendo que seja muito grande.

É neste ano que também eclodem duas grandes greves: no ABC paulista as greve dos metalúrgicos, sob a liderança do então pouco conhecido torneiro mecânico, Luis Inácio(Lula) da Silva e no RJ, greve dos professores da rede municipal e estadual, que durou 90 dias. Era a rebeldia brotando entre os escombros do terror!

Em 30 de abril 1981, em comemoração ao Primeiro de Maio, um grande show no Riocentro, com os maiores nomes da música Popular Brasileira da época(época que diga-se de passagem, a música era realmente muito boa). Uma nova tentativa de barrar o processo de abertura, iniciada pelo Geisel, e levada adiante de Figueiredo. Um grupo de milicos aloprados tentam explodir o Riocentro com todo mundo dentro. A bomba explodiu antes no colo do milico que  teria  a tarefa de coloca La no Pavilhão 11, aonde o show acontecia. Eu estava nesse show, lá de dentro nada ouvimos, até que o Gonzaquinha, ao subir no palco nos informou do que tentaram fazer. “Tentaram destruir a democracia”. http://www.radio.uol.com.br/#/letras-e-musicas/gonzaguinha/anuncio-da-bomba/2505763

O ano de 1984, foi de um agito total. O Movimento pelas Diretas  Já! Que havia começado pequeno sem grandes alardes no final de 83, tomava as ruas e os comícios promovidos pela “esquerda” que chegou a colocar um milhão de pessoas nas capitais brasileiras. Aqui no RJ, o comício da Candelária, levou  um milhão de pessoas, a Presidente Vargas era um único grito...Diretas Já!

Por meio de manobras, das quais estamos velho de conhecer ( o famoso toma lá dá cá), a emenda Dante de Oliveira não passou.E a tão sonhada redemocratização veio através do Colégio Eleitoral, e pelas mãos imundas do José Sarney, que até então tinha sido um grande beneficiado do período ditatorial.

1.Anuncio da Bomba do Riocentro pelo Gonzaguinha.


A Herança da Ditadura.

A redemocratização veio em 1985, meio torta, através do Colégio Eleitoral, e pelas mãos de um apoiador da ditadura, José Sarney. Nesses 29 anos de redemocratização, quase nada temos a comemorar, pois a semente da força plantada nos anos de chumbo ainda florescem  a toda hora, na forma da Polícia Militar, criada no período ditatorial, que hoje mata e mata muito, tortura e tortura muito, é truculenta e desrespeitosa em relação as lutas da classe trabalhadora.

A escola pública, sofreu um desmonte real, que hoje vemos na apatia dos nossos alunos, no nível baixíssimo de consciência de classe e de conhecimento acumulado. As políticas de se montar uma sociedade imbecilizada se fez presente.

A imprensa e grandes conglomerados de meios de comunicação, que nasceram durante o período, ainda estão aí manipulando, desenformando enchendo a cabeça das pessoas, os jovens são os alvos principais, com programas de extrema cretinice e nenhuma qualidade. O mesmo nas músicas e ler virou palavrão.

A saúde pública desmontada e a mentalidade de quem se forma em medicina é voltada para ganhar apenas dinheiro, e ser gente fina.Os salários dos médicos da rede pública é verdadeiramente baixo, e assim o é, para que a população não tenha o seu direito básico a vida respeitado.

E neste ano de Copa do Mundo, evento que o povo brasileiro repudiou, se colocará todo efetivo militar nas ruas, para bater, machucar e até matar se for o caso para garantir a vontade de governos altamente distantes do interesses popular.

É 50 anos atrás em 50 anos depois!

Ditadura Nunca Mais....Mas ainda precisamos acabar com a DITADURA do  capital!

Por: Denise Oliveira, março de 2014

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terça-feira, 25 de março de 2014

Marcha Antifascista no Rio de Janeiro


Na tarde nublada deste último sábado (22) ocorreu no Rio de Janeiro foi convocada em pelo menos 22 cidades do Brasil reedição (ou pelo menos tentativas) da famigerada “Marcha (ré) da família” (elitista) “com Deus” (só se for Mamom) pela “liberdade” (!???! o.0), em lembrança ao mesmo ato a meio século atrás que desembocou no Golpe Empresarial-Militar de 64.

Enquanto a passeata coxinha-milica avançava da candelária em direção ao desComando Militar do Leste para lá fazerem sua principal reivindicação chave (intervenção militar, leia-se novo golpe militar), o contra-ato daqueles que tem memória das atrocidades do tenebroso regime militar se concentravam em frente à Central do Brasil ensaiando suas palavras de ordem e observando a imersão de P2s.

A marcha conservadora apesar de não ter sido numérica mente grande (cerca de 150 se desconsiderarmos os ativistas fardados), deu sinais de que os elitistas, olavetes e alguns militares estão começando a sair de sua zona de conforto, com a mesma tática de outrora, que é criando uma paranoia vermelho-fóbica e com um alto grau de desinformação política a ponto de classificar de comunista a política social petista tão rasa e recuada seguidora disciplinada da cartilha neoliberal. Somado ao verde-amarelismo dos Bragança balançava também nas cores azul e branco o sanguinário sigma, indicando que o perigo proto-fascista está cada vez menos tímido. Perigo que a esquerda tem que asfixiar antes que se alastre a desinformação e o catastrofismo distorcido que propõe uma solução que a até de trinta anos atrás se mostrou deficiente nos aspectos humanitários, sociais, culturais, e também econômicos, quando após praticamente falirem o país e pela pressão de incansáveis militantes, os milicos depois de sugarem e venderem boa parte da riqueza e suor nacional  resolveram “largar o osso” fazendo a democracia burguesa novamente nascente ter que “rebolar” para controlar índices de econômicos e sociais.

Cabe dizer que a “marcha burguesa” atual e do meio século atrás sustentam grande hipocrisia em tão evidente já em seu próprio título! Se reinvidicam DA FAMÍLIA, mas é bem sabido que muitos milicos usavam torturavam família de militantes de esquerda, muitas vezes na frente do mesmo, não respeitando nem mesmo crianças ou mulheres grávidas!; COM DEUS, mas diziam que eram cristãos enquanto “abençoavam” as covardias que os golpistas cometiam à balde.  PELA LIBERDADE, liberdade nos atos de tortura e demais atrocidades praticadas pelos militares que até hoje estão impunes e muitos deles com cargos políticos.

Infelizmente a marcha anti-fascista puxado pela FIP e alguns setores que compõem o Fórum de Lutas (PCB,CL,RR,RS-CF) ficou mingüado em uma centena, justamente por dois grandes desfalques do PSOL e PSTU.  Este último “por acaso” tem a desculpa de ter uma série de encontros nacionais acontecendo em São Paulo nesse fatídico fim de semana, mas não mostraram o mínimo de esforço para mandar meia dúzia de seus quadros para ajudar a compor a contra-marcha ou pelo menos se somar ao contra-ato de São Paulo. Quanto ao PSOL, sem ter compromissos desta ordem, não “deu as caras” nem para sair no meio do ato como costumeiramente fazia a dois anos atrás no Fórum de Lutas Contra o Aumento das Passagens. Lamentável esse chá de sumiço de organizações que se dizem revolucionárias, mas com a mínima sombra de enfrentamento contra os nossos algozes, não são capazes de mandar minimamente seus militantes para fazer um bloco classista contra o inimigo (ainda pequeno) traiçoeiro. Será que se esqueceram do ataque fascista acontecido em junho na marcha do milhão da retratação do Jabour no qual foram obrigado a abaixar suas bandeiras e calar o carro de som? LER, OPOP, MPL também se ausentaram das fileiras antifascistas aqui no Rio. Quem também fez muita falta e que poderia ser bem útil para atrapalhar a marcha dos coxinhas seriam os Black Blocs, que infelizmente não formaram sua coluna combativa.

Por volta das 17h , quando o bloco da esquerda finalmente conseguiu se centralizar, partimos da central, em direção à Estátua doCú de Caxias na intenção de seguir à Candelária para lá desfecharmos nosso ato. Mas ao passar rente ao gramado que somado ao cordão dos “robocops” do choque estavam protegendo e protestando com os conservadores, houve provocação de ambos os lados, até que um velho barrigudo irado, “furou” o bloqueio dos seus colegas fardados, e atacou um manifestante que tinha camisa amarrada ao rosto e tentou arrancar a bandeira vermelha . O velho golpista foi agredido e mais direitistas investiram contra os militantes, até que a polícia que a priori estava assistindo o início de confronto, irrompeu correria para cima dos anti-fascistas chegando a deter alguns na central do Brasil. Um militante da Unirio teve seu braço direito ferido e outro, camisa rasgada. Isso mesmo, o choque descaradamente não tentou minimamente ao menos fingir uma ética militar e se colocaram como soldados protetores e armas dos golpistas. Após esse incidente, a esquerda novamente se reagrupou em frente à Central e os diversos grupos ficaram avaliando se novamente tentariam seguir rumo à Candelária ou seguir para outro ato que estava acontecendo também no Centro, o Ocupa Dops.

Foi um erro ceder à provocação dos baba-ovo de milico, em vista da diferença numérica era evidente e pela possibilidade da costumeira hostilidade dirigida da polícia, que como relatado acima, foi o que se confirmou. Outro fator que influenciou na falta debilitou uma maior combatividade e resistência da esquerda foi a falta de uma liderança organizativa, fez com que quase nossa marcha fosse dispersa na perseguição da polícia. Nosso ato se encerrou com queima simbólica da bandeira nacional (infelizmente não foi uma das roubadas dos “filhos da pátria amada mãe gentil” de quem tem dinheiro).

Parabéns aos camaradas do Rio de Janeiro, e de outros Estados, em especial São Paulo que em pleno sábado compareceram e não deixaram passar em branco a vergonhosa marcha anti-histórica não esqueceram que: foram 10 mil torturados, 10 mil exilados e pelo menos 400 mortos por discordar do governo. Até hoje, 144 pessoas estão desaparecidas nesse retrocesso antidemocrático que quebrou o Brasil. O ato de São Paulo teve pelo menos o dobro do tamanho da Marcha da direita, com mais de mil manifestantes. No resto do país, a maioria dos atos não chegou a dez pessoas cada um!

Avante todos ao ato do dia 1º abril para denunciar, para levar e não apagar da memória de muitos essa parte vergonhosa de nossa história que não deixaremos se repetir, e para atrapalhar as festividades do que os velhotes torturadores e sua cria tem a ousadia de chamar o desastroso golpe (patrocinado pelo tio Sam) de revolução! Fascistas, não passarão!!!

Pela:

- Quebra do sigilo das forças armadas para investigar os crimes da ditadura!
- Fim da Justiça Militar” Julgamento por Tribunal Popular! Expulsão dos culpados das Forças Armadas!
- Revogação da lei da anistia para militares. Anistia só para quem resistiu à ditadura!
- As Forças Armadas são a espinhal dorsal do Estado burguês! Elas têm que ser destruídas e substituídas por um exército popular, não-profissional e não-aquartelado

FoiceMartelo sempre erguida no Brasil! Lugar de fascista é na ponta do fuzil!

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segunda-feira, 24 de março de 2014

Encontro do Fórum de Lutas: 4,5 e 6 de abril




Dias 4, 5 e 6 de abril na Uni Rio - URCA. O Encontro é a instância máxima do Fórum de Lutas e irá debater plataformas programáticas, atuação para o próximo período, organização do Fórum, etc.

Orientações:

Para ficar nas acomodações do local é necessário levar colchonete, roupas de cama e/ou barraca de camping.

Para diminuir ao máximo o risco de infiltração de P2, a comissão de credenciamento poderá recusar-se a receber algumas inscrições no momento do encontro.


PROGRAMAÇÃO DO I ENCONTRO DO FÓRUM DE LUTAS:

Sexta feira:
17:00 - Mesa de abertura - Transporte, direito à cidade e luta de classes:
Convidados
20:00 - Grupos de discussão
22:00 - Atividade cultural: Comuna Que pariu.
Sábado:
9:00 - Mesa de debates - Fórum de Lutas: balanço e perspectivas
Convidados
11:00 - Grupos de discussão
13:00 - Almoço
15:00 - Mesa de debates - Luta contra as opressões
Convidados.
17:00 - Grupos de discussão
19:00 - Atividade cultural
Domingo:
10:00 - Plenária deliberativa sobre resoluções programáticas
Mesa
13:00 - Almoço
15:00 - Plenária deliberativa sobre organização do Fórum de Lutas
Mesa
18:00 - Encerramento

Evento do Encontro no Facebook: https://www.facebook.com/events/269511769872274

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domingo, 16 de março de 2014

Por uma Ucrânia socialista e independente! Derrotar os golpistas e fascistas nas ruas!


Um país à beira da divisão

As tropas russas se encontram no momento estacionadas na fronteira da Crimeia, numa das maiores crises diplomáticas dos últimos anos. A população da Crimeia, 60% dela etnicamente e linguisticamente russa, votou nesse 16 de março num referendo onde vai decidir se permanece como parte da Ucrânia ou se é incorporada à Rússia. As pesquisas de boca de urna apontam para 93% a favor da integração. Já houve deserções de divisões inteiras das forças armadas da Crimeia e a maioria da população vê com simpatia a integração à Rússia.

A Crimeia, que pertenceu à Rússia até 1954 (dentro do quadro da União Soviética), tem essa composição étnica em parte por causa da política stalinista de emigração russa para as outras repúblicas soviéticas, com o objetivo de enfraquecer qualquer possibilidade de separatismo. Por outro lado, a maior minoria nacional da região são os tártaros, 13% da população, que tiveram o seu direito à autodeterminação negado pelo stalinismo, e que até hoje não conseguiram exercê-lo. Não é surpresa que a maioria dos tártaros apoiou a oposição golpista.

A divisão da Ucrânia começou com o golpe vitorioso que derrubou o presidente Viktor Yanokuyvich, alinhado com a Rússia. Esse golpe foi o resultado final de um movimento de direita. Esse movimento, conhecido como Euromaidan, começou em novembro passado, quando o presidente Viktor Yanokuvych decidiu desacelerar o processo de entrada da Ucrânia na UE.

Logo o Euromaidan passou a ser controlado por grupos de extrema-direita, que perseguiram comunistas e judeus e orientaram o movimento para o ultranacionalismo. Como recompensa, a extrema-direita tem três ministros no governo golpista.


O veneno nacionalista

Botando mais gasolina ainda nessa fogueira, está o nacionalismo ucraniano. A Ucrânia fazia parte do império czarista que foi destruído pela revolução russa. Porém, a independência nacional durou o curto período antes da degeneração do Estado Operário soviético. Com a ascensão da burocracia ao poder, representada pela figura do Stálin, todo o chauvinismo russo, que Lênin tanto combateu, voltou a ser a norma na Ucrânia.  

Para o povo ucraniano, assim como para a maioria dos povos das repúblicas não-russas da antiga URSS, a política do stalinismo se confundiu com o comunismo. Essa é a origem do anticomunismo violento de parte da população do país.

Como não podem admitir isso, os vários setores stalinistas acabam negando a realidade ou inventando explicações conspiratórias sobre a influência de massas do fascismo no país.

Na década de 1930, para tentar combater o risco da aspiração do povo ucraniano pela independência ser utilizada pela direita, o revolucionário de origem ucraniana Leon Trotsky formulou a palavra de ordem "por uma Ucrânia socialista e independente". A tragédia é que a destruição de todas as correntes revolucionárias no país durante décadas impediu que essa perspectiva criasse raízes no povo. Ao contrário, durante a Segunda Guerra Mundial, a maioria dos nacionalistas ucranianos colaborou com os nazistas contra a URSS.
Esse ódio contra a opressão nacional por parte dos russos é o que explica porque os fascistas ucranianos sejam pró-UE, enquanto os fascistas do restante da Europa são contra. E explica também porque eles conseguem tanto apoio popular.


A ameaça fascista

A maior organização fascista do país, Svoboda (Liberdade), conta com um braço paramilitar e foi o responsável pela queima da estátua do Lênin em outubro passado. Eles reivindicam Stepan Bandera, guerrilheiro ucraniano pró-nazista. Como não poderia deixar de ser, também são antissemitas, homofóbicos e defendem a prisão para mulheres que abortam. Além disso, a organização Setor Direita é paramilitarizada e compete com Svoboda pra mostrar qual é a fascista mais radical.

Se no tempo da URSS, em que a sociedade não era capitalista, já existia opressão nacional, agora que a Rússia está tentando se fortalecer novamente como potência imperialista, o saudosismo do PC ucraniano e outras organizações é a receita certa para a Ucrânia continuar a ser uma semicolônia.

Mas, na luta contra o fascismo, temos que contar com as forças do movimento dos trabalhadores, através da tática da frente única antifascista e sua expressão militar, as autodefesas.

A luta contra o fascismo é inseparável da luta contra a sua causa, o capitalismo. Precisamos contrapor o programa emancipador do comunismo contra toda a reação. O  partido revolucionário, como disse Lênin, deve ser um "tribuno do povo", denunciando toda forma de opressão que existe na sociedade. Lutar contra a homofobia e o antissemitismo, combater na prática a visão tradicional sobre as mulheres. Lutar contra o desemprego e a crise rompendo a "unidade nacional" com os patrões.

Em 2012, nós dissemos que a Grécia era a chave da situação mundial, porque era o país em que havia mais possibilidades concretas de uma revolução socialista. Com a oportunidade perdida na Grécia, se ativou novamente a dialética da revolução e da contrarrevolução: as oportunidades perdidas abrem o caminho para derrotas ainda maiores.

A nossa tarefa internacionalista é tentar novamente reverter o pólo da dialética, ajudando os trabalhadores ucranianos a derrotarem os fascistas, jogando novamente a iniciativa para os revolucionários.


A Rússia é imperialista ou não?

A entrada da Ucrânia na União Europeia significaria uma nova semicolonização do país, só que dessa vez nas mãos de uma potência muito maior que a Rússia. A independência nacional só pode ser conseguida, como Trotsky disse, através de uma Ucrânia Socialista e Independente, expropriando os gasodutos e demais empresas russas através das mãos de um governo direto dos trabalhadores.

Diante da ameaça de intervenção russa, grande parte da esquerda apoiou a Rússia, falando até mesmo da possibilidade de uma terceira guerra mundial. Acreditamos que duas questões diferentes mas interligadas existem aí.

A primeira é a ideia de que o imperialismo russo é um "contraponto" ao americano. Esse é um raciocínio pragmático e imediatista. O imperialismo não se confunde com os EUA, a Rússia é tão imperialista com as ex-repúblicas soviéticas quando os EUA com a América Latina.

Algumas organizações estão dizendo que a Rússia não é imperialista. As melhores defesas dessa posição, até agora, foram do PCO e da LC.

Segundo o PCO, depois de mostrar a grande participação estrangeira no setor industrial e bancário russo:

O poderio militar e econômico da Rússia coloca-a na posição de potência regional, com forte influência em diversos países, principalmente em antigos membros da União Soviética. A relação que possui com estas nações, no entanto, não podem ser caracterizadas como imperialistas. Por mais que possa explorar a outra nação, não possui a força de um governo imperialista e, principalmente, não controla setores fundamentais do mercado mundial.

Já  a LC fala que "O "imperialismo" da Rússia e da China são substancialmente diferentes. A definição de pré-imperialistas pode ser um termo mais apropriado. E argumenta corretamente que

Não basta orientar-se apenas por um índice para determinar se um país é ou não imperialista. Por exemplo, se tomarmos o ranking do PIB isoladamente, imediatamente a questão do PIB per capita surge. O parâmetro fundamental é a relação entre as nações. É isto que define se uma nação é oprimida pelas grandes potências imperialistas ou se sua economia é integrada às estruturas imperialistas mundiais para explorar outras nações pelo benefício mútuo de ambos. No ultimo caso, trata-se de países que tomam carona nas potências imperialistas; eles penetram nos mercados abertos pelas grandes potências. Todavia, em todos os índices Brasil, África do Sul e Índia não são potências imperialistas. Nem o são a Rússia e a China na maioria deles.
Na verdade, uma definição mais adequada sobre a Rússia seria "imperialismo regional". Não se trata mesmo de uma potência de primeiro plano. Mas nem todos os países imperialistas estão no mesmo patamar.

Por exemplo, a Espanha sem dúvida é um país imperialista, e tem menos multinacionais que a Rússia na lista da Forbes. Se a Rússia não tem nenhuma bolsa de valores entre as maiores, isso é mais do que compensado pelo seu poder militar.

Não faz sentido colocar a Rússia mais como subimperialista (assim como a China), como fazíamos alguns anos atrás, porque o motor da economia desses países não é determinado pelo capital imperialista, o que é o caso do Brasil ou da Índia. Apesar de não terem conseguido ainda virar potências mundiais (a China já está se tornando), são imperialismos ascendentes em busca de zonas de influência.

Fortalecer a Rússia (ou o pólo Rússia-China) contra os EUA só pode levar, a longo prazo a... esse bloco se tornar o imperialismo hegemônico. O que os trabalhadores ganhariam com essa brincadeira de gangorra???

O pior é que a Rússia é a ameaça imperialista imediata para o povo ucraniano. A ideia de que o imperialismo russo, que prende e reprime a oposição em seu próprio país e faz leis contra homossexuais, pode cumprir um papel antifascista, é totalmente fora da realidade. O objetivo do governo russo é manter a sua zona de influência e seu acesso ao Mar Negro.

Infelizmente, a maioria do povo da Crimeia tem ilusões no imperialismo russo, e provavelmente vai votar pela integração à Rússia no referendo. Mas uma vez, o nacionalismo que está destruindo a Ucrânia leva os trabalhadores para um beco sem saída, agora nas garras do governo autoritário de Putin.

Então, a política de algumas correntes, de apoio à Russia significa um suicídio político perante a maioria do povo ucraniano, e passaria a ideia de que a esquerda tem o rabo preso com a Rússia, fortalecendo ainda mais a popularidade da extrema-direita. Os comunistas não lutam a favor do imperialismo mais fraco contra o mais forte - somos antiimperialistas.

Além disso, os companheiros precisam acertar as contas históricas de suas caracterizações. Se a Rússia era imperialista na Primeira Guerra Mundial, e a Rússia de hoje é semicolonial, como diz o PCO, isso significa que todo o período de economia planificada foi um enorme retrocesso das forças produtivas - justamente o que a propaganda anticomunista sempre falou.

Ou então, os companheiros vão ter que apelar para o impressionismo à beira do delírio e dizer que a catástrofe econômica dos anos 1990 foi suficiente pra transformar a segunda potência mundial em uma semicolônia.


Estamos caminhando para uma nova guerra mundial?

Além disso, descartamos a possibilidade de guerra mundial no futuro previsível. É verdade que Lênin definiu o imperialismo como uma época de "guerras, crises e revoluções", e que falou que qualquer equilíbrio entre as potências é temporário e que as disputas se resolvem através da guerra interimperialista.

Porém, nos noventa anos desde a morte de Lênin, a integração econômica e política entre os países imperialistas avançou muito. Por exemplo, a União Europeia era inimaginável na época da Primeira Guerra Mundial. Além disso, o avanço da tecnologia militar, com os armamentos nucleares torna praticamente certa a destruição de toda a civilização no caso de um conflito imperialista generalizado.

Esses fatores tornam a possibilidade de uma guerra interimperialista muito remota. As contradições principais do imperialismo não são resolvidas mais com guerras mundiais, e sim com disputas econômicas, por zonas de influência e através de guerras de rapina, como na Líbia, no Mali e tantos outros casos.


As tarefas imediatas


Diante do cenário político complicado na Ucrânia, o Coletivo Lenin defende majoritariamente esta política internacional:

Defendemos o direito à autodeterminação do povo da Crimeia, inclusive o seu direito a se separar a Ucrânia e se integrar à Rússia, se quiser. Defendemos que seja respeitado o resultado do referendo de 16 de março. Diante da possibilidade de invasão da Ucrânia para passar por cima da decisão do referendo, estamos no campo militar na Rússia, escolhida como país pela população da Crimeia.

Uma guerra com a Rússia transformaria a Ucrânia num barril de pólvora, com grandes chances de criar uma guerra civil de longa duração, prejudicial a todas as nacionalidades. E fortaleceria o governo golpista, que seria visto por parte da população como a única solução contra a Rússia.

Por isso, diante da possibilidade de divisão da Ucrânia através de uma guerra entre o governo russo e o governo golpista ucraniano apoiado pela UE, entre zonas de influência da União Européia e da Rússia, somos pela derrota dos dois lados, e defendemos que os trabalhadores ucranianos, russos e tártaros se unam numa frente única contra o governo golpista.

Uma Ucrânia socialista e independente seria um exemplo para todos os povos da Europa e do mundo. Ainda é uma perspectiva muito distante, nesse cenário de reação em que está o país. Mas, desde já, temos que lutar para construir o instrumento que pode dirigir uma futura revolução para esse objetivo: um partido revolucionário dos trabalhadores, seção de uma nova internacional.

Toda a nossa ação internacionalista nesse momento deve ser para dar mostrar o repúdio á intervenção militar, de qualquer potencia imperialista ocidental ou em ascensão, e para mostrar a possibilidade de uma saída socialista contra o governo que surgiu do golpe.


Os companheiros que defendem a outra posição política internacional pleitearam o direito de debate público, assim como a publicação da posição deles, minoritária:

A partir do Oeste do país, um golpe apoiado por um movimento de massas nacionalista e fascista instalou um governo dos nacionalistas fascistas em aliança com a máfia burguesa pró-UE, e logicamente apoiados pelo imperialismo Europeu (encabeçado pela Alemanha) e apoiado pelos EUA.

No Leste os trabalhadores de maioria étnica Russa são contrários ao golpe e ao controle do governo provisório fascista pró-UE, e por isso combatem abertamente nas ruas e lugares etratégicos com milícias Anti-Maiden o avanço do movimento fascista pró-UE EuroMaiden; na Republica Autônoma da Criméia um referendo poderá decidir pelo futuro da região como independente da Ucrânia entrando para a Federação Russa, o que provavelmente a UE e os EUA não aceitarão, e que levará a Rússia a entrar na Criméia com o apoio da maioria dos trabalhadores da região e o apoio político internacional da China, isso como forma de garantir o reconhecimento nacional e internacional do Referendo.

Nesta situação defendemos, principalmente no caso de uma futura guerra regional, que seja respeitado o Referendo da Criméia ou de qualquer Estado ou Republica Autônoma da Ucrânia baseado no direito de autodeterminação dos povos, tal como defendido por Lênin durante a Guerra Civil Revolucionária em relação a Finlândia, e que a tarefa imediata dos trabalhadores de todas as etnias e nacionalidades, comunistas e socialista, é criar uma grande frente única antifascista contra o governo fascista e o movimento EuroMaiden,  e isto quer dizer estar militarmente no mesmo campo da Rússia contra o governo fascista no Oeste da Ucrânia, porém garantindo claramente a independência política do Imperialismo Russo.

Após a derrota dos grupos fascistas pró-UE, a conjuntura política irá mudar radicalmente, e se fará necessário o enfrentamento militar da Frente Antifascista dos trabalhadores comunistas e socialista contra o projeto de dominação política e econômica da burguesia russa mafiosa instalada no Leste da Ucrânia, o que implicará na tomada de todas as fábricas e representações políticas e militares pelos trabalhadores armados e organizados pela Frente Antifascista, sob a bandeira da Republica Socialista Dos Trabalhadores da Ucrânia.

Esta tarefa não será fácil, ainda mais que ainda não existe um partido verdadeiramente revolucionário e de massas e uma internacional que organize os trabalhadores com independência política de todas as frações burguesas mafiosas da Rússia e da Ucrânia. Ao longo dessa luta, no campo político e militar, será inegável esta necessidade, e que a constituição desta importante ferramenta da classe trabalhadora trará um salto de qualidade na luta dos trabalhadores da Ucrânia contra a opressão de todas as frações do Capital, e poderá ser um importante exemplo para os trabalhadores dos países mais explorados na UE, satélites do imperialismo Alemão, assim como para os povos da oprimidos que são satélites do Imperialismo Russo em ascensão.

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domingo, 9 de março de 2014

[Jornal do Brasil]Rio: arbitrariedade e autoritarismo do governo estimulam mais protestos


Reproduzimos aqui a matéria do Jornal do Brasil, em que um militante do Coletivo Lênin foi entrevistado


Rio: arbitrariedade e autoritarismo do governo estimulam mais protestos


Especialistas comentam postura de Cabral e Paes à frente da administração pública


Jornal do BrasilCláudia Freitas

Sérgio Cabral e Eduardo Paes
A greve dos garis no Rio, que após um longo impasse foi encerrada no sábado (8), pode ter revelado muito mais do que a insatisfação de uma categoria com as condições de trabalho. O sociólogo Robert Ezra Park, da Escola de Sociologia de Chicago, pioneira em pesquisas urbanas, afirma que a cidade vai muito além do seu arranjo espacial com edifícios e instituições: ela resulta dos sonhos dos seus habitantes. Partindo desse conceito, sociólogos, urbanistas, cientistas políticos e antropólogos alertam que decisões radicais, ou até mesmo a omissão do poder público, com consequências que desagradam a população, estão eclodindo em movimentos de classes contra os governos municipal e estadual. Além disso, os projetos para a Copa do Mundo e Olimpíadas executados pela administração Eduardo Paes podem gerar danos irreversíveis ao perfil social, cultural e econômico da cidade. 

Fevereiro foi marcado pela insatisfação do carioca com o novo sistema de mobilidade urbana implantado pela prefeitura, que transformou a rotina do trabalhador num verdadeiro martírio. Já a primeira semana de março chegou com o Carnaval e, de forma surpreendente e atípica, teve o seu brilho ofuscado, desta vez pela falta de flexibilidade do poder público municipal, que levou centenas de garis a cruzarem os braços e a cidade ser tomada pelo lixo. A Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb) reagiu ao movimento de um grupo de garis que rejeitou o acordo feito entre município e o Sindicato dos Empregados das Empresas de Asseio e Conservação, anunciando um processo de demissão em massa dos trabalhadores dissidentes. A companhia justificou que a possibilidade de demissão está na cláusula 65 do acordo firmado com o sindicato. Juristas consultados pelo Jornal do Brasil consideram a decisão arbitrária e passível de recursos na Justiça. As demissões acabaram revogadas.
O advogado Reginaldo Mathias, especializado em Direito do Trabalho, avaliou que a medida da Comlurb foi "arbitrária" e "questionável". "É discutível e deve percorrer três ou quatro instâncias do Tribunal Regional do Trabalho. A greve é um direito do trabalhador e quando ela é contrária aos interesses da população deve sofre punições sim, mas optar por demissão já é um ato extraordinário e muito radical. Acredito que houve um excesso", considerou ele. Para Marcus Ianoni, professor do departamento de ciências políticas da Universidade Federal Fluminense (UFF) e doutor em ciência social, o primeiro aspecto a ser considerado é que o Brasil é uma democracia e há o direito de greve. 
"Trata-se da greve de uma categoria que desempenha uma função muito importante para a cidade, mas que, tradicionalmente, é submetida às mesmas condições de exploração que outras categorias de serviços domésticos e braçais são submetidas, em função da desvalorização desse tipo de trabalho, que remonta à condição de escravidão. Ou seja, trata-se de uma greve socialmente importante para que superar uma histórica situação de injustiça nas relações de trabalho", avaliou Ianoni. 
O sociólogo acredita que a Comlurb e o prefeito deveriam levar em conta o direito de greve e a peculiaridade desse ato para lidar com a situação de maneira mais política e mais democrática, e não de modo punitivo - "apoiando em decisões precipitadas e de primeira instância da Justiça do Trabalho, que aprovou demissões de algumas centenas de garis", acrescentou ele. Ianoni observou que o país está mudando, e um dos reflexos desse processo é a greve dos garis do Rio, que para ele despertaram uma "os novos tempos". "A prefeitura precisa estar à altura dos novos tempos democráticos e de conquistas sociais. Precisa buscar incansavelmente a negociação com a categoria, pensar em plano de carreira etc", destacou. 
As análises feitas pelo especialista em História Contemporânea e Tempo Presente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Francisco Carlos Teixeira, apontam que o contexto atual do Rio de Janeiro é fruto da consolidação de um "padrão" nas relações entre governo com os movimentos sociais e as demandas sindicais. "Desde a greve dos bombeiros, em 2011, e depois as demandas de várias categorias, com a eclosão do movimento dos professores em 2013 e agora dos garis, é a completa recusa e negação de negociações ou intermediações - inclusive legitima e necessária, do Legislativo estadual e municipal. O governador e o prefeito - que usam largas verbas e recursos para obras que devem transformar o Rio numa cidade-monumento - se recusam a conversar com várias categorias, cujos salários são menores do que em estados bem menos aquinhoados, inclusive de royalties, do que o Rio", disse Teixeira.
Teixeira explicou que o "padrão" é um misto de "não podemos", embora haja verba para inúmeras obras não prioritárias, como o Cais em "Y" e seus acessos ou a "louca ideia" de colocar um museu da imagem e do som em frente ao mar, e em seguida a criminalização dos movimentos, com forte apoio da mídia - "e esta ainda busca culpar a população pela sujeira, no tipo cada um carregue seu lixo", acrescentou. Ele disse que, apesar da "culpa" atribuída à população, não foi possível encontrar na Cinelândia, na Carioca ou no Largo de São de Francisco nenhum contêiner da prefeitura. "Ontem [6/3] e hoje a Saara está suja, sem contêineres. Da mesma forma, os banheiros são insuficientes e caros, mesmo sabendo-se de antemão o volume dos foliões", descreveu ele ao visitar o Centro da cidade a pedido do Jornal do Brasil.
Desta forma, disse Teixeira, o Rio de Janeiro tem hoje a ausência de pré-medidas adequadas, como cointêineres, banheiros, centros de recolhimento de fantasias e adereços e de coleta de latas, além de péssimos salários, criminalização e encobertamento pela mídia televisiva. "O prefeito deveria ir a Festa da Cerveja em Munique e tirar de lá alguns exemplos, simples e práticos, como as canaletas-urinol e os contêineres em cada esquina e acima de tudo colocar a remuneração de quem lida com uma questão crucial como lixo num patamar mais político e menos policial", sugeriu o especialista.




Comlurb convoca trabalhadores para assinar demissão via mensagem de texto
Comlurb convoca trabalhadores para assinar demissão via mensagem de texto

Ativistas alertam para novas manifestações
"Faltando menos de três meses para a Copa do Mundo, vemos no Rio de Janeiro os protestos dos professores, estudantes, garis e outras classes. Todos questionam as políticas urbana, habitacional, educacional e de outros segmentos, adotadas pelos governos de Eduardo Paes [prefeito] e Sérgio Cabral [governador], que não dão espaço para diálogo, mas quando as manifestações tomam proporções massivas eles recuam, mas depois dos momentos de pressões voltam às decisões anteriores, num ciclo vicioso". O cenário foi descrito por um dos membros do Fórum Popular do Rio de Janeiro, Thieplo Bertola, que ainda alerta para futuras manifestações contra os megaeventos esportivos na cidade.
Thieplo acredita que o poder público no Rio está "jogando pesado" a favor do setor privado, especialmente na realização dos projetos para a Copa do Mundo. "Enquanto a população está deixada de lado, a prefeitura e o governo estadual estão completamente comprometidos com as cooperativas envolvidas nas obras para os megaeventos que vão acontecer agora", disse ele. Participante do grupo chamado "Coletivo Lenin", um dos que integra o Fórum Popular, Thieplo conta que em todas as reuniões gerais realizadas pela organização as conclusões são negativas quanto a atuação do governo. "Avaliamos que as mobilizações que estão acontecendo na cidade têm como motivação as atitudes do prefeito, de desprestigia o carioca", disse ele. 
O ativista alerta que os novos Projetos de Leis que criminalizam os protestos, greves e qualquer movimento que possa questionar as ações governamentais, pode incentivar outros atos populares nos próximos meses. "Eles [governantes] vão endurecer, o que é ruim para a democracia e demonstra que a administração pode mudar os seus rumos e formas de negociação de acordo com os interesses políticos", disse Thieplo. 
Líderes da Frente Independente Popular do Rio de Janeiro convocaram esta semana, pelas redes sociais, uma manifestação contra a Copa do Mundo. A postagem na página da organização convida os internautas para um ato marcado para a próxima quarta-feira (12/3), com concentração na Candelária, Centro. A mobilização, apelidada pelo grupo de "Ato Nacional do Não Vai Ter Copa", vai protestar contra a o projeto de lei 728, que segundo a postagem "pretende restringir e criar diversos crimes, entre eles, o crime de terrorismo"

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sábado, 8 de março de 2014

[Fórum de Lutas do Rio] VITÓRIA DOS GARIS EM GREVE!!!

Os garis nos mostram o caminho da vitória: Lutar implacavelmente, até o fim, contra os governos e os patrões!
Nós do Coletivo Lenin estivemos acompanhando essa greve desde a assembleia de sexta-feira dia 28/02, quando os garis deflagaram a greve, mesmo contra a vontade dos burocratas pelegos do sindicato da UGT ligado ao PTB, partido da base aliada do Cabral e Paes, e que chamaram até a PM para proteger os pelegos sindicais da base revoltada querendo que optou pela greve.
Estivemos presentes em todas as manifestações, de sábado de carnaval até quarta-feira de cinzas, sofrendo junto com esses camaradas cada minuto de aflição com as manobras sujas do sindicato junto com a prefeitura, mas também em cada momento de coragem nas decisões coletivas de não vacilar e manter a categoria unida em greve. É com muita emoção que postamos aqui a noticia da vitória histórica desse bravos trabalhadores, que conseguiram aumento de R$802,00 para R$1100,00!, além da volta de muitos outros benefícios e direitos revogados durante as gestões Cesar Maia e agora Eduardo Paes.
Não eram só 300 como dizia a Globo, mas com certeza foram tão bravos quanto os Espartanos, lutando contra inimigos tão fortes e maquiavélicos quanto o Rei Xerxes!
Foi uma vitoria contra a velha burocracia sindical, contra o legalismo varguista do Tribunal do Trabalho que declarou a greve ilegal, contra o Eduardo Paes e o Cabral e a sua defesa intransigente dos interesses do capital privado no ano da Copa, contra a Rede Globo e a criminalização dos movimentos dos trabalhadores! Depois deles, muitas outras greves virão com a promessa de muito mais vitórias!
Vamos mostrar que contra os trabalhadores organizados não há lei anti-terror que nos faça parar a luta contra esses bandidos capitalistas espoliadores do povo!
VIVA A HEROICA VITORIA DOS GARIS EM GREVE!
UMA VITORIA DE TODOS OS TRABALHADORES DO BRASIL!
Nota dos garis em grevistas para a população:
http://coletivolenin.blogspot.com.br/2014/03/carta-dos-trabalhadores-da-comlurb-para.html

Abaixo segue a nota publica do Fórum de Lutas do Rio:

HERÓIS DO BRASIL!!! VITÓRIA DOS GARIS!!! 
A PREFEITURA TEVE QUE RECUAR E ACEITAR PAGAR R$1100,00 E R$20,00 DE TICKT ALIMENTAÇÃO!

Depois de utilizar de todos os meios mais sujos para tentar derrotar os garis em greve, com o sindicato comprado pelo prefeito, ameaçando eles com demissões ilegais, forçando eles a trabalharem com a PM atrás, criminalizando chamando eles em rede nacional de "marginais em motim", o prefeito Eduardo Paes teve que recuar sob a forte pressão dos garis em greve, apoiados por trabalhadores do Rio e do Brasil!!!

Essa vitória não será apenas deles, mas de todos nós que nos últimos anos estivemos lutando contra as políticas dos governos Cabral e Paes em favor do capital privado contra os interesses de todos nós trabalhadores e estudantes. E servirá de exemplo para todas as categorias de trabalhadores e trabalhadoras no Brasil e no Mundo! 

Pois os garis apontaram o único caminho da vitória contra os mais escusos interesses do capital:
Lutar implacavelmente, sem baixar a cabeça, até a vitória!

VIVA A HEROICA GREVE DOS GARIS! 
VIVA A LUTA DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS!
FELIZ 8 DE MARÇO, DIA INTERNACIONAL DE LUTA DAS TRABALHADORAS!
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CARTA DOS TRABALHADORES DA COMLURB PARA A POPULAÇÃO DO RIO DE JANEIRO


Sobre a greve dos garis e agentes de preparo de alimentos, após 6 dias de paralisação, queremos esclarecer o seguinte:

1- A culpa da greve é do prefeito Eduardo Paes, do presidente da COMLURB e do presidente do sindicato que não vem representando a nossa categoria.

2- Sofremos há muito tempo com as péssimas condições de trabalho, banheiros insalubres, não temos equipamentos de segurança adequados, e baixos salários. A situação é tão absurdas que no café servido pela COMLURB já encontramos baratas no pão e leite estragado. Há ainda assédio moral contra os trabalhadores. Estamos sendo coagidos a realizar um trabalho.

3- A direção do sindicato abandonou a pauta de reivindicações da reivindicação da categoria quando aceitou as imposições do Prefeito Eduardo Paes sem o consentimento dos trabalhadores trazendo indignação dentro de toda a categoria aonde se iniciou o processo da greve.

4- A direção do sindicato traiu a categoria quando recuou da greve de advertência de um dia no dia 1º de março, mostrando que não está ao lado da categoria. O maior absurdo é que isso ocorreu em meio ao nosso dissídio e sem que os advogados do sindicato e a estrutura de nossa entidade fosse colocada a serviço de nossa luta.

5- As informações mostradas na imprensa, com base nas informações da prefeitura e do sindicato, não são verdadeiras. Não são apenas 300 garis que estão em greve. A ampla maioria dos trabalhadores não está realizando as suas funções, mesmo que alguns estejam se apresentando em suas gerencias em função da pressão e das ameaças sofridas por parte dos gerentes. O acumulo de lixo na cidade revela a ampla adesão de nossa greve.

6- Os transtornos criados em função do acúmulo de lixo na cidade, são de única e exclusiva responsabilidade do prefeito Eduardo Paes e do presidente da COMLURB, que se negam a negociar e atender nossas reivindicações. São eles que devem ser cobrados por toda essa situação. Nós só queremos dignidade em nosso trabalho essa é nossa única motivação.

7- Repudiamos a criminalização do nosso movimento e a tentativa de nos criminalizar por meio de demissões de decisões da justiça.

8- Pedimos apoio e solidariedade de toda a população do Rio de Janeiro, dos sindicatos comprometidos com os trabalhadores, parlamentares que atuam nas mobilizações e todos que desejem nos ajudar a que a greve consiga uma vitória.

Rio de Janeiro, 06/03/2014
Comissão de Greve
eleita na assembléia do dia 01 de março


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sexta-feira, 7 de março de 2014

Venezuela: sabotagem econômica e como lutar contra ela


Não vamos somente falar aqui do acirramento da luta de classes na Venezuela. Tem outro assunto, a sabotagem econômica, que será inevitável em qualquer processo de transição ao socialismo. E como é possível lidar com isso.

Na verdade, é preciso mencionar rapidinho alguns pontos básicos sobre o que aconteceu na semana passada, pra explicar de que ponto vamos partir.

Pra começar, qualquer trabalhador venezuelano teria que ser contra os atos da oposição de direita, convocados pelo governador x, do Estado de x, do partido x. Essas mobilizações usam demagogicamente as reivindicações imediatas dos trabalhadores pra tentar ganhar as massas para a política golpista da direita. Nem precisa dizer que essa mesma direita, quando esteve no governo, foi responsável por uma política econômica de fome.

Mas também não apoiamos a repressão por parte do Estado a manifestações de massas. Esse é um ponto que muitos parecem esquecer, porque caem na fantasia perigosíssima de que o governo bolivariano[1] é socialista.

Desde Hugo Chávez, o que realmente importa no Estado, as Forças Armadas, permanecem as mesmas, com a sua cúpula ligada economicamente e ideologicamente com a burguesia. A burguesia não foi expropriada nesse período de mais de quinze anos. Portanto, o Estado continua burguês, 100% burguês. E qualquer aumento do seu poder de repressão vai ser usado com toda a energia contra os trabalhadores que estiverem em luta contra ele.

Dito isso, nós não somos idiotas e não jogamos todos os governos burgueses no mesmo saco. A oposição, que se organiza pela MUD (Mesa da Unidade Democrática), quer derrubar Nicolás Maduro para impor um governo completamente escravizado pelos EUA. São golpistas que odeiam o povo, inclusive por serem racistas. Por isso, a volta deles ao governo seria um retrocesso das pequenas conquistas possíveis desde Chávez, como os programas sociais, a estatização de alguns setores econômicos e avanços democráticos no Estado.

Não estamos mais na década de 1960, o que significa que os golpistas não têm condições de apelar para um golpe militar aberto para derrubar Maduro. A estratégia deles é combinar o desgaste eleitoral com mobilizações de massas, sem descartar a possibilidade de um "golpe branco" pela via institucional. Nesse ponto, a estratégia deles é a mesma da direita tradicional brasileira.

Partindo dessa análise, fica claro como é absurda a posição da LIT (corrente internacional do PSTU), que disse que não existe nenhum risco de golpe na Venezuela. Eles separam mecanicamente o ato do golpe, com movimentação das forças armadas e no Congresso, das manifestações que servem pra preparar o clima político para o golpe. O resultado disso é que, quando forem agir, vai ser quando for tarde demais.

Mas o mais importante nessa situação é que esses atos de massas, por mais direitistas que sejam, têm uma base na situação social da Venezuela. O país está enfrentando uma grave crise econômica. Inclusive, foi essa crise, com o aumento dos preços dos combustíveis, a inflação e o aumento da criminalidade que tirou votos do PSUV e fez o Maduro ganhar por uma diferença tão pequena.

Em parte, essa crise é o resultado da política do governo, que não tem como atacar as causas dos problemas sociais sem romper com o capitalismo. Mas essa crise também é provocada pela sabotagem generalizada da economia pelo empresariado.

Na verdade, as duas causas da crise são a mesma, como vamos ver mais à frente.

Não estamos querendo dizer que o governo Maduro é revolucionário nem que está fazendo uma transição para o socialismo. Uma transição para o socialismo, como a experiência do século XX demonstrou, não pode acontecer sem a destruição do Estado burguês, começando pelas suas Forças Armadas. E o socialismo é um novo modo de produção, o que significa que as relações capitalistas têm que ser progressivamente abolidas dentro dos locais de trabalho pelos trabalhadores organizados. Essa é a base para uma verdadeira planificação da economia.

Mas, mesmo se o objetivo do governo for fazer algumas reformas a favor do povo, a classe dominante não vai querer que mexam nos seus lucros. Por isso, ela vai jogar pesado pra derrotar politicamente esse governo. E, tendo o controle dos maiores monopólios econômicos e da maioria dos meios de comunicação, fazer isso é muito fácil.

Um exemplo histórico foi o governo Allende (1970-1973) no Chile, que foi a tentativa mais consistente de transição ao socialismo pela via eleitoral - e que fracassou. A burguesia chilena fez exatamente o que a oposição está fazendo na Venezuela. Tira os produtos dos mercados pra forçar a alta dos preços. A inflação piora a vida dos trabalhadores e joga eles contra o governo.

No Chile, o alto nível da organização operária e popular fez com que fossem criadas as Juntas de Abastecimento Popular (JAP), que se organizavam nos bairros para descobrir se as empresas estavam travando a venda dos produtos. Nas fábricas que estavam sendo mantidas em funcionamento parcial pra desabastecer a economia, foram criados os Cordões Operários, até hoje o órgão de poder operário mais avançado que surgiu na América Latina.

Essas soluções, criadas espontaneamente pelos trabalhadores, apontam para a única solução possível contra a sabotagem econômica. Guerra é guerra, e a única forma de diminuir a força da sabotagem é exercer uma ditadura sobre a burguesia - a ditadura do proletariado, através dos seus organismos de luta. Como o governo Maduro não pode dar esse passo, ele só pode tentar combater a sabotagem tapando o Sol com a peneira.

Isso não quer dizer que é necessário expropriar imediatamente toda a burguesia numa transição ao socialismo. Uma transição é exatamente o que o nome diz: uma transição. Com os setores fundamentais da economia nas mãos do Estado Operário, é possível ver em quais ramos é ou não aceitável a presença de empresas privadas, ou se o Estado tem capacidade de administrar melhor do que elas. A passagem de toda a produção para os comitês de trabalhadores é progressiva, e também depende do amadurecimento político e técnico dos mesmos.

Como já falamos antes, não necessariamente uma futura revolução socialista vai acontecer num país continental como a Rússia ou a China. Um país pequeno vai precisar evitar o isolamento, e fazer acordos com países capitalistas. Como Trotsky disse em A Revolução Permanente, o próprio grau de socialização das forças produtivas vai depender do atraso do país.

É por isso que é necessária a independência política dos trabalhadores em relação ao bolivarianismo. Não estamos mais no século XX, em que um governo poderia se apoiar na existência da economia não-capitalista da União Soviética e se radicalizar contra a burguesia. Hoje só podemos contar com as nossas próprias forças, as dos movimentos sociais.

Essa independência tem que se estender não só aos sindicatos, movimentos populares e estudantis, como à formação de um Partido Revolucionário dos Trabalhadores, que possa lutar por um verdadeiro governo direto dos trabalhadores. A polarização extrema da política venezuelana cria um clima muito difícil para a formação de uma alternativa à esquerda do governo, mas esse é o único caminho, agora que o bolivarianismo entrou no seu declínio final sem cumprir as suas promessas. A base para a formação do partido está na diferenciação dentro dos movimentos de massas bolivarianos, assim como na fusão de pequenos grupos revolucionários que já existem. 

Em todos os países, principalmente da América Latina, é um dever internacionalista organizar manifestações de solidariedade ao povo venezuelano, como forma de isolar politicamente os golpistas e propor uma alternativa independente para os trabalhadores.



[1] bolivariano ou bolivarianista se refere a Simon Bolívar, líder de vários movimentos pela independência na América Latina
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