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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

domingo, 21 de abril de 2013

Racismo, violência policial e islamofobia no espetáculo da polícia americana após atentado em Boston


Pedimos desculpas aos leitores do blog por estarmos falando de um tema tão insignificante como o atentado de Boston (em qualquer cidade do mundo, a violência policial, doméstica ou a fome deve ter matado mais gente e debilita muito mais do que o incidente de Boston, mas geralmente não se trata de americanos brancos). Só que é importante falar sobre as reações ao atentado, e do que elas mostram do potencial fascista no mundo de hoje.

Pra começar, nem temos muita certeza se realmente os dois jovens que são apontados como suspeitos foram mesmo os autores do atentado. Mas não pareceu fora do normal pra ninguém na mídia dos EUA e do mundo afora que pessoas que eram suspeitos fossem perseguidas em cenas de filme de ação e depois nem mesmo tivessem os direitos garantidos ( por exemplo, esperar o advogado para falar com a polícia). 

Pior do que isso foi a comemoração do povo americano, aos gritos de "USA, USA". Assim como comemoram a morte de todos os "inimigos dos EUA". Mais uma vez fica claro que os trabalhadores americanos se identificam com o seu governo, e acham que a sua situação social, muito melhor que a dos trabalhadores do Terceiro Mundo, depende da opressão imperialista brutal sobre os países atrasados e sobre as minorias nacionais dentro dos EUA.

Pior ainda é a incompreensão e má intenção da mídia empresarial, que está instigando novamente a islamofobia. Mais uma vez, se coloca todos os trabalhadores de países onde existe uma grande proporção de muçulmanos como muçulmanos, sem se importar com a religião ou falta de religião individual de cada um (ou seja, se "racializa" o islã). E, ao mesmo tempo, se assimilam todos os muçulmanos aos terroristas fanáticos estilo Al Qaeda.

Pra começar, os dois jovens, de origem chechena, parece que cometeram o atentado (que, com certeza, não contou com a participação de uma organização terrorista séria, como dá pra ver facilmente pelos recursos amadores que eles usaram) por uma questão de nacionalismo checheno. 

A Chechênia é uma semicolônia da Rússia, e que tem todo o seu direito à autodeterminação. Sendo que a autodeterminação tem sido negada desde a época do stalinismo, passando por todos os governos russo desde a restauração do capitalismo, da forma mais violenta possível. Foi essa violência e o desepero que ela causou que tem radicalizado o movimento nacionalista checheno, levando ele a adotar métodos terroristas que atacam os trabalhadores e a se aproximar do fundamentalismo islâmico (o Islã é a maior religião da Chechênia).

Na cabeça dos dois jovens, parece que existia a maior confusão entre o nacionalismo checheno (que expressa uma luta progressiva pela autodeterminação) e o fundamentalismo, que é uma corrente reacionária semelhante ao fascismo, independente de ser islâmico, cristão, judaico, hindu ou budista.

-Nós repudiamos o ataque a todas as liberdades democráticas que foi feito para garantir essas prisões. 

-Nós repudiamos que esse atentado tenha sido elevado a um problema mundial, por pura questão de racismo e hegemonia dos EUA. 

-Nós repudiamos a orgia de nacionalismo fascista, infelizmente em que a classe trabalhadora americana participou integralmente.

-Nós repudiamos que a luta pela independência da Chechênia tenha sido manchada novamente pelo terrorismo contra os trabalhadores.

-E, finalmente, nós repudiamos que esse atentado seja usado novamente pra insuflar a perseguição contra os muçulmanos em todo o mundo. 

Seria muito simples, aqui, terminar falando que a solução para a classe trabalhadora americana é o socialismo, que é o sistema que pode acabar com as guerras e o racismo, e que para avançar até o socialismo é preciso criar um partido revolucionário dos trabalhadores. Mas, antes disso é necessário reconstruir o movimento dos trabalhadores dos EUA, em bases internacionalistas e antirracistas, para que seja possível disputar a consciência dos trabalhadores americanos contra a mídia fascista estilo Fox News.



Islamofobia

Desde o atentado de 11 de setembro, a islamofobia é a forma de discriminação religiosa e racial dominante nos países imperialistas, como antes dela foram o antissemitismo e o racismo anti-negro. O Islã é considerado um religião machista e baseada na violência. Isso é usado como pretexto para a perseguição de imigrantes de países islâmicos na Europa e nos EUA, a proibição das suas práticas religiosas (como o uso do niqab, que é um véu que cobre o rosto todo, usado por algumas correntes mais extremas da religião). 

As organizações de extrema-direita mais ativas, como a EDL (Liga de Defesa Inglesa), o Tea Party (EUA), a Frente Nacional (França), o NPD (Partido Nacional da Alemanha) etc. têm usado cada vez mais a demagogia islamofóbica pra jogar nos imigrantes a culpa sobre os problemas sociais piorados pela crise atual. 

O Islã é uma religião como qualquer outra e, por isso mesmo, promete que as injustiças desse mundo serão resolvidas no próximo (quando as pessoas irão para o inferno ou para o paraíso). Como o Islã é considerado pelos seus seguidores uma continuidade do judaísmo e do cristianismo, compartilha dos mesmos mitos fundamentais (a criação em seis dias, o homem feito de barro, a mulher tirada da costela, o dilúvio etc). Uma interpretação literal deles certamente entra em choque com as descobertas da ciência moderna. 

Ao mesmo tempo, temos que reconhecer que, por causa da modernização da sociedade, cada vez mais seguidores da religião interpretam simbolicamente esses mitos (como acontece com os judeus e cristão), inclusive existem correntes de esquerda, semelhante à teologia da libertação no cristianismo. O que não é o caso do fundamentalismo, que quer voltar a roda da história para o século VII, massacrando os direitos das mulheres e criando uma teocracia (governo religioso) tão rigorosa que geralmente os fundamentalistas perseguem até mesmo outras correntes islâmicas mais moderadas, como os sufis.

Além do mais, o fundamentalismo existe em todas as grandes religiões, porque ele é uma expressão reacionária do desejo de setores tradicionais que querem se livrar dos males da modernidade capitalista através da regressão para formas medievais de sociedade. 

No cristianismo, são exemplos de fundamentalismo movimentos como a Ku Klux Klan (com a sua teologia que diz que os negros são amaldiçoados, que o Marcos Feliciano copiou), Opus Dei (do Geraldo Alkmin), TFP (que faz parte do movimento monarquista brasileiro), ou a Teologia do Domínio (uma teologia evangélica que prega que as Leis do Antigo Testamento sejam adotadas pelos governo), que está começando a entrar no Brasil. 

A posição dos comunistas, portanto, diante dessa histeria islamofóbica, deve ser a defesa do direito à total liberdade religiosa, que só pode existir com a separação completa entre Estado e religião.  Ao mesmo tempo, temos que combater ideologicamente todas as formas de fundamentalismo religioso, mostrando que elas desabam como um castelo de cartas diante das descobertas da ciência, e que a solução para os problemas sociais deve ser procurada nesse mundo mesmo, através da luta de classes. 

Dito isso, pra não cair num erro estratégico grave, temos que deixar bem claro que o inimigo principal no Ocidente, onde o fundamentalismo islâmico praticamente não tem influência na sociedade, é a islamofobia, ainda mais quando é instigada pelos fundamentalistas cristãos, de que os EUA (e o Brasil) estão cheios. 

Na luta contra a islamofobia e o fundamentalismo religioso, em muitas situações estaremos fazendo ações conjuntas com setores religiosos que lutam por causas progressistas contra qualquer forma de perseguição às minorias culturais ou religiosas. E esta é uma ocasião muito importante para a luta pela hegemonia da classe trabalhadora contra todas as formas de opressão da sociedade.

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