QUEM SOMOS NÓS

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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

sábado, 28 de julho de 2012

Histórico do movimento Homossexual Brasileiro de 1978 a 1991

Reproduzimos aqui o histórico feito pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), que mostra toda a belíssima trajetória de luta do movimento homossexual no Brasil, apesar de nossas discordâncias sobre as concepções do GGB e da grande maioria dos grupos LGBT.

As nossas maiores divergências são sobre:

- aceitação de verbas do Estado e do setor privado,
- a maioria dos grupos se organizam em contraposição aos movimentos populares, sindicais e estudantis,
- e sua estratégia não liga a liberação sexual à luta por transformar o conjunto da sociedade através da luta revolucionária.

Por outro lado, sabemos o quando o movimento social ainda é homofóbico,  por isso saudamos essa publicação que tira a invisibilidade essa luta! Para nós, a luta pela liberação sexual é uma luta contra a divisão dos trabalhadores por preconceitos milenares que ainda são instigados por setores das classes dominantes. E também uma luta contra o controle da vida pessoal pelo Estado e pelo mercado, inclusive o que lucra com o nicho comercial GLS (e que, assim, se beneficia da homofobia).

Só uma sociedade controlada diretamente pelos trabalhadores pode permitir a liberação da sexualidade em todas as suas formas, e a aceitação de qualquer relação sexual consensual entre duas ou mais pessoas.

Liberação sexual através da revolução socialista!




 

Histórico do movimento Homossexual Brasileiro de 1978 a 1991

 

 O Movimento de Defesa dos Direitos dos Homossexuais surgiu na Europa, nos finais do século passado, tendo como principal bandeira a descriminalização da homossexualidade e o reconhecimento dos direitos civis dos homossexuais. Durante o Nazismo, mais de 300 mil gays foram presos nos campos de concentração, e só depois da Segunda Guerra Mundial que o Movimento Homossexual começa a se estruturar na Europa e Estados Unidos.

28 de Junho de l969 é a data que marca o início do moderno movimento gay mundial, quando no Bar Stonewall, em New York, os homossexuais se rebelaram contra a perseguição policial, travando uma batalha de dias seguidos comemorando a partir de então, todo 28 de Junho como o "Dia Internacional do Orgulho Gay e Lésbico". Existem filmes que contam esta nossa História. No Brasil, em 1978 é fundado o jornal O Lampião, o principal veículo de comunicação da comunidade homossexual, e em Março de l979, surge em São Paulo nosso primeiro grupo de homossexuais organizados: o Somos, surgindo a seguir o Somos/RJ, o Grupo Gay da Bahia, o Dialogay de Sergipe, o Atobá e Triângulo Rosa no Rio de Janeiro, o Grupo Lésbico-Feminista de São Paulo, Dignidade de Curitiba, o Grupo Gay do Amazonas, o Grupo Lésbico da Bahia etc.

Em l980 é realizado em São Paulo, o 1 Encontro Brasileiro de Homossexuais, e em 1984 realizou-se 2o EBHO em Salvador, sendo que em Janeiro de 1995 realizou-se em Curitiba o VIII Encontro Brasileiro de Gays, Lésbicas e Travestis, contando o Movimento Homossexual Brasileiro com aproximadamente 50 grupos, do Amazonas ao Rio Grande do Sul, incluindo 4 grupos de lésbicas, 4 grupos de travestis e o recém fundado em Cuiabá , Grupo Brasileiro de Transexuais, o primeiro do gênero na América do Sul. Solicitações
Porque os homossexuais se organizam em grupos? Um grupo homossexual funciona como uma espécie de sindicato para defesa de nossa categoria, reunindo forças para lutar contra a discriminação e pressionar o poder público a garantir os direitos de cidadania dos gays, lésbicas, travestis e transexuais. Provavelmente também os bissexuais vão se incorporar a nosso movimento, pois assim acontece nos países civilizados, onde os bissexuais se organizam enquanto entidade diversa dos gays e heterossexuais.


Três são basicamente os objetivos do Movimento Homossexual Brasileiro: lutar contra todas as expressões de homofobia (intolerância à homossexualidade); divulgar informações corretas e positivas a respeito da homossexualidade; conscientizar gays, lésbicas, travestis e transexuais da importância de nos organizarmos para defender nossos plenos direitos de cidadania e políticos.

Os grupos homossexuais funcionam através de reuniões onde seus membros e visitantes discutem informalmente sobre os principais problemas do dia a dia de suas comunidades, planejam ações de divulgação de nossos objetivos , além de funcionarem como grupo de apoio no processo individual de cada homossexual na conquista de sua auto-estima, divulgando informações e estratégias de prevenção da Aids e das demais DSTs.


O depoimento dos freqüentadores destes grupos é sempre muito positivo, pois para muitos, as reuniões semanais são a única oportunidade e local onde podem falar e viver livremente a própria orientação sexual, sem medo ou receio da reprovação ou discriminação. Se em sua cidade ou estado há uma destas entidades, faça uma visita, peça folhetos e procure participar de suas atividades, pois servem de apoio nas crises existenciais e na solução de problemas ligados à discriminação. Tais grupos são também centros de prevenção da Aids: leve os folhetos sobre "sexo mais seguro" e peça camisinhas, que são distribuídas grátis nas reuniões. Se em sua cidade ou Estado não existe grupo homossexual organizado, é tempo de tentar sua fundação. Escreva para o Grupo Gay da Bahia (ggb@ggb.org.br ) pedindo o folheto "Como organizar um grupo gay" e o "Manual de Sobrevivência Homossexual" e reúna-se com seus amigos para se tornarem os fundadores de uma nova entidade. Os grupos de prevenção de Aids de sua cidade podem também ser importantes aliados nesta fundação, pois além de fornecer preservativos, eles podem eventualmente emprestar o espaço de sua sede para as primeiras reuniões do novo grupo.

Nestes quase 20 anos de existência, o Movimento Homossexual Brasileiro apesar de contar com reduzidos recursos humanos e materiais, obteve importantes vitórias no reconhecimento dos direitos humanos dos gays e lésbicas. Em l985 conseguiu que o Conselho Federal de Medicina declarasse que no Brasil a homossexualidade não mais poderia ser classificada como "desvio e transtorno sexual". Em 1989 incluiu no Código de Ética dos Jornalistas a proibição de discriminação por orientação sexual. Em l990, nas leis orgânicas de 73 municípios e nas constituições dos Estados de Sergipe, Mato Grosso e Distrito Federal, foi incluída a expressa proibição de discriminar por orientação sexual. Nossas denúncias de violação dos direitos humanos e assassinatos de homossexuais foram publicados no Relatório Anual do Departamento de Estado dos Estados Unidos (l992). Em 1995 realizou-se no Brasil a 17ª Conferência da Associação Internacional de Gays e Lésbicas, (ILGA).


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Cronologia de nossa História

1979 é um ano chave na História do Movimento Brasileiro de Homossexuais ( MHB) ano de fundação do Jornal Lampião da Esquina( e do primeiro grupo gay brasileiro, o Somos/SP, ambas instituições pioneiras e fundamentais no desenvolvimento dos demais grupos de defesa dos direitos de gays e lésbicas no país. Assim, em fins de 1979 quando já existiam mais de uma dezena de grupos no eixo Rio São Paulo e Brasília. O Lampião e o Somos de São Paulo, idealizaram a organização de um encontro nacional, o primeiro de uma série de doze, sendo: 6o EBHOs (Encontro Brasileiro de Homossexuais) 2 prévias para o EBHOs e 4 encontro regionais. Às vésperas da realização do VII EBHO, em Cajamar/SP de 4 a 7/9/1993 o Grupo Gay da Bahia organizou esta pesquisa, sistematizando este importante e inédito capítulo de nossa História, oferecendo aos gays e lésbicas, militantes ou não, informações para que se sintam mais fortes e responsáveis em manter acesa a chama da luta por nossos direitos de cidadania.


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Encontros e reuniões nacionais

I Encontro de Homossexuais Militantes - Realizado no Rio de Janeiro, 16/12/1979. O Encontro realizou-se na ABI ( Associação Brasileira de Imprensa) em um Domingo das 10 às 17 horas. Participaram 61 pessoas. Sendo 11 lésbicas e 50 gays. O Lampião pagou as passagens de ônibus dos militantes carentes e o Grupo Auê do Rio, hospedou os visitantes. Nove grupos marcaram presença; Somos/RJ, Auê/RJ, Somos/SP, Eros/SP, Somos Sorocaba, Beijo Livre Brasília, Grupo Lésbico Feminista/SP, Libertos/Guarulhos, Grupo de Afirmação Gay/Caxias e mais um representante de Belo Horizonte, futuro fundador do Grupo 3o Ato. Vivia-se em um tempo de ditadura militar e o receio da repressão fez com que os participantes de uma reunião do PTB, no mesmo prédio pudesse causar-lhes algum problema. A entrada ficou restrita a homossexuais. Algumas frases desses pioneiros ficaram registradas: "saímos da idade da ignorância: os homossexuais entraram agora na idade adulta." E esta outra " o movimento homossexual é revolucionário e não apenas reformista!" Entre as resoluções deste 1o Encontro de Homossexuais Militantes destacam-se a reivindicação de incluir na Constituição Federal o respeito à "opção sexual" ( hoje o termo correto é orientação sexual) e lutar para retirar a homossexualidade da lista das doenças mentais. Decidiu-se convocar todos os militantes gays e lésbicas para um próximo congresso na Semana Santa próxima, em São Paulo. Após 7 horas de debates ininterruptos, os participantes confraternizaram-se no famoso Bar Amarelinho, na Cinelândia, no Rio. A coordenadora eleita desse encontro foi a líder do GLF "Teka", uma das mais combatíveis de nossa história. O Pasquim criticou o encontro.

I EBHO Encontro Brasileiro de Homossexuais - São Paulo, 4 a 6/4/1980. Segundo o Jornal Lampião ( Abril/80), este encontro concentrou duas atividades, o EBHO ( aberto a qualquer homossexual, previamente inscrito, e o EGHO ( encontro de grupos homossexuais organizados). Estas duas siglas coexistiram ao longo da história do MHB, prevalecendo contudo a primeira, "EBHO". Realizou-se este 1o EBHO no Centro Acadêmico da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo –USP, estando presente 8 grupos: Somos/SP, Somos/Sorocaba, Libertos/Guarulhos, Grupo Lésbico Feminista/SP, Eros/SP, Somos e Auê/Rio e Beijo Livre de Brasília. Enquanto calcula-se em 200 pessoas os participantes das seções ordinárias, a plenária final, no teatro Ruth Escobar contou com 600 participantes, o único momento que o I EBHO esteve aberto aos não homossexuais. Os participantes dividiram-se em subgrupos que discutiram: a questão lésbica, a repressão homofóbica, os michês e travestis, a solidão do homossexual a intolerância da Igreja Católica. Algumas conclusões e recomendações: incentivar a legalização dos grupos homossexuais e maior intercâmbio; ampliar estudos e conferências sobre homossexualidade; lutar pela aprovação de leis anti-discriminatórias, inclusive a exclusão do código 302.0 que classificava a homossexualidade como desvio sexual; denunciar todas as expressões de preconceito anti-homossexual. Encerrou o I EBHO com um show na Boate Mistura Fina (ex-Dinossauros) onde um número de dublagem machista foi vaiado e interrompido por interferência dos militantes presentes. A Revista Isto é e o Jornal Lampião noticiaram detalhadamente.


Prévia do II EBHO (Rio de Janeiro de 6/12/80)
Por sugestão do Lampião e dos grupos do eixo RJ/SP, realizou-se no Teatro da Casa do Estudante Universitário uma "prévia" do II EBHO. Por incrível que pareça foi a reunião que congregou o maior número de grupos organizados em toda história do MHB. Do Rio estavam presentes: Somos, Auê, Bando de Cá de Niteroí; de São Paulo vieram: Somos, Outra Coisa, Eros, Convergência Socialista, Galf, Terra Maria, Alegria Alegria, Grupo Opção, Liberdade Sexual de Santo André; do Nordeste: os recém formados Grupo Gay da Bahia, o GATHO ( Grupo de Atuação Homossexual de Recife/Olinda) além do Beijo Livre de Brasília e o Terceiro Ato de Belo Horizonte, formando um total de 15 grupos, além do Lampião – na época em aberto conflito com alguns grupos do MHB – tanto que das sete horas de duração do encontro, mais de duas foram gastas na discussão se o Lampião seria ou não aceito no Encontro: no final prevaleceu o bom senso, ficando o Lampião. Foi a primeira vez que o GGB esteve em um encontro nacional e por mais que insistíssemos na importância de aproveitar aquelas poucas horas para reforçar os grupos presentes, que demonstravam nítidos sintomas de precoce desestruturação, infelizmente, os participantes procuraram discutir temas mais formais, como o caráter deliberativo do próximo EBHO e a não formação de uma Coordenação Nacional do MHB – temendo alguns que a Facção Homossexual da Convergência Socialista viesse a dominar os destinos do movimento. A coordenação dessa prévia esteve sob o comando da poetisa Leila Mícolis, do Auê/RJ. Existiam na época outros grupos que não se fizeram presentes nesta prévia: o Coligay de Porto Alegre; o Auê de Recife; o Libertos, de Guarulhos. A partir desta data, a maior parte dos 17 grupos do MHB desaparecerão, e o II EBHO, previsto para se realizar no Rio de Janeiro no mês de Abril de 1981, abortou.


I EGHON - Encontro de Grupos Homossexuais do Nordeste ( Olinda, 19 a 21/4/1981) Uma das sugestões da "prévia" foi a realização de encontros regionais que preparassem o próprio EBHO. Em 1981 dois encontros regionais realizaram-se em São Paulo e em Pernambuco. Neste 1o e até agora único EGHON estiveram presentes o GATHO ( que organizou o encontro), Nós Também da Paraíba, Dialogay de Sergipe – ainda em atuação - GGB e Adé-Dudu de Salvador. As reuniões realizaram-se em Olinda, no Centro Luiz Freire, congregando mais de 60 participantes, que divididos em subgrupos discutiram sobre a violência anti-homossexual, os problemas do relacionamento entre gays e lésbicas, as categorias dentro da homossexualidade. [ A Aids não havia chegado!!] Como resoluções, decidiu-se incentivar a participação do MHB nas reuniões anuais da SBPC ( Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) , a fundação de novos grupos pelo Nordeste, caravanas de ativistas visitantes das
principais cidades e "guetos gays", contato com outras entidades populares, a fundação da revista "Bichana" ( nunca concretizada) deixando a cada grupo a liberdade de relacionar-se com partidos políticos, sem atrelar o MHB a nenhum deles. O encerramento do EGHON foi no grande salão do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Pernambuco, esticando-se a despedida na boate Misty, com falação dos militantes. Um dos momentos marcantes deste encontro foi a passeata gay, percorrendo as principais ruas da velha Olinda, reunindo uma meia centena da manifestantes que gritavam: "gay unido, jamais será vencido!"

I EPGHO – Encontro Paulistano de Grupos Homossexuais (São Paulo, 25 a 26/4/1981) Este encontro realizou-se nas instalações do Departamento de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo –USP, estando presentes 4 grupos: Somos, Galf, Coletivo Alegria Alegria e o Grupo Afirmação Homossexual (Outra coisa) Os demais grupos paulistanos, por divergências ideológicas, recusaram-se a participar deste evento. Discutiram os seguintes pontos: promoção de manifestação no dia 13/6, em comemoração à passeata do ano anterior onde homossexuais e outras minorias protestaram contra a violência policial; enfatizar o intercâmbio do MHB com os demais grupos discriminados, inclusive sindicatos e entidades de classe; evitar homogeneizar e massificar os desejos, o beijo ateu, os seios entre seios, etc.. os presentes se dividiram entre o uso dos termos "bicha" ou "companheiro" para tratarem-se os militantes entre si.


II EBHO – Encontro Brasileiro de Homossexuais ( Salvador, BA. 25 a 26/1 de 1981) Com o fim do Jornal O Lampião da Esquina, em meados de 1981, os homossexuais brasileiros perderam seu principal canal de comunicação nacional, pois os pequenos boletins de alguns grupos não conseguiram a mesma comunicação homossexual do continente sul-americano. Embora, novos grupos fossem fundados (Nós Também em João Pessoa, Adé-Dudu e Grupo Libertário Homossexual em Salvador, Dialogay em Sergipe) o certo é que após a prévia de 1980, o MHB entrou em grave crise, tanto que somente em 1984 é que o GGB reuniu forças para convocar o II EBHO, que em vez de realizar-se em 1981 no Rio, teve lugar em Salvador só em 1984. Apesar do convite a todos os grupos – reduzidos apenas 7 em todo território nacional, compareceram em Salvador representantes de 5 grupos: Dialogay de Sergipe, Gatho, GLH, GGB e Adé Dudu de Salvador, além de gays moradores em Maceió, congregando um total de 40 participantes. As reuniões realizaram-se no comitê de um deputado amigo do PMDB, Marcelo Cordeiro, contando na abertura com representantes do Movimento Negro Unificado, Feministas e do PMDB e PT. Uma exposição de Arte Postal Gay, foi montada no local, e apesar do pequeno número de participantes, foi o EBHO que contou com a melhor cobertura jornalística, com matérias grandes nos principais jornais nacionais e até um bom resumo na "Nación" de Bueno Aires. Este II EBHO marcou o início das comemorações do "Ano Internacional Gay ", deliberando-se que o MHB deveria encaminhar ao Conselho Federal de Medicina o abaixo assinado com mais de 16 mil assinaturas pela suspensão do 302.0 que classificava a homossexualidade como desvio e transtorno sexual; lutar pela inclusão de cursos de educação sexual em todas as escolas e por um tratamento positivo da mídia em relação à questão homossexual; pela aprovação de legislação anti-discriminatória, inclusive pela legalização do "casamento gay" e como o momento era de luta política, pelas Diretas Já . O principal saldo positivo deste encontro foi a reativação dos encontros do MHB, após mais de 3 anos de paralisação, e a divulgação de uma carta aberta do Movimento à nação, onde nos posicionamos clara e corajosamente em favor da plenitude dos direitos de cidadania dos homossexuais, apoiando
os movimentos progressistas em suas lutas por uma sociedade mais justa fraterna e igualitária. Ficou em aberto a data e local do próximo encontro nacional.

III EBHO Encontro Brasileiro de Homossexuais (Rio de Janeiro 6 a 8 /01/ 1989) Entre 1984-1988 o Movimento viveu sua pior crise demográfica, pois de 22 grupos existentes em 1980, reduziram-se a apenas 4 em 1985 ( GGB, Adé-Dudu, Triangulo Rosa, e Galf), 3 em início de 1986 – sendo que a partir dos meados de 86, felizmente, sangue novo reanimou o movimento. Curioso é que em 1985, conseguimos a nossa maior vitória; a exclusão da homossexualidade do código de doenças. Em Outubro de 1986, existiam 12 grupos, 8 em Maio de 1988. Por iniciativa do ATOBÁ/RJ ( Movimento de Emancipação Homossexual), fundado em 1985, realizou-se na sede da Bemfam ( Sociedade do Bem Estar Familiar) no Rio o III EBHO, estando presente 6 grupos: GRAB/Ce ( Grupo de Resistência Asa Branca), GGB, Comunidade Pacifista Tunker/Go, Movimento Antônio Peixoto/Pe e o próprio ATOBÁ. A festa de abertura aconteceu na sede da Turma OK, constando no temário a discussão da conjuntura nacional particularmente
preocupante devido a expansão da Aids e o descaso do Governo, a questão da violência anti-homossexual, a formação de novos grupos, a discriminação das religiões contra homossexuais. "Vitória é o que define o III encontro, por ter reunido durante três dias o que há de mais representativo da comunidade homossexual brasileira" foi como avaliaram o encontro seus organizadores. Decidiu-se que o próximo encontro seria em Aracaju, no ano seguinte. Dirigiu o III EBHO o Presidente do ATOBÁ, Rodolfo Skarda, de saudosa memória.

IV EBHO Encontro Brasileiro de Homossexuais ( Aracaju, SE de 11 a 14/1 de 1990) - Fundado em 1981 por Wellington Andrade o Grupo Dialogay de Sergipe é depois do GGB o mais antigo grupo homossexual em funcionamento no país, pioneiro na prevenção da Aids em Sergipe e responsável por importantes vitórias em favor da cidadania dos gays e lésbicas: foi em Aracaju onde se inaugurou a primeira rua do mundo intitulada "28 de Junho" em homenagem ao Dia Internacional do Orgulho Gay. ( logo depois em Salvador, por iniciativa do militante Huides Cunha) E foi nesta cidade nordestina que se reuniram na sede da Ordem dos Advogados do Brasil OAB/SE os representantes de 6 grupos que participaram do IV EBHO: Dialogay, GGB, ATOBÁ/Rj, GRAB/Ce, Grupo Free de Teresina e NIES ( Núcleo Interdisciplinar de Estudos da Sexualidade), sendo desta entidade dois conferencistas, que falaram sobre o polêmico conceito da promiscuidade e sobre a prostituição dos travestis. O encontro foi aberto com um
coquetel no Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Sergipe, constando na programação do evento uma passeata pelas ruas que contou com a participação de representantes de outros movimentos sociais. Entre os temas discutidos, destacam-se: a campanha nacional de prevenção da Aids, denúncia dos assassinatos praticados contra homossexuais, formação de um Conselho Brasileiro de Entidades Organizadas de Homossexuais". A imprensa local noticiou fartamente o evento.

V EBHO Encontro Brasileiro de Homossexuais (Recife, Pe, 7 a 13/1 de 1991) - Foi o encontro mais prolongado, uma semana!! – constando de duas partes: um pré-encontro onde foram proferidas 8 conferências ( teoria sobre homossexualidade, religião e repressão à sexualidade) e o encontro propriamente dito com duração de 3 dias completos. Este conclave realizou-se na sede da Sociedade de Medicina de Pernambuco, tendo como organizador Antônio Peixoto, fundador do MAP, destinado a prevenção da Aids e auxílio aos soropositivos. Estiveram presentes:Dialogay, GGB, ATOBÁ, Um Outro Olhar/SP e os futuros fundadores do Grupo Dignidade do Paraná, Toni Reis e David Haarrad, que vieram especialmente de Londres para o encontro, produziram as atas, distribuindo o relatório final para os grupos gays nacionais e internacionais. Discutiram-se os temas: fortalecimento do MHB e formação de novos grupos, a realização de eventos regionais para atingir o gueto e maior participação na luta contra a Aids. Foi o encontro campeão de cartas e moções de apoio e repúdio, sendo aprovadas 20 no total. Estiveram presentes alguns gays e lésbicas de estados vizinhos, como Paraíba, e Rio Grande do Norte, aos quais estimulou-se a fundação de grupos locais.
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terça-feira, 24 de julho de 2012

A repressão policial e a Democracia Brasileira andam juntas! (Espaço Socialista)


Reproduzimos a declaração do Espaço Socialista,com a qual temos total acordo.


A repressão policial e a Democracia Brasileira andam juntas!

24 jul 2012


 

Por uma denúncia anti-capitalista da Repressão!

“Eles querem ‘limpar’, sumir com o problema, e não resolver” (Mano Brown)


...Contextualizando...

O Brasil passa já há algum tempo por uma crescente da violência em todos os níveis, seja por parte da polícia, pelo crime organizado ou mesmo por parte da imprensa.

A explicação de um processo como esse passa pela elucidação de variados fatores políticos, econômicos e culturais. Primeiramente, para que tudo isso venha a ficar minimamente claro, tem-se de ter em vista que a onda de violência pela qual passa a sociedade brasileira tem raízes já bastante longínquas; tanto que, se fizéssemos uma análise extremamente minuciosa, chegaríamos a características comuns entre a atualidade e a sociedade escravista brasileira. Entretanto, é suficiente para o objetivo deste Chamado destacar o contexto histórico pelo qual passa o Brasil neste período de “re-democratização” da sociedade brasileira.

O problema da repressão no Brasil tem como causa mais profunda o enfrentamento, pelo Estado capitalista, de efeitos derivados do funcionamento do próprio capitalismo. A título de exemplo, chamamos a atenção para alguns problemas: espaço urbano caótico, falta de moradia, falta de reforma agrária, insuficiência da locomoção no espaço, desemprego, aumento da exploração e precarização das relações de trabalho (levando a verdadeiras máfias de crime organizado), corrupção que favorece e cria o crime organizado etc..
Estes problemas, longe de serem algo momentâneo e casual, são estruturais e representam uma contradição criada pelo próprio capitalismo: o capitalismo cria a promessa de todos terem acesso a condições dignas de vida por meio do dinheiro; ao mesmo tempo, o mesmo capitalismo impossibilita tal realização, vez que é próprio também deste sistema social realizar uma permanente exclusão daqueles que são "derrotados" no mercado.

No caso do Brasil, o desenvolvimento do modelo neoliberal aqui instalado a partir da década de 90 trouxe consigo a potencialização dos problemas que já vivia a sociedade brasileira na ditadura militar, aprofundando, pois, todos os problemas acima mencionados. Diante desses problemas, o que se fez para enfrentá-los, até hoje, foi: a) intensificar todo o espetáculo midiático da violência, o que gera um temor social generalizado ao mesmo tempo em que cria uma naturalização da barbárie, apontando para a solução de sempre ser necessária uma dose a mais de repressão; b) aumentou-se a repressão jurídico-policial, sob a alegação de proteger as “pessoas de bem”, criminalizando, ao mesmo tempo, os movimentos de contestação de tal ordem social. Não é demais ressaltar: tudo foi feito no mesmo período da dita consolidação da ordem democrática brasileira!

Com a espetacularização da violência e o aumento da repressão jurídico-policial, as arbitrariedades e desmandos das instituições brasileiras em geral (inclusive as policiais) se intensificaram, obedecendo, obviamente, a uma lógica classista (em especial, a uma lógica classista de viés racista). Esta ofensiva repressiva atinge os trabalhadores em todos seus aspectos de vida, não somente nos locais de trabalho, mas também no dia-a-dia dos bairros periféricos, como podemos ver com clareza na onda de assassinatos que varreu a grande São Paulo em que nos últimos 15 dias do mês de junho foram assassinadas 127 pessoas.

No interior deste processo, a repressão jurídico-policial, utilizada também para reprimir todo movimento de contestação, só confirma sua função de manutenção da ordem: por um lado, aumenta a violência jurídico-policial sob o manto de uma pretensa “Segurança Pública”; por outro, intensifica a mesma repressão contra aqueles que pretendem atacar as reais causas dos problemas. No final das contas, ao se construir a tal da segurança pública por meios quase que exclusivamente policiais, o que se construiu foi um fortalecimento do aparato repressor que lembra muito pouco os sonhos de um Estado Democrático de Direito.

Nesse sentido, a democracia brasileira que se instala, no mínimo desde o início da década de 90, é um regime que casa autoritarismo com uma fachada democrática. Dado o caráter permanentemente instável das instituições “democráticas”, a violência estatal encontra solo fértil para crescer, fechando o circuito de um controle social extremamente eficaz, necessário a tão aclamada sexta maior economia do mundo! Para que se desenvolva o alardeado crescimento econômico brasileiro, temos a intensificação das mais diversas formas de exploração sobre o trabalho, manifestas cotidianamente de norte a sul do país, de modo que as variadas formas de contestações a esta exploração são brutalmente reprimidas e enquadradas “nos termos lei”: tudo vai progressivamente se tornando caso de polícia!

Quanto ao âmbito da política institucional desse período de re-democratização, devemos ter clareza de que, por trás da disputa nacional entre PT e PSDB, há um acordo maior pelo qual não hesitam, cada qual a seu modo, a tomar medidas tais como: a chamada higienização social, a repressão aos movimentos sociais, a transferência de comunidades a sua revelia e a criação das melhores condições jurídicas ao capital. A diferença entre eles é de formas e de ritmos, com o PSDB agindo de forma mais direta e o PT de forma mais disfarçada (este último se utilizando também do seu peso nas organizações para segurar os movimentos).

A estratégia conjunta vai no sentido de difamar, condenar e militarizar a repressão aos movimentos, com o uso muito mais pronunciado da violência não apenas contra um ou outro ativista, mas contra os movimentos como um todo. Trata-se de um endurecimento do regime democrático-burguês e não apenas da política deste ou daquele governo.


...a Esquerda está preparada para enfrentar a repressão?

Em meio a esse conjunto de contradições, não deixaram de ser deflagradas lutas e manifestações dos trabalhadores e dos movimentos sociais em geral; seja por meio das lutas nas empresas, perante às instituições públicas, nos bairros mais pauperizados, entre outros.

Nesse contexto, passados mais de 20 anos de democracia burguesa, houve uma adaptação de amplos setores da esquerda, que renovaram a confiança nas ilusões institucionais. Isso tudo está mudando rapidamente, revelando os limites dessa atuação perante os novos desafios.

Mais do que nunca, o desafio colocado é justamente o de denúncia e prevenção dos trabalhadores a respeito do papel e dos interesses que movem as instituições e o regime como um todo, chamando os trabalhadores a ficarem em estado de alerta e só confiarem em sua própria luta e organização.

A utilização da justiça e das liberdades democráticas mínimas concedidas obrigatoriamente pelo regime deve ser feita com o máximo de cuidado, pois na defesa de seus interesses o sistema não hesita em passar por cima de qualquer norma. Além do massacre do Pinheirinho, outro exemplo disso, dentre muitos outros, são os ataques que diversas comunidades têm sofrido em decorrência dos “megaeventos” (copa e olimpíadas): as “remoções sumárias” em curso, além de representarem um dos maiores processos de despejo e remoção da história do país, passam bem ao largo do cumprimento dos trâmites jurídicos, o que só atesta os limites da democracia burguesa.

Diante dessa nova situação e considerando que as organizações de luta dos trabalhadores precisam se colocar para além das demandas imediatas e parciais (organizando-se, inclusive, para além dos locais de trabalho); considerando que é necessário assumir o desafio de disputar a consciência dos trabalhadores para outro projeto de país e de sociedade...

... fazemos um Chamado aos que lutam por uma sociedade alternativa ao capitalismo para que realizemos uma campanha de longa duração contra a repressão estatal, fazendo seminários e plenárias em sindicatos, universidades, acampamentos, ocupações etc.; colocando como ponto de pauta a ser debatido em todos os fóruns de luta e a partir da particularidade de cada luta e de cada lugar; elaborando vídeos e textos; debatendo com a população trabalhadora e oprimida da cidade e do campo; realizando atos; mobilizando-nos e enfrentando todas as formas de injustiças que dia a dia é submetida a população trabalhadora e oprimida.

À luta!

Espaço Socialista, Julho de 2012
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Nota sobre a saída do MTST da CSP-Conlutas


Reproduzimos a declaração do Espaço Socialista, com a qual concordamos.

Nota sobre a saída do MTST da CSP-Conlutas

24 jul 2012


Desde o início da construção da Conlutas o Espaço Socialista tem acompanhado as dificuldades e as debilidades da Central em unir a luta sindical e popular. Foi acreditando nessa possibilidade e necessidade de superação dessas dificuldades que apoiamos a chegada do MTST à CSP-Conlutas.

Observamos que durante todo esse período pouca informação tínhamos, na imprensa da Central, sobre o movimento popular no Brasil e suas lutas localizadas, com exceção do Pinheirinho em SJC/SP.

Não acompanhamos na Central nenhuma campanha sistemática, estendida às lutas mais imediatas, sobre a questão da moradia e de denúncia dos programas habitacionais dos governos federal, estaduais e municipais, que jogam para as periferias mais distantes o trabalhador com baixa renda e deixam sem moradia o trabalhador precarizado ou desempregado.

A nossa insistência em discutirmos o agravamento da crise mundial e seu desenvolvimento e aprofundamento no Brasil, entendida como uma crise estrutural do capital, que intensifica a retirada de direitos da classe trabalhadora e promove um nível ainda mais elevado de pauperização e miséria, tem sido para demonstrar o quanto precisamos fortalecer os movimentos de trabalhadores e a unidade da classe.

Já não mais podemos travar lutas isoladas; o trabalhador precisa reaprender a lutar pelas necessidades do outro trabalhador. Não podemos mais lutar somente por aumento salarial. Temos que lutar por emprego, por novos postos de trabalho, por condições dignas de trabalho, por moradia, contra o alto custo de vida, por Educação e Saúde de qualidade para a classe trabalhadora. Mas, essas lutas precisam ser interligadas, apoiadas e unificadas efetivamente pela Central. A consciência de unidade da classe precisa ser construída na prática cotidiana e em todos os meios militantes.

Buscando desenvolver essa prática, o Espaço Socialista passou a acompanhar de perto, a partir de Santo André no ABC paulista, desde o início de março de 2012, a luta do MTST, com os Novos Pinheirinhos, no movimento por moradia e nas estruturas da CSP-Conlutas.

Essa Ocupação representa a maior luta popular, na região, desde 2003, ocasião da Ocupação Santo Dias em São Bernardo do Campo. No entanto, o que estamos presenciando, nesse caso, é uma forte ausência política da CSP-Conlutas. Isso se concretiza desde a não visibilidade às Ocupações na imprensa da Central, passando pela não presença efetiva nas mobilizações, chegando ao fato de a corrente majoritária encabeçada pelo PSTU retirar-se do Comitê de Apoio e Solidariedade à Ocupação.

Diante de toda essa situação e a partir dos motivos apresentados pelo MTST na Carta de Saída da CSP-Conlutas, entendemos que a CSP-Conlutas, ao adotar a política e os métodos da direção majoritária de construção do partido em detrimento da construção e fortalecimento de uma central sindical e popular, continua enfraquecendo a luta e a unidade dos trabalhadores. Sabemos que não existe construção de nenhum movimento sindical e popular forte e realmente de esquerda sem a participação efetiva de trabalhadores organizados e em unidade.

A CSP-Conlutas não pode estar a serviço da construção de um movimento em específico ou de qualquer que seja o partido, mas sim dos movimentos e organizações dos trabalhadores em geral. Fortalecer a Central é fortalecer cada uma das organizações e dos movimentos da esquerda antigovernista, anticapitalista e que organiza a luta da classe trabalhadora! A instrumentalização da Central por uma organização ou movimento leva a rachas e à perda da unidade, tal como se viu desde o Conclat e, agora, com a saída do MTST.

Por outro lado, não manifestamos nosso apoio à decisão do MTST de romper com a Central; inclusive, sem antes abrir essa discussão com as entidades e organizações que compõem a CSP-Conlutas. Todas e todos os militantes que, no seu dia a dia, constroem a Central e lutam para que seja sindical e popular mereciam e necessitavam participar desse debate para compreender e contribuir com esse processo que vem se desenvolvendo com o PSTU e com a CSP-Conlutas.

O Espaço Socialista permanecerá no apoio à luta por moradia, continuará impulsionando o Comitê de Apoio e Solidariedade à Ocupação Novo Pinheirinho em Santo André e insistirá em fortalecer a CSP-Conlutas, pois acreditamos que somente a luta e a unidade da classe impedirão processos de desagregação impostos por discussões realizadas pelas direções dos movimentos sem o envolvimento de suas respectivas bases.

Espaço Socialista, Julho 2012.
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domingo, 22 de julho de 2012

Greve estudantil - Juventude em Luta


Para fortalecer a nossa greve!!


A Juventude em Luta é um novo movimento que surgiu nesse momento de luta grevista nas universidades. Somos um grupo de estudantes e trabalhadores que entendem a necessidade de se organizar tanto nas greves, quanto em outros momentos. A nossa luta é sempre agora.
Estamos chegando quase em 2 meses de greve. E os professores em greve em mais de 50 universidades não conseguiram sequer uma reunião com o governo. Os estudantes em greve em mais de 30 universidades, nem sequer são vistos pelo Governo ou pela mídia com suas reivindicações.
A postura do Estado, em qualquer lugar, em qualquer assunto que interessa a maioria do povo é muito clara: descaso total, empurrar com a barriga. Enquanto Dilma e Globo enchem o peito para falar “Viramos a sexta economia do mundo”, a educação e a saúde continuam às moscas, piorando e piorando cada vez mais. 
Como pode o Brasil crescer gradativamente, e os serviços mais básicos ficarem cada vez piores? É tudo simplesmente uma questão de prioridades. E a prioridade do Governo nunca foi o bem estar da maioria da população, mas sim de enriquecer e sair em socorro de uma minoria de empresários e banqueiros, principalmente nos tempos de crise econômica. Mesmo que para isso precise cortar verba atrás de verba desses serviços, como vem acontecendo desde 2008, ou privatizar hospitais universitários, com o projeto cara de pau da EBSERH, ou ainda mandar cortar os pontos dos grevistas, como aconteceu semana passada.
Devemos estar conscientes que para conquistar nossos direitos temos de lutar para aumentar cada vez mais nossa greve, e não ficar esperando cair do céu um ato de bondade desse Governo safado. Portanto, como estudantes que lutam por seus direitos, não podemos deixar de denunciar o papel da direção majoritária da UNE, que desde que o PT assumiu o governo, ao invés de liderar os estudantes nas suas lutas, não tem feito nada a não ser destruir o movimento estudantil em prol da política do governo.
Porém vemos nessa greve histórica da educação, pela primeira vez em muito tempo, a constituição de um comando de greve, que é eleito, desde as assembleias de base nas universidades, para dirigir a luta pelas demandas históricas estudantis.

Infelizmente, um evento tão progressivo que poderia dar frutos, que não mais se viam nascer no movimento estudantil nos últimos anos, tem sido usado pelas correntes de maior peso presentes no movimento para reproduzir a lógica de burocratizar qualquer espaço de discussão de base. Dentre elas estão principalmente o PSTU e sua entidade particular, a ANEL; e algumas correntes eleitoreiras do PSOL, e é claro, os pelegos, representados pela direção majoritária da UNE, representada pela UJS (Juventude do PCdoB) e pela juventude do PT.
Desde o início da mobilização grevista, assistimos às dificuldades de organizar a luta real do movimento. Vimos a transformação de uma assembleia da UFRJ em palanque de briga entre UNE e ANEL, e a repetição disso na primeira reunião do comando nacional de greve estudantil realizado no Rio de Janeiro. Assistimos à passagem de rodo dos representantes dessas correntes nas mesas, impedirem estudantes independentes e de coletivos menores de incorporarem propostas de reivindicações e até mesmo de falarem.
Entendemos que tudo isso são sinais de alerta para os estudantes que estão realmente interessados em mais coisas, além de briga de aparatos e discussões superficiais. Que estão interessados em se organizar e lutar por seus direitos. Em discussão política de verdade e não só servir de legitimador de práticas burocráticas que só servem para engessar o movimento.
Por isso, nós da Juventude em Luta, fazemos um chamado a todos aqueles estudantes independentes ou de outros coletivos, que venham construir conosco um movimento estudantil consciente e combativo.
E para começar, achamos importante defender nesse processo grevista de luta:

- Passe livre, xerox, livros, bandejão, creche e moradia gratuitos em todos os campi. Mais bolsas de assistência estudantil de acordo com a demanda dos estudantes.
- Discussão urgente sobre a necessidade e a capacidade do fim do vestibular.
- Pelo fim da terceirização já! Pela contratação imediata dos trabalhadores terceirizados.
- Debate e ações contra o machismo, o racismo e a homofobia.
- Contra as privatizações dos hospitais! Fora EBSERH!
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sábado, 21 de julho de 2012

Declaração dos companheiros do Maranhão que romperam com o PSTU



Nós publicamos aqui a carta dos companheiros que fizeram parte do CAC (Coletivo de Ação Comunista), um grupo dentro do PSOL. Eles entraram no PSOL, mas saíram em 2011, para entrar no PSTU. Agora, com a aliança do PSTU com o PSOL e o PCdoB para a candidatura de Edmilson Rodrigues à prefeitura de Belém, eles viram o mesmo oportunismo parlamentar que existe no PSOL dentro do PSTU. 


Nosso objetivo divulgando a carta dos companheiros vai além do valor do documento, que mostra até onde vai a adaptação do PSTU à democracia burguesa. Nós queremos discutir com os companheiros do ex-CAC sobre os caminhos para a construção de um verdadeiro partido revolucionário no Brasil, onde o centralismo democrático não seja somente uma expressão bonite, e exista ampla liberdade de discussão e formação de tendências dentro de um partido centralizado.


Sobre o assunto específico da aliança com o PCdoB, nós logicamente achamos que isso é um vale-tudo oportunista. Mas discordamos de companheiros como os da LER e do Espaço Socialista, que veem a aliança com o PCdoB como a expressão principal do oportunismo parlamentar no PSTU. 

Ela é, sim, a expressão mais extrema, mas temos que lembrar que, em grande parte das cidades, o PSTU vai coligar com o PSOL com um programa tão ou mais rebaixado quando o da coligação em Belém. Mesmo sem o PCdoB, seria muito oportunismo apoiar o Edmilson Rodrigues, da direita do PSOL (APS), que fez duas gestões na prefeitura da cidade, nunca usando o seu cargo para avançar uma luta frontal contra a burguesia, e sim administrando o governo dentro da lógica do "modo petista de governar". 

De forma alguma apoiar Edmilson seria uma forma de desmascarar um candidato reformista, como o PSTU costuma dizer sobre as suas alianças com o PSOL. O povo de Belém já viu por oito anos como a sua prefeitura "bem-comportada" não vai oferecer o menor perigo para a burguesia e nem entrar em luta pelas reivindicações dos trabalhadores.  




Quanto custa um vereador para um partido “revolucionário”?


Tentando eleger parlamentar, PSTU coliga com o PC do B.


"Hegel observa em uma de suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”. Karl Marx.





Maio e Junho de 2012. Farsa e Tragédia no interior da cortina de fumaça do Centralismo Democrático sem democracia e respeito às bases, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), aprovou a realização de uma aliança eleitoreira na cidade de Belém (PA), sob a liderança do ex-prefeito petista Edmilson Rodrigues (PSOL) incluindo o PCB e o PC do B, que emplacou o vice de tal aliança e que, segundo o PSTU, estava consoante às determinações centrais do partido no que diz respeito à preparação de uma política prioritária e urgente para as eleições municipais de 2012, apresentando como objetivo primordial, a conquista de uma cadeira na Câmara de Vereadores de Belém, através da militância sindical do setor da construção civil na cidade, hegemonizada pelo partido e representada pelo dirigente sindical e partidário, Cléber Rabelo. 
Essa estranha aliança mexeu com uma significativa parcela dos membros do PSTU por todo o país, principalmente a seção regional do Maranhão, na medida em que formalizou um recurso contra a decisão antidemocrática e equivocada da direção nacional do PSTU no dia 11 de julho. Apesar de todos os argumentos, o “centralismo democrático” operou no sentido de cristalizar uma posição unilateral, negando a revogação pretendida pelos militantes maranhenses. O pior de tudo isso é que a direção partidária considerou que não poderia voltar atrás da aliança, pois esse gesto seria visto pelo conjunto do partido como uma desmoralização da “instância superior”. Na realidade, essa decisão antidemocrática representa mais um capítulo da velha política do fato consumado, posto que a direção partidária em momento algum fez a sua autocrítica, apresentando apenas uma caricatura desfocada da realidade do cotidiano do partido como resultado de uma obediência cega no interior do partido oriunda de seus chefes. É preciso ainda demarcar e denunciar as tentativas fraudulentas de confundir a realidade histórica com passagens descontextualizadas para justificar o injustificável para um partido que se diz “revolucionário”: uma aliança contra os trabalhadores.
A direção nacional do PSTU escondeu em suas gavetas burocráticas o processo de construção dessa aliança eleitoreira com os defensores do latifúndio e do agronegócio e, em nenhum momento, respeitou o “centralismo democrático” e o que é pior, jogou no lixo princípios determinantes do partido na medida em que insistiu por uma tática que acabou fragilizando a política do partido numa espécie de adaptação e capitulação à democracia burguesa. Acrescente-se aqui o descumprimento das decisões do último congresso do PSTU no que diz respeito às possibilidades de alianças eleitorais em 2012, deferidas apenas no arco correspondido aos seguintes partidos: PSOL e PCB, nunca o PC do B. Numa tentativa desesperada, eleitoreira e de negação da própria trajetória política, o PSTU consagrou essa aliança com o PCdoB e ainda proclama tal partido como sendo de esquerda, quando na verdade, o PC do B tornou-se apenas um partido escroque da burguesia e do grande capital.
Isto nos causa espanto. E diante disso perguntamos: a direção do partido estaria sofrendo de uma espécie de amnésia política?


Para “refrescar” a memória dos dirigentes do PSTU, é possível relembrar alguns atos do PC do B ao longo da história:
  • Numa articulação traiçoeira, utilizando métodos espúrios, tomou o SINDMETAL e promoveu a demissão dos dirigentes da época;
  • No primeiro governo de Roseana Sarney, no controle do ITERMA, expulsou os camponeses em favor dos grandes latifúndios e do agronegócio;
  • Dirigindo o SINPROESEMMA, sempre tomou postura contra os professores, em cumplicidade com os governos sarneistas;
  • No comando da UNE, dirigentes respondem a processo por desvio de verbas públicas de convênios com a entidade estudantil nacional;
  • Na relatoria sobre o código florestal, no CONGRESSO NACIONAL, defendeu os interesses do agronegócio em detrimento da preservação do meio-ambiente; e
  • É um dos principais protagonistas dos recorrentes escândalos de CORRUPÇÃO dos governos de Lula e Dilma.
Se a amnésia ainda permanecer, no período pós-eleitoral, a mesma direção partidária estará curada?


Neste episódio, o PSTU adotou uma atitude escorregadia no que se refere à responsabilização do PSOL pela aliança com o PC do B, quando, na verdade, trata-se de uma vacilação da direção partidária e falta de coragem em assumir suas próprias responsabilidades pela condução do partido. Não é de hoje que a criação do PSOL tem sido uma tensão política permanente para os planos do PSTU no âmago de sua inserção na seara eleitoreira neste pleito eleitoral de 2012, sem descartar novas incursões em pleitos futuros, mesmo se levarmos em conta o lero-lero de que a participação no processo eleitoral é benéfica na medida em que o partido denuncia a própria democracia burguesa, faz propaganda e capta novos militantes segundo o protótipo da aliança belenense e seus “futuros revolucionários, localizados no setor da construção civil em Belém onde o PSTU e o PC do B travam uma acirrada disputa pelo controle do aparelho do sindicato da categoria e etc. É bom lembrarmos que nesta aliança pragmática, tanto o PSOL quanto o PC do B utilizarão os recursos do grande capital para beneficiar eleitoralmente todos os membros dessa aliança, inclusive o candidato a vereador do PSTU.
A afobação eleitoreira do PSTU em obter uma vaga no parlamento municipal de Belém, a qualquer preço, tem a ver com as tentativas anteriores no campo eleitoral e, ao mesmo tempo, uma grande confusão entre o caráter constitutivo do partido como revolucionário e o partido institucional e eleitoralista, que vem se transformando, a exemplo da aliança avalizada pela direção nacional.


-Do CAC ao PSTU-


A aliança em Belém com o PC do B deve ser vista como um erro histórico. Este erro pode ser até compreensível para os fundadores do PSTU, mas, para os militantes do Coletivo Ação Comunista – CAC, que entraram no PSTU em 2011 a capitulação ao projeto eleitoral do PSOL e PC do B, evidencia o início de um processo de degeneração  do PSTU. Trata-se da permissão para praticar um ERRO recente e muito conhecido pela militância da esquerda combativa e revolucionária: tentar reverter por dentro, vide as experiências do PT, PC do B, PSOL e PCB.


A trajetória dos ex-integrantes do CAC deu-se no contexto da criação do PSOL em 2004, surgido do convergir de expulsões de parlamentares do PT que eram contra as iniciativas do governo Lula, maléficas à classe trabalhadora. Nesse período, a maioria da direção Estadual do Maranhão (independentes) conseguiu blindar o partido das atitudes eleitoreiras que a direção nacional passou a ratificar, a partir de 2008. Como exemplos: dinheiro da Gerdau para campanha da ex-deputada federal Luciana Genro (RS) e a entrada de pessoas não-alinhadas a um programa revolucionário e com venerações ao petismo. Entretanto, depois de o PSOL nacionalmente determinar suas táticas falseadas, os integrantes do CAC resolveram deixar o partido e, após meses de diálogos, ingressaram no PSTU, acreditando ter o ambiente adequado para a concretização de um verdadeiro projeto revolucionário. Após oito meses de coabitação, reivindicamos esse projeto revolucionário, mas não nos foi permitido. 
-Do PSTU à luta social e à Revolução-


Nós, ex-integrantes do CAC, dissidentes do PSTU, formaremos um novo coletivo que vai atuar nos movimentos sociais (juventude, mulheres, homossexuais, idosos, etnias, etc.) e revolucionários, contribuindo com o pensamento crítico, formação e incondicional articulação das lutas da classe trabalhadora
Vamos ao debate, construir a história.
São Luis (MA), 17 de julho de 2012

Antonísio Furtado
Professor da Rede Estadual e Municipal de São Luis. Liderança do Movimento de Resistência dos professores – MRP. Dirigente da Associação dos Profissionais da Educação do Maranhão – ASPEMA
Paulo RiosProfessor Universitário, pesquisador e servidor do TRT. Dirigente do Sintrajufe/MA
Rezzo JuniorProfessor da Rede Estadual.  Liderança do Movimento de Resistência dos Professores – MRP. Dirigente da Associação dos Profissionais da Educação do Maranhão – ASPEMA
Rogério CostaRadialista. Professor Universitário, pesquisador. Dirigente do Núcleo Artístico-Cultural da Cidade Operária – NACCO e Coordenação Nacional da Rede Musicom.
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