QUEM SOMOS NÓS

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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Anatomia da Microsseita (Hal Draper)


Contribuição individual sobre as questões envolvidas na crise e dissolução do Coletivo Lênin

Tradução de Rodrigo Silva


Anatomia da Microsseita (1973)

Documento não publicado circulado privadamente em 1973

O subtítulo original era: Uma Posição do Comitê Socialista Independente. Não era uma organização, e sim uma agência de formação e edição.

Na sua forma original, a primeira página tinha uma longa nota de rodapé explicando o uso do termo “seita” no artigo. É melhor apresentá-la aqui, como uma introdução ao ensaio:


Introdução

Existe um problema terminológico. “Seita” é geralmente usada como xingamento para um grupo de que alguém não gosta. “Movimento” geralmente é usado para descrever algo que não existe de forma organizada, por exemplo, quando “movimento socialista americano” é usado como abreviação para os elementos socialistas dispersos que geralmente nem se “movem”. Nós usaremos esses termos com significados mais precisos. Uma seita se apresenta como a materialização do movimento socialista, mesmo que seja uma organização com fronteiras estabelecidas mais ou menos rigidamente através do seu programa político, e não em relação às lutas sociais. Em contraste, um partido operário não é simplesmente uma organização eleitoral e sim, participe ou não das eleições, uma organização que realmente é o braço político de setores decisivos da classe trabalhadora, que reflete (ou refrata)a classe operária em movimento como ela é. Um “movimento socialista” resume as manifestações de massa de uma classe operária socialista em vários campos. Não só o político, geralmente em torno de um partido socialista de massas. Para o objetivo atual, a distinção importante é entre a forma de organização sectária e uma forma de organização comum em outros países mas que ainda não existe nesse país atrasado.

Essa abordagem é básica para o artigo, porque ele lida essencialmente com a seguinte questão: existe uma alternativa ao modo de organização sectário que domina toda a história do socialismo americano, no passado e no presente?

H.D.


Sobre o caminho para um movimento socialista americano

Já que existem socialistas nos EUA, mas não existe movimento socialista, é compreensível que os socialistas digam “vamos formar um movimento socialista”. Todas as considerações levam a esse passo óbvio, e não existem argumentos contrários, apenas um. É o fato – fato histórico 0 de que ninguém pode decidir “fazer” uma revolução. Qualquer coisa que for formada pela vontade se tornará uma seita junto a outras seitas, mesmo se for um tipo melhor de seita que acredita que não tem que ser sectária.

Vamos deixar claro que não temos a resposta para a pergunta de um milhão, ou seja, uma fórmula ou esquema que, se for seguido, vai infalivelmente produzir um partido ou movimento. Nós todos vamos ter que tatear por algum tempo. Mas temos concepções sobre a direção em que tatear, e sobre os critérios para decidir que acontecimentos causam esperança ou preocupação.


1. O caminho à frente

Um movimento socialista vai se tornar possível nesse país, como aconteceu em outros, conforme as suas bases amadurecerem por causa das condições sociopolíticas. Entretanto, se ele não pode ser criado simplesmente através de um esforço da vontade, também é historicamente verdade que não se trata simplesmente de geração espontânea. Quando as bases de um movimento socialista amadurecerem, será difícil ele existir, a não ser que o movimento nascente se cristalize com a ajuda de elementos socialistas ativos. Cada movimento socialista foi o resultado da fusão entre espontaneidade e direção, de elementos desenvolvidos naturalmente e de organização consciente.

Isso significa que, para nós, socialistas americanos hoje que buscam construir um verdadeiro movimento socialista, existe um curso de ação que podemos tomar para avançar para esse objetivo e aproximar-nos dele, que vai fertilizar o chão em que ele vai surgir, que vai facilitar que os seus elementos amadureçam. A alternativa à criação por fiat não é esperar passivamente que ele surja sem a intervenção das mãos humanas.

Segue-se disso que o curso adotado agora pelos socialistas americanos também pode ter o efeito oposto: de apagar as predisposições para um movimento verdadeiro; de esterilizar o chão em que as sementes do movimento podem germinar, de dificultar que os trabalhadores encontrem o caminho para um movimento socialista em construção.

Infelizmente, é esse segundo curso o que hoje é dominante entre as seitas, grupelhos e microsseitas do que passa hoje por ser o socialismo americano. A forma sectária do grupamento socialista americano hoje é um obstáculo no caminho; as noções sectárias dominantes neste grupamento constituem um veneno que pode imobilizar a abortar um movimento socialista, mesmo se ele começar.


2. Fragmentação

O socialismo americano hoje chegou num novo ponto baixo em termos de fragmentação sectária. Existem mais seitas rodando nesse momento do que todas as que já existiram em todos os períodos anteriores desse país juntos. E os fragmentos ainda estão rachando, até o nível submicroscópico. Politicamente, o padrão caiu do nível de ópera cômica para o de história em quadrinhos. Enquanto as seitas esotéricas (geralmente rachas trotskistas) dos anos 1930 tendiam a um tipo de supersofisticação no marxismo e futilidade na prática, existe um monte de grupelhos hoje (geralmente castristas-maoístas) caracterizados por amnésia em relação à tradição marxista, ignorância da experiência socialista e primitivismo extremo. O caminho para um movimento socialista americano certamente está sob os escombros, ou em torno dos pedaços pútridos dessa selva fétida de seitas.

Com certeza, reconhecemos que existem seitas e seitas: ainda temos entre nós algumas seitas e grupelhos do tipo “clássico”, ou seja, geralmente fúteis e fossilizadas, diferentes da nova safra de seitas neostalinistas (maoístas-castristas etc) que representam um perigo mais certo para qualquer desenvolvimento saudável do movimento operário. É característico das últimas que elas não querem um movimento de classe – não por causa de alguma concepção de organização, mas por causa das suas concepções políticas básicas. Assim como o seu “socialismo” é o domínio de um despotismo estatal sobre uma economia coletivizada burocraticamente, o seu caminho organizativo para o poder é a formação de uma elite de Líderes Máximos prontos para estabelecer o seu próprio domínio, num momento propício, de um levante elementar do povo. (Isso só é novo no sentido de ser uma regurgitação, em novas formas, do tipo mais antigo de movimento de esquerda, os círculos putschistas-jacobinos que predominavam antes da ascensão do marxismo).

Se essas seitas neostalinistas se “orientam” para a classe trabalhadora – ou para o lumpesinato, ou os negros, ou o “terceiro mundo” etc – é somente no sentido em que os homens numa comitiva se orientam para um rebanho de cavalos. Eles tornam claro que o conteúdo histórico do “maoísmo”, em suas diferentes variedades, é a concepção de uma revolução burocrática pelo alto feita por um bando de líderes autointitulados cavalgando e freando um movimento de classe; para tal fim, a classe mais apropriada é a que tem o mínimo de capacidade de iniciativa e autoorganização, como o campesinato. Esses elementos são – alguns por razão de classe, inimigos do socialismo democrático revolucionário.

Então, esses elementos também precisam da forma sectária de organização. Para eles, a seita não é uma infeliz necessidade devida à ausência de um movimento real: é o seu movimento. O tamanho minúsculo pode nem ser mesmo um problema: Fidel não “fez” a revolução só com um punhado de bons homens jovens?[1*] Quantos comissários são necessários para a Grande Marcha? Na verdade, isso é parte da dinâmica por trás da proliferação atual das seitas, já que elas não se inibem com o preconceito de que um “partido” precisa ter base.

3. A seita clássica

Quanto às seitas “clássicas” ainda operando: atualmente, elas se dividem mais ou menos entre as que vêm da tradição sectária trotskista e as que exemplificam o padrão socialdemocrata. (É certo que existe uma gradação dos grupelhos trotskistas, de um lado, até o tipo neostalinista, particularmente a seita grande chamada SWP [“Partido Socialista dos Trabalhadores], cuja política se moveu rapidamente desde a morte de Trotsky na direção da stalinização).

O que caracteriza a seita clássica foi melhor definido pelo próprio Marx: ela contrapõe o seu critério sectário de pontos programáticos ao movimento real dos trabalhadores na luta de classes, que pode não estar à altura das suas demandas elevadas. O critério de apoio (“point d’honneur,” nas palavras de Marx) é a conformidade com os shibboleths da seita – quaisquer que sejam, incluindo pontos programáticos em si mesmos bons. A abordagem apontada por Marx era diferente: sem minimamente abandonar ou esconder o próprio programa, o verdadeiro marxista olha para as linhas de luta calculadas para mover setores de classe decisivos – em movimento contra os poderes estabelecidos do sistema (o Estado, a burguesia e seus agentes, incluindo os seus lugar-tenentes dentro do movimento operário). E, para Marx, é essa realidade de colisão social (de classe) que vai trabalhar para elevar a consciência de classe até o nível do programa do movimento socialista.

Mover um setor de classe em ação contra os poderes estabelecidos só um passo é mais importante que “mil programas”, como Marx e Engels costumavam afirmar, e não faz sentido denunciá-los por rebaixarem o programa. Para a mente sectária, a abordagem deles é completamente incompreensível. Por mais de um século vimos os dois critérios, e a diferença é tão gritante hoje como sempre foi. O teste mais importante sempre foi a relação entre os autoproclamados marxistas e a classe trabalhadora organizada no nível econômico elementar, ou seja, o movimento sindical. (O teste é ainda mais decisivo nos Estados Unidos onde, infelizmente, o movimento sindical é o único movimento de classe dos trabalhadores existente).


4. Seitas e Sindicatos

O socialista de seita [2*] sempre sentiu uma dor na alma diante de um movimento sindical que rejeita o socialismo; e a predominância da vida sectária na história do socialismo foi acompanhada pela predominância de uma hostilidade ultraesquerdista ao sindicalismo como tal.

Marx e Engels constituíram a primeira escola socialista a ter a posição de apoiar o sindicalismo como tal (mesmo que criticassem algumas políticas, líderes etc, é claro). E, depois da sua época, a história socialista se divide principalmente entre os socialdemocratas que apoiaram o sindicalismo reformista precisamente porque eles mesmos eram reformistas, em vez de marxistas, e socialistas revolucionários autoproclamados que encontraram argumentos "revolucionários" para voltar à velha merda de antissindicalismo socialista – acrescentando retórica marxista para disfarçar a sua abordagem sectária. Muitos poucos assim chamados ou autoproclamados marxistas entenderam a essência da abordagem de Marx sobre o socialismo proletário: a estratégia básica para construir um movimento socialista consiste em fundir dois movimentos - o movimento de classe por esse ou aquele passo que coloca um setor decisivo da classe em colisão com os poderes estabelecidos do Estado e da burguesia, uma colisão em qualquer escala que for; e o trabalho de permear  esse movimento de classe com propaganda educativa pela revolução social, que integra os dois.

Se isso foi verdade nos melhores dias do movimento marxista, em maior ou menor extensão, assumiu formas grotescas no passado recente da esquerda americana, ou seja, durante os anos 1960, quando o impulso radical estava vindo temporariamente de setores não-operários (estudantes e alguns negros não enraizados na vida operária, por exemplo). [3*] A Nova Esquerda estudantil geralmente engolia a imagem da classe operária criada pela lavagem cerebral sociológica da academia: “Big Labor” junto com o Big Business etc, identificação do sindicalismo com George Meany ou Hoffa, igualação implícita do movimento sindical com a sua burocracia, dos trabalhadores organizados como uma “classe média” ipso facto e parte do Establishment, e o resto do lixo ideológico dos moinhos mentais antioperários do verdadeiro Establishment.

Mesmo entre esses elementos da Nova Esquerda – os melhores – que se orientaram ao trabalho nas fábricas e plantas industriais (“ir ao povo”), a concepção dominante era de que os sindicatos como tais tinham que ser substituídos por formações mais “radicais” por local de trabalho que, de alguma forma, estariam fora da estrutura sindical sem serem sindicatos paralelos. Essas concepções ou ficavam no reino da fantasia, tornando impossível que os que acreditavam nelas se integrassem ao movimento real como sindicalistas, ou (pior) eram concretizadas destrutivamente em alguns lugares, prejudicando os trabalhadores e desacreditando os radicais. Em lugar nenhum o impulso da Nova Esquerda para as fábricas gerou um movimento de militantes mais ou menos bem enraizados no movimento sindical que pudesse realmente ser uma oposição à burocracia: essa é a sua condenação.

A abordagem sectária sobre o movimento de classe se mostrou de várias formas que precisam ser ilustradas. Aqui estão duas. 

Item 1. O estudante radical, com o coração cheio de simpatia pelos pobres trabalhadores, vê a luta dos trabalhadores agrícolas como uma que claramente merece o seu apoio. Tipicamente, ele não “vai ao povo” indo trabalhar nos campos como os outros trabalhadores; por que os seus talentos especiais deveriam ser enterrados com uma enxada? Ele vai trabalhar “para o sindicato”, ou seja, como o que o sindicato chama de estudante voluntário. Impressionado pelo seu próprio autosacrifício por um lado, pelo outro ele acha que o sindicato nem chega perto do seu ideal de como deveria ser a luta de classes. Logo, ele reclama que os estudantes voluntários “não tem voz” na política, ou seja, ele exige que os poderes de decisão sejam parcialmente tirados das mãos dos sindicalizados e vão para os visitantes de outras classes que resolveram doar o seu tempo. Ou, achando que a vida interna e a democracia do sindicato estão longe de ser satisfatórias, ele pode decidir que o sindicato não merece mesmo o seu apoio. Ele vai conceder a sua presença somente para lutas de classes com certificado de pureza que acontecem em outro plano planetário.

Item 2. O movimento sindical se atrasou muito em fazer oposição à guerra do Vietnã, como todos sabem, enquanto o sentimento antiguerra crescia nas universidades. Nos círculos estudantis, a pedra de toque programática da oposição completa à guerra veio a ser a palavra de ordem de retirada unilateral das tropas, que era muito bem justificada. Mas, finalmente, começaram a se desenvolver aqui e ali focos de oposição antiguerra no movimento sindical. Finalmente, uma parte dos dirigentes sindicais mais progressistas e conscientes socialmente tomaram coragem e fundaram a Assembleia Trabalhista pela Paz, debaixo de denúncias violentas da burocracia de Meany. Esses começos eram tímidos em muitos aspectos e, entre outras hesitações, declaravam oposição à guerra sem usar a palavra de ordem de retirada unilateral das tropas. Não conhecemos exemplo mais flagrante de mentalidade de seita do que a atitude de desprezo tomada pela Nova Esquerda diante desse começo de uma oposição antiguerra no movimento operário. Mesmo na área da Baía de São Francisco, que tinha a regional mais militante e aberta da Assembleia Trabalhista pela Paz, e onde os líderes do grupo, senão o grupo inteiro, falavam abertamente em retirada unilateral, nenhum um só militante da Nova Esquerda se convenceu a corromper a sua alma tendo alguma coisa a ver com um grupo tão atrasado, que nem mesmo defendia o programa de retirada unilateral. O fato de que esse movimento representava os primeiros passos de um setor importante dos sindicatos se movendo em colisão com os poderes estabelecidos – esse fato não significava nada para os sectários. A única consideração que eles entendiam era o seu shibboleth salvador da alma, que eles contrapunham ao início real do movimento de classe.


5. O atoleiro em que estamos

Esse é o caminho da seita. Como sair desse beco sem saída? Existem duas noções que tentam remediar os males do sectarismo ampliando a seita. A intenção é boa, o remédio não funciona.

Uma é a proposta de abolir o sectarismo através do chamado pela unidade de todas as seitas. Isso também pode ser apresentado como um caminho para formar um “movimento” socialista. É uma ilusão piedosa. Na prática, isso significa ou uma série de negociações de unidade entre algumas seitas (uma perda de tempo coletiva), ou mesmo a unificação de duas (uma gota d'água no oceano). Mas a unificação real de todas as seitas é impossível, porque todos os shibboleths programáticos em que as seitas se baseiam são incompatíveis politicamente. O produto da unificação de seitas não é nada mais do que uma seita um pouco maior, enquanto não surgirem as condições para um verdadeiro movimento socialista. A ideia de de uma seita “inclusiva” é uma superstição.

Programas políticos incompatíveis podem permanecer juntos, pelo menos por um período histórico, dentro do quadro de um partido/movimento; porque o cimento que unifica uma formação assim é o seu próprio papel na luta de classes, o fato de que ele é a classe em movimento; o que mantém tendências políticas antagônicas no lugar é a pressão dos inimigos de classe por fora. Enquanto essa não for a situação real no movimento, nada mais pode ocupar o seu lugar, incluindo exortações contra o “sectarismo”.

A segunda proposta quer chegar ao mesmo resultado por um caminho diferente, a saber, lançando uma seita cujo ponto programático distintivo seja voluntariamente deixar de lado pontos programáticos distintivos. Isso será conseguido limitando o programa a alguma base mínima socialista (ou radical) com que “todo mundo” pode concordar, ou seja, uma declaração socialista abstrata. Se uma ala esquerda quiser empurrar o grupo para uma posição revolucionária, como “Nenhum apoio aos Democratas”, o mínimo explode; na prática, portanto, o programa deve ser reformista. O Partido Socialista tentou ser esse tipo de seita a maior parte do tempo desde que deixou de ser um movimento de massas; e mais recentemente, o Novo Movimento Americano tentou concretizar esse objetivo de uma forma ainda incerta.

Algumas vezes o objetivo é derivado por reminiscência do período histórico diferente (antes de 1917), quando o Partido Socialista era um cadinho de diferentes pontos de vista políticos que ainda não se entendia conscientemente que eram basicamente antagônicos e cujas consequências ainda não tinham sido entendidas. Mas não temos simplesmente como aprovar uma moção para voltar à era de Debs.

Enquanto a vida de uma organização (seja ou não rotulada como “partido”) for baseada realmente nas suas ideias políticas distintivas, em vez das lutas sociais reais em que ela estiver envolvida, não será possível suprimir o conflito de programas que exigem diferentes ações para apoiar diferentes forças. A questão chave se torna a conquista de uma base de massas, que não é simplesmente um problema numérico, e sim uma questão de representação de classe. Tendo uma base de massas na luta social, o partido não tem necessariamente que suprimir o desenvolvimento do conflito político, já que a força centrífuga dos desacordos políticos é contrabalançada pela pressão centrípeta da luta de classes. Sem uma base de massas, uma seita que se chama um partido não pode suprimir o efeito divisivo de diferenças fundamentais sobre (por exemplo) apoiar ou se opor aos partidos capitalistas no país, na forma dos Democratas liberais, ou apoiar ou se opor às manobras do mundo “comunista”.


6. E então?

Se o caminho das seitas é um beco sem saída, o que fazer então?

O caminho das seitas sempre foi um beco sem saída; ainda assim, movimentos socialistas vieram à existência.

Nunca houve um único caso de uma seita que se transformou, ou deu origem a um movimento socialista genuíno - pelo único processo que as seitas conhecem, o processo de acreção. A mentalidade de seita normalmente vê a estrada à frente como uma em que a seita (a própria seita) vai crescer e crescer, porque tem o Programa Político Correto, até que se torne um grande seita, em seguida, uma seita ainda maior, eventualmente, um pequeno partido de massas, então maior etc, até que se torne grande e massivo suficiente para impor-se como o partido da classe operária de fato. Mas, em duzentos anos de história socialista, isso nunca realmente aconteceu, apesar das inúmeras tentativas.

Isso não é prova de que nunca vai acontecer no futuro imprevisível. Mas é uma prova de que deve haver algum outro caminho para a formação de um movimento socialista genuíno que não é o caminho das seitas.

Esse caminho tem sido quase totalmente esquecido na “sectarização” geral dos círculos socialistas em nosso período. A menor familiaridade com visão do que é preciso para construir um movimento socialista segundo Marx é o suficiente para lembrar que Marx foi violentamente e incondicionalmente hostil a qualquer coisa parecida com uma seita. Não só ele nunca tentou organizar uma seita marxista, mas ele desprezou positivamente aqueles que o fizeram.

É menos facilmente entendido que Lênin nunca quis formar uma seita e nunca o fez, e que o partido bolchevique não era o resultado de uma formação de seita que cresceu por acreção. Quando Lênin saiu do exílio em 1900 e foi para o exterior começar a luta para permear os círculos socialistas existentes com as idéias do marxismo revolucionário, ele nunca pensou em criar um grupelho ideológica dele, uma seita, embora os socialistas russos no exílio já estivessem divididos em seitas (que já estavam rachando etc).

O que Lênin ajudou a lançar foi um centro político marxista de uma forma não-sectária, sob a forma de um periódico dirigido por um conselho editorial, Iskra.

O centro político se educava no marxismo revolucionário completo. Ao mesmo tempo, o partido / movimento que ele queria criar um partido socialista amplo, em que o centro revolucionário marxista constituiria uma tendência, esperando ser, eventualmente, dominante. Ambos os lados da imagem condiciom um ao outro: "Antes que possamos nos unir, a fim de que possamos nos unir, é preciso, antes de tudo, com firmeza, delimitar as linhas de demarcação entre os vários grupos [tendências] definitivamente", escreveu Lênin no lançamento da Iskra . Mas as linhas de demarcação não eram feitas ao longo das linhas de seita, com barreiras organizacionais limitando-as: este foi o caminho das seitas que ele não seguiu.

Iskra não era apenas uma empresa "literária": este é um mal-entendido. Um trabalhador na Rússia tornava-se um “iskrista” na medida em que ele concordasse com os pontos de vista políticos do centro político; e, como um "iskrista" ele mesmo se tornava um centro político para espalhar ainda mais os pontos de vista nos círculos populares em que trabalhou, em sua fábrica, na sua aldeia, em seu círculo socialista. Uma das visões espalhadas por este centro político era de que o partido / movimento a ser construído deve ser uma amplo. Lênin nunca desistiu dessa concepção de como construir um movimento socialista em qualquer momento antes da Revolução de Outubro. Foi com base nesta concepção de que o partido leninista realmente evoluiu.

Não propomos ou o movimento russo ou curso de Lênin como o modelo para a América na década de 1970. O significado do caso é diferente. Por outro lado, muitas das seitas acreditam que estão seguindo os passos de Lênin na construção de uma seita rígida com base em um programa de shibboleth. Eles estão errados, porque a sua crença é apenas a internalização do que tem sido dito sobre a natureza da "leninismo" pela indústria antibolchevique do establishment americano. Por outro lado, o caso do caminho de Lênin para um partido revolucionário é importante porque ele aplicou-o de forma única. Sua característica única foi ser sério e inflexível sobre a manutenção de um centro político marxista revolucionário como instrumento de permear todo o movimento com as suas ideias, e insistindo que as maiorias assim adquiridas fossem reconhecido por todo o movimento. Foi a direita que rachou.

Nós mantemos que a alternativa ao caminho das seitas, que é sugerida pelos sucessos e fracassos da história socialista é também sugerida pela generalização a partir de modelo da Iskra de Lênin, bem como de uma dúzia de outros casos de construção de movimentos socialistas reais em vários contextos e circunstâncias .


7. O centro político

O que fazer para preparar o terreno para a formação eventual de um movimento/partido socialista nos EUA, ou seja, uma formação socialista de massas que seja a expressão política da classe trabalhadora em colisão com os poderes estabelecidos da sociedade capitalista?

Primeiro, temos que nos dirigir ao socialista que se pergunta se ele ou ela deveria e poderia fazer outra coisa além de entrar na seita da sua preferência e desperdiçar as suas energias nas vicissitudes da vida sectária:

Você tem a oportunidade de fazer um empreendimento de dois lados ligado às suas circunstâncias. Sugerimos a seguinte dupla ligação para você, em que os dois lados são necessários para a coisa fazer sentido.

(1) A sua contribuição básica para a formação eventual de um movimento socialista é que você desenvolva um círculo socialista ao seu redor, onde você estiver agora. Estamos pensando, em primeiro lugar, no seu papel no lugar de trabalho (fábrica, escritório, escola, o que for).

Começando pelo começo: o que o movimento operário americano precisa antes de tudo é da cristalização de uma oposição militante organizada nos sindicatos, porque eles são o movimento de classe existente dos trabalhadores, e o único do tipo.

Seria um grave erro sectário pensar nisso como uma oposição "radical" ou socialista, mesmo que, inevitavelmente, era vai ser formada principalmente por radicais e socialistas de vários tipos, e também inevitavelmente levaria os seus militantes a pensarem em termos radicais e socialistas. O que é necessário é uma ampla ala progressiva do movimento operário. Em termos marxistas, a definição adequada disso é uma ala que defenda o sindicalismo classista contra o sindicalismo de colaboração de classes, seja ou não autodefinido na linguagem de luta de classes. Do ponto de vista do trabalhador, existe uma profunda necessidade de fazer uma luta sindical militante sem "se misturar" com socialismo e comunistas. Do ponto de vista do socialista, a organização de uma oposição militante à direção sindical cria uma escola elementar de socialismo classista. Uma das suas consequências, por exemplo, seria a politização do movimento sindical: a sua entrada em ação política independente que, por sua vez, depende de romper o vínculo com a política do Partido Democrata.

Esse movimento de oposição deve ser uma oposição leal. Isso significa: leal aos interesses do sindicalismo, no mesmo grau em que luta contra o patrão e o burocrata, cujo poder não é no interesse do sindicalismo. É necessário proclamar isso hoje - colocar isso na bandeira, por assim dizer - porque os radicais de seitas tiveram muito sucesso em se desacreditarem diante dos sindicalistas conscientes, confundindo "sindicalismo radical" com ataques relâmpago de uma seita para criar situações no chão de fábrica com uma demonstração de "militância", mesmo que os interesses dos trabalhadores sejam prejudicados, ou que o trabalho sindical seja destruído, desde que um ou dois militantes sejam recrutados para a seita. Os sectários que trabalham nos sindicatos e fábricas subordinando os interesses dos trabalhadores às suas aventuras de autoconstrução de seitas e coisas do tipo são inimigos da classe operária e do marxismo, não são simplesmente "radicais desorientados" que tem que ser aconselhados por editoriais marxistizantes. Eles não são aliados "aventureiristas" do nosso campo na luta de classes; eles são sabotadores que nem sempre podem ser diferenciados de provocadores da polícia. Qualquer movimento de oposição militante nos sindicatos que faça alianças com tais elementos vai merecer o seu destino.

Se você estiver em contato regular com algumas pessoas - no local de trabalho ou outra situação "de massa" - que você está tentando influenciar numa direção socialista, então você está fazendo alguma coisa. O que o futuro movimento socialista precisa é uma rede de círculos socialistas informais - ou formais se você quiser - que tenha uma relação integral com as lutas reais que as pessoas estão avançando. [4*]

O mesmo vale para o movimento negro, o movimento das mulheres, o movimento estudantil etc.

Você pode estar acostumado com a crença de que só membros de seitas estão interessados nesse tipo de trabalho. Não é verdade. Existem casos inumeráveis em que essas células de militância surgiram no local de trabalho, escritório ou escola, em torno de pessoas que nem mesmo são socialistas, ou que não sabem que são.

O que é verdade é que a militância numa seita muitas vezes tem sido o estímulo para desempenhar esse papel, através de pressão de grupo e orientação, e que a seita faz o serviço de fornecer materiais de leitura e estudo etc, para a atividade do círculo. Isso mostra o lado positivo do trabalho das seitas, que não podemos negar. O que significa que os esforços dos socialistas nesse sentido precisam de um centro político de algum tipo, que possa ser procurado para ajudar com literatura, conselhos e ajuda. Além disso, rapidamente surge a necessidade dos esforços individuais e de círculo se interligarem.

(2) Mas o papel do centro político não precisa ser desempenhado por uma seita

Historicamente, esse trabalho foi feita, na maioria das vezes e com mais sucesso, por jornais ou outras publicações de centros políticos socialistas, organizados simplesmente como um conselho editorial ou editora (a Iskra foi somente um entre dezenas de exemplos de como isso foi feito no surgimento de movimentos socialistas em todo o mundo). Também historicamente, os centros políticos desse tipo frequentemente assumiram funções organizativas conforme a sua influência se espalhava, a organização sendo o produto ou subproduto do trabalho dos seus agentes e representantes (os agentes da Iskra eram os braços organizativos do primeiro centro leninista). O espírito da coisa seria totalmente perdido se essas iniciativas fossem consideradas meramente literárias, no sentido burguês comum. Existe uma linha contínua que esses centros políticos aplicavam, da sua função como produtores de "literatura" até o seu papel como centros de estímulo de organização, de uma forma ou outra. 

Centros políticos assim estão operando hoje no país, junto com as seitas que se proliferam, e geralmente muito efetivamente. naturalmente, são centros políticos com posições políticas amplamente divergentes, a maioria delas desagradáveis para o nosso ponto de vista e umas para as outras. Nós os mencionamos não para celebrar o seu trabalho, e sim para exibir alternativas ao caminho sectário.

The Guardian e a  Monthly Review de Sweezy têm funcionado mais ou menos como centros políticos que emergiram de uma tendência neostalinista de um tipo ou de outro. (Na verdade, o Guardian está agora envolvido com um grupo de seitas neostalinistas que falam em formar um "partido" maoísta através da sua unificação). No lado da direita socialdemocrata, a clique de literatos ao redor da Dissent funciona como o único centro político dessa tendência que existe fora dos escritórios de  George Meany.

Esses exemplos se diferenciam no quanto de atenção eles dão, ou deram em outros períodos, à função de se relacionarem com os seus leitores (seguidores) no campo. Para os nossos objetivos atuais, queremos apenas enfatizar que um centro político não precisa ser uma seita. Mais ainda: um centro político pode começar uma relação com os seus seguidores que não seja engessada pelas exigências rígidas da vida organizativa, suas votações de vida ou morte, lutas fracionais, rachas, disputas internas e rituais internos de imitação de um micro "partido de massa" em miniatura.

Do ponto de vista do indivíduo socialista que quer "fazer alguma coisa", resumiríamos nossa sugestão assim:

(1) Cristalize um círculo de companheiros ao seu redor onde você estiver, nas suas atividades na arena da luta social ligada à sua situação. Você é o menor centro político que existe.

(2) Faça contato com um centro político que faça sentido do seu ponto de vista, para ajuda em literatura, conselhos, ligações externas e trabalho como qualquer coisa que você ache útil. Mas não existe razão para não se relacionar com mais de um centro político, se isso estiver de acordo com a sua visão política. Tal centro político pode até ser uma seita mas, se você não entrar nela, ela vai se relacionar com você como um centro político entre outros. Este relacionamento é frouxo: se, por um lado, você não tem direito a votar na decisão dos negócios dele, também é verdade que ele não pode lhe dizer o que fazer, exercendo sua "disciplina" de seita acima do seu julgamento. Você não cria uma barreira organizativa entre você como aderente de uma seita e outra pessoa, que é de outra seita ou de nenhuma. No seu trabalho, você usa a literatura que quiser, da fonte que quiser. Você vai usar o seu dinheiro não para aumentar os fundos da seita, e sim para financiar o seu próprio trabalho. Se esse caminho for o suficiente destruir o sistema das seitas, seria uma boa coisa paraas futuras possibilidades de um movimento socialista americano.

Existe uma chance melhor de um verdadeiro movimento socialista surgir a partir desse complexo frouxo de relações do que da forma fossilizada das seitas. Não estamos sob a impressão de que um número muito grande de indivíduos vai começar amanhã a seguir o curso descrito acima. Até agora, o nosso interesse foi ilustrar a forma em que os movimentos socialistas surgiram em outros lugares - a única forma, de uma maneira ampla. Nós esboçamos o tipo de desenvolvimento que fornece uma alternativa ao modo de organização sectário que está derrubando o socialismo americano.

Muito provavelmente, o que quer que acontecer nesse país acontecerá um pouco diferente - como é o normal. Se o florescimento de círculos socialistas não está acontecendo em massa, também é verdade que não existe outra direção visível para a emergência de um movimento socialista de massas na esquina. Tudo o que pode ser feito é se orientar na direção em que os esforços não vão ser desperdiçados, independente do resultado. A única coisa de que temos certeza é que o caminho das seitas é um beco sem saída.

O Comitê Socialista Independente em si mesmo é um esforço para criar um centro político para a nossa corrente no marxismo revolucionário:a visão de que os trabalhadores de todos os países constituem a base de classe de um Terceiro Campo que deve combater e destruir tanto o sistema capitalista como o coletivismo burocrático "comunista" para estabelecer a democracia revolucionária de um mundo socialista. Começa como um conselho editorial para a produção de livros e folhetos (não um periódico, ainda), incorporando essa visão de mundo. Dessa forma, estamos exemplificando o nosso próprio conselho.

Outubro de 1973


Notas

1*. A resposta, claro, é: não, a revolução cubana criou Castro, e não o contrário. Mas essa já é outra história.

2*. Nós usamos esse termo esquisito em vez de "sectário", que usualmente é entendido como alguém que defende determinadas políticas. É preciso um termo  para quem se baseia numa organização sectária, qualquer que seja a política da seita.

3*. Para uma apreciação mais positiva sobre as forças e fraquezas na Nova Esquerda, veja a coleção The New Left of the Sixties,editada por M. Friedman (Independent Socialist Press, 1972).

4*. Em vez da proliferação de grupos de tipo sectário, gostaríamos de ver a proliferação de clubes abertos socialistas, círculos de discussão, fóruns, e agregações frouxas e despretensiosas semelhantes, formadas em torno de situações de local de trabalho por pessoas engajadas em um trabalho comum. Elas estariam entre os núcleos ao  redor dos quais um verdadeiro movimento socialista poderia se cristalizar, dadas as condições favoráveis. Reconhecemos livremente que não existem condições favoráveis agora, especialmente porque os sectários estariam prontos para esmagar desenvolvimentos promissores assim com o seu abraço letal.


Nota sobre o texto

1. Esse artigo foi escrito originalmente quando o jornal trimestral New Politics estava planejando organizar um simpósio sobre a questão de como reconstruir um movimento socialista nos EUA. Os editores de New Politics escolheram não incluir essa peça no simpósio. Depois (1973) eu revisei um pouco o texto, e ele circulou privadamente.

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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Contra o golpe e contra o ajuste! (Nota de conjuntura da Frente Resistência)



Segue abaixo nota de conjuntura da Frente Resistência, à qual o blog Espaço Marxista é associado, publicada em 18/ 01/ 16. Aqui, o link original.

Contra o golpe e contra o ajuste! (Nota de conjuntura da Frente Resistência)

O golpismo contra o governo Dilma tem perdido força. As contradições entre os setores da oposição de direita -tendo como exemplos o cerco ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (investigado por corrupção e alvo do conselho de ética da Casa) e as decisões do STF contra seu atabalhoado rito do processo de impeachment, o papel de "bombeiro" que o vice Michel Temer tem adotado, bem como a "suavização" no discurso das grandes empresas de mídia- enfraquecem a possibilidade de "golpe branco" (isto é, golpe travestido de legalidade).

Porém, o refluxo do movimento golpista parece ser apenas temporário. Tais setores tem feito esforços enormes para incluir, cedo ou tarde, Lula como réu nas investigações da Lava-Jato, inviabilizando-o para as eleições presidenciais de 2018, bem como se apegam a qualquer elemento ou dado que possa ser usado contra o governo Dilma.

Ao mesmo tempo em que realizam esses ataques institucionais contra o governo, a oposição de direita e os setores reacionários do país, alinhados com o imperialismo mundial, continuam arrancando concessão atrás de concessão de Dilma. Ao invés de se voltar para as bases populares e os movimentos de massa, para combater a direita, o governo prefere se submeter, de forma pusilânime, aplicando a agenda neoliberal tão ao gosto da burguesia.

Fala-se agora, por exemplo, em uma nova reforma da previdência (inclusive com aumento da idade mínima para aposentadoria), aprofundando as mudanças anti-trabalhador realizadas por Lula no início de seu mandato. A pretexto de um "ajuste" nas contas públicas, o que o governo Dilma tem feito é onerar mais e mais os trabalhadores, de modo que é sobre o povo, e não sobre os burgueses, que tem caído a conta da crise capitalista.

É evidente, todavia, que o governo Dilma tem aplicado tal programa anti-trabalhador de forma lenta. E isso contraria os setores reacionários de direita, que tem pressa na aplicação pura e sem disfarces da agenda neoliberal. Por isso o interesse de derrubar Dilma e emplacar um representante de direita "puro sangue", que não possua a cor -ainda que simbólica- vermelha do PT ou a ligação histórica com a classe operária que o partido possui, mesmo que cada vez mais distante disso.

Se com Dilma é ruim, com alguém à direita de Dilma será pior ainda. É por isso que nós, da Frente Resistência, mantendo nossa oposição de esquerda ao governo, nos posicionamos no campo do ANTI-GOLPISMO, e convocamos à FRENTE ÚNICA de luta, com todo o setor progressista, popular e de esquerda, governista inclusive, para que possamos combater a ofensiva reacionária de direita dos nossos tempos.
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domingo, 27 de dezembro de 2015

Feliz natal, feliz ano novo, mas não serei hipócrita, falarei do ódio! (blog Socialista Livre)


2015, no Brasil, foi o ano do ódio. Ódio cultivado pela classe dominante contra a classe trabalhadora organizada e todos os seus representantes. A classe dominante perdeu as eleições em 2014, através de seu candidato favorito, Aécio Neves, e, por conta disso, passou o ano todo propagando o ódio nas ruas, vestindo-se hipocritamente de verde-amarelo; passou o ano todo vomitando seu ódio nas redes sociais, com os palavrões mais estúpidos que se possa imaginar; passou o ano todo incutindo o ódio através dos articulistas da imprensa burguesa que mentiram muito para insuflar um movimento golpista no Brasil; passou o ano todo cultivando o ódio através de parlamentares reacionários no Congresso Nacional que fizeram todo tipo de jogo sujo para calar os democratas e criar dificuldades econômicas ao país, culminando com um pedido de impeachment infundado, uma peça rasa e caricaturesca de quem quer promover o caos; passou o ano todo espalhando o ódio através de seres bestiais pedindo volta da ditadura militar no país, como se o povo precisasse de respirar fuzis e baionetas de milicos; passou o ano todo incentivando o ódio através de seres alienados que não entendem nada de política, mas querendo ser os donos da moral e do bom costume em conversas de boteco ou em conversas familiares para descarregarem suas frustrações por terem perdido mais uma vez uma eleição.

O discurso do ódio plantado pela classe dominante golpista, generalizando a visão destorcida de que quem luta é ladrão; de que todo trabalhador que faz política é ladrão; de que quem governa o estado para ajudar o povo é ladrão; de que quem defende o socialismo é assassino e ladrão; enfim, para quem é lúcido acerca das manipulações da classe dominante para manter o povo trabalhador semi-escravizado , tudo isso foi mesmo um motivo de náusea, mas também motivo de tomada de consciência de que precisamos coletivamente reagir à altura contra esses propagadores do ódio.

E foi assim, contra o ódio da classe dominante que pede impeachment da presidente eleita democraticamente pelo povo, Dilma Rousseff, que, finalmente, no dia 16 de dezembro de 2015, milhares e milhares de trabalhadores e gente de bem deixaram suas casas e o Whatsapp e o Facebook e foram para as ruas dizer NÃO. NÃO AO ÓDIO. NÃO AOS GOLPISTAS. NÃO AOS FASCISTAS.  NÃO AOS DITADORES. NÃO AOS DEPUTADOS GOLPISTAS. E também NÃO AOS AJUSTES FISCAIS IMPOSTOS PELA LÓGICA DA BURGUESIA QUE SÓ PENALIZA OS POBRES.

O ódio cego matou aquele que, segundo nossa tradição cultural, nasceu no dia 25 de dezembro, data que dá origem às nossas festas natalinas. Ele, Jesus Cristo, foi morto pelo ódio cego da classe dominante de sua época, dizem os pergaminhos, e consta-se que só pregava o amor, a igualdade entre os homens e mulheres, a fraternidade entre todos, a distribuição de renda com os pobres e necessitados, a saúde aos enfermos, a educação aos ignorantes. Em 2015, no Brasil atual, o ódio quer vencer o bom senso, o ódio quer vencer a democracia, o ódio quer vencer a distribuição de renda mesmo que mínima, o ódio quer vencer a possibilidade da escola pública de qualidade, o ódio que vencer a possibilidade da saúde pública de qualidade, o ódio quer vencer a possibilidade de se lutar por uma vida melhor, o ódio quer vencer a possibilidade de dias melhores para a classe trabalhadora.

Enfim, contra esse ódio, é que digo: FELIZ NATAL! FELIZ ANO NOVO! E que, como se prega culturalmente no espírito natalino, renasçamos com mais força em 2016 e, com mais consciência e garra, derrotemos o ódio da classe dos mais abastados, derrotemos os golpistas da classe dominante, derrotemos os espúrios negócios do imperialismo para o Brasil: SEUS CHICOTES DO ÓDIO NÃO GOVERNARÃO! Não precisamos da ditadura da burguesia capitalista e seus agentes do ódio!

Por: Gílber Martins Duarte – Militante SOCIALISTA LIVRE / FRENTE RESISTÊNCIA – Sind-UTE/Uberlândia/MG – Doutor em Análise do Discurso/UFU – Professor da Rede Estadual de Minas Gerais – Membro MEOB – CSP-CONLUTAS – EDITOR DO BLOG www.socialistalivre.wordpress.com

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terça-feira, 20 de outubro de 2015

Nota em solidariedade ao companheiro Mauro Iasi

http://frenteresistencia.blogspot.com.br/2015/10/nota-em-solidariedade-ao-companheiro.html?m=1

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sábado, 10 de outubro de 2015

Surge a Frente Resistência!

A Frente Resistência é uma iniciativa construída coletivamente para atuar nos marcos da emancipação da classe trabalhadora e dos povos oprimidos, do antiimperialismo e do antifascismo.

Não é uma organização nem pretende se constituir em uma. Envolve agrupamentos e militantes individuais de diversas tradições da esquerda, que, mantendo seus próprios programas e visões de mundo, estão dispostos a um trabalho em comum nos marcos apontados.

O Coletivo Lênin se soma à Frente Resistência, junto com os companheiros da Tendência Revolucionária, do Coletivo Socialistas Livres, do blog Espaço Marxista e do Movimento por uma Tendência Marxista-Leninista!

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sábado, 3 de outubro de 2015

Contribua com a campanha financeira da FIST!


Link: http://www.kickante.com.br/campanhas/projeto-de-educacao-e-politizacao-popular

A Frente Internacionalista dos Sem-Teto (FIST) é uma organização social brasileira que contribui, sobretudo, para defender legalmente o direito constitucional das pessoas sem-teto de habitação mas também oferece outros benefícios para as pessoas sem-teto e participa ativamente de protestos no Brasil . Foi criada em 2005 e é baseada nas idéias comunais de apoio mútuo entre diferentes ocupações de edifícios abandonados. A nossa constituição afirma também que a propriedade privada tem que cumprir sua função social, que neste caso significa que edifícios têm de fornecer moradia. Podemos fazer grandes avanços para enfrentar o problema da habitação defendendo nossa constituição.

O nosso projeto de educação irá enfrentar o analfabetismo adulto e infatil, oferecer creche e educação complementar para estudo em tempo integral, oferecendo estudo dirigido, aulas e exercícios extras para elevar os padrões educacionais e permitindo que os pais trabalhem em tempo integral com os filhos tomados conta. Não só isso, mas aulas para aprender uma profissão e cursos para entrar na faculdade pública.

O Brasil tem um registro atroz na educação e está passando por uma terrível crise econômica, os sem teto estão entre as maiores vítimas. Fornecendo estes cursos podemos ajudar os pais a trabalhar sem se preocupar com seus filhos, dar às crianças uma educação de qualidade para o seu futuro, dar opções de trabalho para os desempregados e ajuda a colocar jovens pobres em faculdades públicas.

Nós temos muitos espaços disponíveis para transformar em salas de aula, de imediato temos 3 salas de diferentes tamanhos para este projeto. Nós também têm arrolados cerca de 10 professores para nossas aulas provenientes de escolas públicas e privadas, militantes e até mesmo alguns sem teto. O que precisamos é de mobiliário escolar e material escolar básico.

A nossa estimativa aproximada é:

CUSTOS:

4 Quadros brancos a R$63,85 cada mais o frete de R$80,00 totalizando R$335,40.http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-682019589-quadro-branco-60-x-80-cm-escolas-creches-educacional-novo-_JM200 carteiras escolares a R$ 300,00 cada mais um frete de R$ 50,00 totalizando R$ 60.050.http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-696198820-mesa-cadeiras-carteiras... escolares diversos como pilor para os quadros, cadernos, apagador, etc totalizando R$3.000,00.
O valor total daria R$ 65.000,00 mas com o valor pedido já podemos pelos menos montar uma sala. Nós podemos ser contatados por nossa página no Facebook:https://www.facebook.com/frenteinternacionalista.fist

Ou e-mail:

Fist17@gmail.com
magmenecopuc@hotmail.com

Por favor ajudar e partilhar a nossa campanha. Não se esqueça manter contato com a nossa organização.

Muito obrigado.

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LIBERDADE PARA TOM, PRESO PELO JUDICIÁRIO RACISTA CONTRA AS PERSEGUIÇÕES A FIST! (FIST)


Via FIST



Adeilton Costa Lima, o Tom, trabalhador informal e morador da ocupação Edith Stein da FIST famoso por ter confeccionado o boneco da copa cuja imagem rodou o mundo, foi condenado a 11 anos de prisão, sob a falsa acusação de roubo. Ele está desde o dia 30/09/2014 preso no presídio Patrícia Acioli em São Gonçalo.

O juiz Itabaiana não ouviu nem a única testemunha que acusou Tom em sede policial, quando a pessoa ainda está sob forte emoção. Nem as três testemunhas de defesa, que não eram amigas do condenado, que atestaram que, no dia e hora do crime, Tom encontrava-se numa ocupação da rua Santa Cristina,em Santa Teresa.

A única testemunha de acusação que foi fazer o reconhecimento de Tom em audiência atestou que o mesmo não era um dos criminosos, e mais: disse textualmente que Tom NUNCA ESTEVE NO ESTABELECIMENTO ONDE OCORREU O CRIME. Mesmo diante destas provas, Itabaiana condenou o companheiro. Este juiz, além de tudo, tem um comportamento desrespeitoso para com os advogados estando, inclusive, sendo processado pela moderadíssima OAB em virtude de ter mandado fazer escuta nos telefones dos advogados, revivendo a velha prática da ditadura militar.

Tom é réu primário e foi preso pela primeira vez no período eleitoral, o que é ilegal. A fita de uma câmera de segurança do local do crime, que revela que Tom não participou dos assaltos não foi periciada, porque desapareceu no Fórum, o que é um indício de alguma interferência também ilegal no processo.
O juiz Flavio Itabaiana de Oliveira Nicolau é velho conhecido da FIST por suas atitudes arbitrárias. No afã de condenar, condenar e condenar, cometeu mais uma injustiça gritante com essa sentença. É simplesmente aviltante o comportamento desse senhor contra pobres, negros e lutadores sociais.

A perseguição ao Tom faz parte de uma onda geral de perseguição à FIST e a todos os movimentos sociais. Por lutar contra a especulação imobiliária no Rio de Janeiro, vários moradores de ocupações da FIST já sofreram criminalização de forma parecida com o que aconteceu com o Tom. O próprio advogado da FIST,André de Paula, está respondendo a processo por desacato, por se recusar a aceitar as chicanas judiciais contra o nosso movimento e o povo pobre e de maioria negra.

O Estado brasileiro foi construído em cima da escravidão, e depois da repressão brutal ao povo negro. A justiça, como um dos pilares desse Estado, não é diferente. Os juízes no Brasil têm poderes quase ditatoriais, e podem passar por cima do devido processo legal, como Itabaiana está fazendo. E o sistema penal não oferece nenhum apoio para reabilitar os presos e reintegrá-los na sociedade, e sim serve como escola do crime e depósito para pobres, muitos já com as penas vencidas.

Como parte da nossa luta contra o sistema capitalista, devemos exigir que haja um controle popular maior sobre a justiça, e diminuição do poder dos juízes. E também devemos exigir mudanças radicais no sistema penal, começando com o fim da Polícia Militar, que trata o povo como um inimigo a ser combatido, e medidas para diminuir a superlotação dos presídios.

Assim como a FIST participa da Campanha pela Liberdade de Rafael Braga, pedimos o apoio de todos os movimentos sociais para a campanha pela liberdade do Tom e contra as perseguições à FIST. Precisamos de moções nos sindicatos e movimentos, divulgação do caso, solidariedade material ao Tom e à sua família e apoio nas manifestações que vamos convocar em conjunto com quem apoiar mais esse preso do judiciário racista e antipopular.

Tom está pedindo um ventilador com nota fiscal como doação. Quem puder ajudar terá nossa gratidão.
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sábado, 26 de setembro de 2015

A luta contra o corte de linhas é a luta contra a tarifa (MPL/RJ)

Reproduzimos a nota dos companheiros, com a qual temos acordo

https://m.facebook.com/passelivre.rj/photos/a.133536566850028.1073741826.126339927569692/415526958650986/?type=3

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terça-feira, 15 de setembro de 2015

Plenária para organizar o ato contra os corte de linhas de ônibus


No dia 1/10 vai acontecer um ato na Candelária contra os cortes de linhas de ônibus planejados pelo governo Eduardo Paes (PMDB). Logicamente os alvos principais são os bairros mais pobres, com maioria da população negra. Essa plenária é pra organizar o ato. Precisamos construir um movimento forte pra barrar mais essa política antipovo!

O evento no facebook da plenária é esse aqui

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domingo, 13 de setembro de 2015

BALANÇO E RESOLUÇÕES DO I CONGRESSO DA FCT

Por um partido bolchevique pela reconstrução da IV Internacional que combata o imperialismo com a tática da Frente Única e lute sob a estratégia da Revolução Permanente!


A Frente Comunista dos Trabalhadores deliberou no seu primeiro Congresso por se tornar uma nova organização centralizada, do tipo bolchevique-leninista. O Congresso foi realizado em São Paulo no primeiro fim de semana de setembro de 2015. Após quase um ano de experiência e militância comum, a Liga Comunista, o Coletivo Lenin – Fração Operária, o Espaço Marxista e a Tendência Revolucionária se encaminham por construir uma só organização.

Além disso, o Congresso deliberou por estabelecer critérios de militância comum para todos os seus membros.

Também foi indicada a realização de uma Conferência para daqui a seis meses, com o intuito de estabelecer um status superior das relações entre a FCT e outras organizações sindicais, partidárias e militantes não-organizados que estreitarem laços conosco até lá.


No Congresso, uma minoria da FCT, ironicamente uma fração do grupo que se denomina Coletivo Lenin, se opôs ao centralismo democrático leninista, alegando que tanto o método bolchevique quanto o legado da IV Internacional não são mais vigentes nos dias atuais. A Fração Operária do Coletivo Lenin defendeu a medida e votou com a maioria da FCT. A TR votou contra a constituição de uma organização unificada, mas, depois de aprovada a unificação, se manifestou disposta a fazer uma experiência dentro da nova FCT, sob os critérios de militância aprovados.

RESOLUÇÕES PROGRAMÁTICAS


Na primeira parte do Congresso, os participantes debateram e deliberaram sobre a conjuntura internacional e nacional.

O Congresso foi aberto com uma saudação do grupo trotskista turco, Dördüncü Blok, em defesa da IV Internacional, e um informe da Tendência Militante Bolchevique, membro do Comitê de Ligação pela IV Internacional na Argentina, acerca da escalada golpista na América Latina, tendo seu último capítulo na renúncia do presidente da Guatemala, Otto Pérez Molina, pressionado pela Embaixada dos EUA e pela oposição burguesa.

Como último, mas não menos importante, informe foi relatada e rechaçada a caçada genocida sofrida pelos índios guaranis kaiowás no Mato Grosso do Sul, por parte do latifúndio e com a cumplicidade do governo federal petista.

Apesar das distintas origens políticas das organizações e militantes componentes da Frente, o debate acerca da conjuntura internacional e nacional confirmou uma compreensão comum dos acontecimentos e tarefas por parte da maioria do Congresso, ou seja, que a partir do último trimestre de 2014 até agora, a FCT acumulou acordos programáticos suficiente para dar o atual passo organizativo, deixando para trás o estágio embrionário de frente de ação em torno de tarefas políticas pontuais, salto de qualidade possível a partir das discussões e do combate militante durante os últimos meses entre os construtores da FCT. Neste sentido foi repudiado pela maioria dos componentes os vícios do terceiro campismo e do sectarismo pró-imperialista acerca da nova guerra fria, da questão palestina, da guerra civil na Ucrânia e os desvios ceticistas e pós-modernos derivados das derrotas subsequentes à contrarrevolução capitalista nos Estados operários que contagiaram grande parte da esquerda mundial.

CONJUNTURA INTERNACIONAL


Foi realizada uma análise da ofensiva do Imperialismo da OTAN e o cerco ao bloco russo-chinês e os países que os orbitam na construção do BRICS, e como isso influencia a conjuntura golpista que ameaça os governos de centro-esquerda ou de frente popular nos países da América Latina, exemplificando o golpe no Paraguai e recentemente na Guatemala, presidentes que ou foram impedidos ou renunciaram diante de denúncias de corrupção. Foi destacado também o exemplo do golpe dos fascistas na Ucrânia, onde claramente existe um lado nazista apoiado pelo Imperialismo, e outro pelo Bloco Russo-Chinês. Não existe terceiro campo. A situação há que nos colocar do lado dos países semicoloniais, dependentes ou em desenvolvimento contra o imperialismo, que como já alertava Lenin e Trotsky, é o inimigo principal da classe trabalhadora. Mas, que fique explícito, tal orientação não implica em dar qualquer apoio político ou fazer a defesa das direções burguesas e pequeno-burguesas dos países, povos ou agrupamentos oprimidos pelo imperialismo. Foi defendida e aprovada a unidade tática de todos os inimigos do imperialismo mundial contra o avanço do cerco aos países ligados ao Bloco Russo-Chinês, que mesmo sendo burgueses, não são imperialistas.

Esta unidade, momentânea e pontual, tem como objetivo debilitar o cerco imperialista e ajudar a classe trabalhadora a organizar o combate a este inimigo principal que agora se encontra na ofensiva e, neste processo, simultaneamente ajudar as massas a superar as ilusões em suas direções tradicionais -que, por suas próprias características de classe, são incapazes e impotentes para realizar uma luta consequente contra o grande capital-, para que as massas passem da defensiva para a ofensiva revolucionária vencendo o conjunto do patronato num segundo momento.

A guerra fria atual, embora tenha rompido a unipolaridade da “Pax Estadunidense” existente até a crise de 2008, dista muito da situação mundial de 1914 [como bem afirmou o grupo ucraniano Borotba em seu documento o “Marxismo e a guerra no Donbass”, 29/08/2015] e também destacou o camarada da TMB participante do Congresso, pois se a primeira guerra era uma guerra provocada pela ofensiva expansionista de distintas nações imperialistas, a atual guerra fria surge de um bloco defensivo de Estados burgueses contra a hegemonia dominante e não alinhados com o imperialismo.

Foi destacado que a Frente Única Antiimperialista é uma aliança tática, que nem por um segundo pode ser confundida com uma orientação etapista ou frente populista de luta de classes, e que precisa estar subordinada à defesa dos interesses dos trabalhadores contra os patrões em todas e cada uma das nações e à estratégia da luta pelo partido mundial da revolução, a IV Internacional, e pela revolução permanente em escala planetária.

Neste momento entre crises econômicas capitalistas, de derrotas e defensiva de nossa classe, a tática mais apropriada para preparar condições mais favoráveis à luta de nossa classe, a fim de virar a mesa em favor dos trabalhadores, está no aproveitamento das contradições do interior do mundo capitalista, ou seja, está na tática da Frente Única de massas com aliados pontuais que dirigem o movimento de massas, sem que isto signifique estabelecer um programa comum com os mesmos e sem prestar qualquer apoio político às direções burguesas e pequeno burguesas desta frente. Foi aprovada então no Congresso a:

“Defesa da Frente Única Anti-Imperialista unindo os BRICS, os bolivarianos, Estados operários remanescentes, o nacionalismo árabe, movimentos de resistência islâmicos, o Irã, africanos e 'terceiro mundistas' sempre que estiverem sob o ataque ou em contradição com o imperialismo”.

Acerca da Guerra Civil na Ucrânia foi deliberado a defesa da frente única “com o diabo e sua avó” [Leon Trotsky, "Por uma Frente Única Operária Contra o Fascismo", 1931], ou seja, inclusive com Putin e entre todos os movimentos de resistência em Donbass contra o governo fascista e pró-imperialista de Kiev. Foi derrotada a proposta de duplo derrotismo neste conflito.

Na Questão Palestina houve um consenso em torna da estratégia por uma federação socialista dos povos do Oriente Médio e da defesa de uma Palestina de conselhos populares multiétnicos, bem como a vitória da tática da Frente Única com todos os movimentos proletários, árabes e islâmicos pelo fim do Estado de Israel, tendo sido derrotada a tática que se limita a lutar pela desocupação dos assentamentos sionistas e áreas militarmente ocupadas por Israel.

Sobre as guerras civis na Síria/Iraque e Líbia (em situação análoga a Síria) foi vitoriosa a posição internacionalista de Frente Única com o governo Assad, o Hezbollah, o Irã, a Rússia, o PKK e todos os povos e guerrilhas que são contra os mercenários apoiados pelo imperialismo, tendo sido derrotada a posição nacionalista de Frente Única “síria”, isto é, apenas com o governo Assad e no máximo com entidades classistas, mas não com outros Estados ou exércitos organizados.

Sobre o “Estado Islâmico”, dentro do consenso de que esta guerrilha mercenária não é um Estado e tampouco islâmico, de que se trata de uma criatura bárbara do imperialismo utilizada para derrubar o governo da Síria e para justificar novas aventuras militares dos EUA e Israel no mundo islâmico, e de que sua orientação religiosa, o wahhabismo, é patrocinada pela monarquia absolutista reacionária da Arábia Saudita (aliada do sionismo e do imperialismo na região), foi vitoriosa a posição de jamais emblocar com o mesmo, inclusive nas situações em que, conjunturalmente, o próprio imperialismo se veja forçado a atacá-lo.

Foi aprovada por consenso a posição de apoio à independência do Povo Curdo na Turquia. Defesa incondicional de Kobane contra os ataques do Estado Islâmico assim como do Governo da Turquia e sua perseguição à resistência dos curdos dentro e fora do Estado Turco.

Sobre a questão organizativa internacional. Foi aprovada a chamada “Pela reconstrução da IV Internacional e pela reunificação do movimento comunista mundial sob a bandeira da luta anti-imperialista e da revolução permanente!”, tendo sido derrotada a posição que não adotava a reconstrução da IV Internacional.

Tal reconstrução da IV Internacional se realiza hoje a partir do Comitê de Ligação pela Quarta Internacional, CLQI, composto também pelo Socialist Fight britânico e a Tendência Militante Bolchevique argentina, do qual a FCT será a seção brasileira.

CONJUNTURA NACIONAL


Afirmação de que no Brasil existe uma frente golpista dos partidos de direita contra o PT, que atuam dentro da conjuntura internacional de cerco imperialista aos BRICS, e que no Brasil exige que o PT saia do poder de qualquer maneira para que possa ser aprofundada uma verdadeira austeridade à moda europeia contra os trabalhadores. O PT não é capaz de conduzir uma austeridade tão profunda devido a sua dependência de uma base popular e proletária, que inegavelmente o levaria à ruina. As vias pelo golpe são por pressão de impedimento pelo Congresso reacionário (em especial a Câmara dos Deputados), o que colocaria Temer como presidente de um governo de coalizão, ou via cassação através do Judiciário, como no julgamento pelo TSE das contas de campanha da chapa de Dilma e Temer. E ainda há o risco de cassarem os direitos políticos de Luís Inácio Lula da Silva para impedir seu lançamento ao pleito presidencial de 2018, bem com o desgaste do PT por todas as frentes para que possa finalmente ser extirpado do mapa político e consolidar um novo período econômico neoliberal puro de apoio político conservador. Outra hipótese, ainda que remota e mesmo improvável por ora, seria a quartelada com o apoio logístico do imperialismo, reproduzindo 64.

A possibilidade da derrubada do governo Dilma, portanto, é condicionada sobretudo pela conjuntura internacional. Existe um golpe em marcha impulsionado pelo imperialismo, sendo que não se sabe por qual caminho será e nem há consenso no interior dos principais partidos da oposição burguesa golpista (PSDB e PMDB) nem tampouco entre eles.

Em toda América Latina o imperialismo quer retomar seu espaço geopolítico e sua hegemonia sobre a América Latina e rever os contratos com a China e outras economias contra-hegemônicas ao imperialismo. Mesmo que esteja em curso uma serie de capitulações do PT e de Dilma à direita com um pacote de austeridade contra a classe trabalhadora, tal pacote é insuficiente para o imperialismo, de modo que é preciso destituir o PT para que seja implementada a agenda neoliberal na velocidade e na força desejadas. Prova da incapacidade do PT de adotar tal agenda no ritmo desejado pelo imperialismo é o fato de não terem sido aprovadas as terceirizações completas em todos os níveis (empresas públicas e privadas, serviços e indústria) nem o partido ter apoiado a redução da maioridade penal, medidas impopulares que lhe "queimariam" com sua base social.

Após a crise de 2008, o imperialismo tem tentado reconquistar terreno perdido para os BRICS orquestrando um processo golpista (desgraçadamente bem sucedido) por ano: 2009 – Honduras, 2010 – Equador, 2011 – Líbia, 2012 – Paraguai, 2013 – Egito, 2014 – Ucrânia e Tailândia, 2015 – Guatemala, com impedimentos (impeachment), renuncia, ou golpes militares apoiados pelo imperialismo. Também, desde 1964, nunca a direita esteve tão forte nas ruas como agora, freneticamente desestabilizando o governo, apesar de Dilma ser recém reeleita e estar com poucos meses de mandato. Isso tudo sugere que uma ação golpista está em curso no Brasil, como reiteradamente alertamos. A falta de clareza da luta de classes internacional e sua influência sobre a conjuntura brasileira compromete a análise de que há condições extremamente favoráveis ao golpe de Estado pela oposição burguesa de direita pró-imperialista em nosso país.

Nas deliberações congressuais, foram derrotados pelo voto os camaradas que duvidam da existência de tal ofensiva conspirativa de direita no país, minimizando as possibilidades de haver golpe e preferindo a tese do sangramento do Governo PT até 2018. Também foi derrotada a posição dos que acreditavam ser um erro tático, mas não de princípio, o chamado ao voto em Dilma no segundo turno das eleições presidenciais de 2014, prevendo a tendências que se confirmou das novas e maiores capitulações do governo PT à direita.

Foi aprovado por consenso a construção de uma oposição operária e comunista ao governo Dilma e a manutenção da atual linha do jornal "Folha do Trabalhador", modulando a agitação e propaganda acerca da política frentista e a construção da oposição comunista conforme a conjuntura mude ou oscile, aumentando o combate à política anti-operária do governo Dilma-Levi mas mantendo a denúncia do golpe.

Os debates ao longo do ano e mais explicitamente no Congresso da FCT mostraram que a posição que vacila diante do imperialismo na atual guerra fria, diante dos nazistas de Kiev na guerra civil ucraniana, do sionismo no Oriente Médio e da direita golpista no Brasil é a mesma que renuncia à luta por um partido bolchevique e à reconstrução da IV Internacional. Ao contrário, é sintomático que os elementos mais proletarizados da FCT acompanhem a posição da maioria, o que mostra que tal posição está em sintonia com os interesses e objetivos da classe trabalhadora mundial. Nesse sentido, convidamos os camaradas congressistas que se abstiveram nas votações polêmicas a refletir sobre as distintas orientações e a se reintegrarem à FCT para lutar conosco pela construção de um partido revolucionário dos trabalhadores no Brasil, que capitalize as desilusões do proletariado com o PT e com a Frente de Esquerda (PSOL, PSTU, PCB), e impulsione uma poderosa seção do partido mundial da revolução em nosso país.


Documentos preparatórios para o Congresso da FCT:


PARTIDO

> Contribuição sobre a questão do regime de partido 1
Centralismo democrático, greves e militância trotskista

> Contribuição sobre a questão do regime de partido 2
Em defesa do Centralismo Democrático: contra o liberalismo e contra o stalinismo

> "O que é e pra onde vai a Frente Comunista dos Trabalhadores"

IV INTERNACIONAL

> "Conquistar o proletariado, condição essencial para a reconstrução da IV Internacional!"

SINDICAL

> "Pela reunificação do movimento sindical de esquerda brasileiro, em defesa dos direitos e contra a direita!"

CONJUNTURA

> Declaração FCT-FT contra o Golpe
"Derrotar o Golpe de Estado em marcha no Brasil - Não ao Golpe!"

> 8 pontos da FCT

FRENTE ÚNICA

> Declaração do Comitê Paritário
"Frente única para derrotar a ofensiva patronal, do governo e da direita!"

DIVERSOS


> "A escravidão é a chave da história no Brasil" (Coletivo Lênin), "Revolução Permanente na África" (idem), "Os comunistas e a questão sexual" (idem). "Muro de Berlim: Ruim com ele, pior sem ele"(idem). "Defensismo Revolucionário e o fim dos Estados do Leste"(idem). "Marxismo e Organização" (idem). "Os trotskistas e a luta armada" (idem).
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SAUDAÇÃO DO DÖRDÜNCÜ BLOK AO CONGRESSO DA FCT

Saudação do Dördüncü Blok ao
I Congresso da Frente Comunista dos Trabalhadores


Cibran Serkan, em nome do Dördüncü Blok (Bloco Quartainternacionalista) - Turquia



"Olá camaradas,
Na luta pela revolução proletária e para estabelecer um mundo comunista, vosso Congresso parece um pequeno detalhe, mas vocês deram um passo importante. É uma medida modesta, mas importante na nossa luta para reconstruir a IV Internacional é um passo importante da marcha revolucionária.
Vamos construir a Quarta Internacional!"

Relato do Congresso da FCT na página dos camaradas do Dürdüncü Blok:
"BRASIL: Realizou-se o Congresso da Frente Comunista dos Trabalhadores – FCT!"
http://dorduncublok.blogspot.com.tr/2015/09/brezilya-fctkomunist-isci-cephesi.html

Dördüncü Blok
Komünist İşçi Cephesi
kongresi'ne selamlar


Cibran Serkan, namina Dördüncü Blok  


Merhaba Yoldaşlar, 
Proleter devrim ve komünist bir dünya kurma mücadelesinde , sizler küçük bir ayrıntı gibi görünen oysa önemli bir  adım attınız. Bu mütevazi ama önemli adım dördüncü enternasyonali yeniden kurma mücadelemizde devrimci yürüyüşünüzün önemli bir adımıdır. 
Dördüncü enternasyonali İnşa edelim!

Greetings to the Congress of the
Communist Workers Front
from Dördüncü Blok


Cibran Serkan, behalf Dördüncü Blok

"Hello comrades, 
In the struggle to establish a communist world proletarian revolution and greet your first congress, a step appears small. Do this modest but very important step, which is an important aspect of the revolutionary march. Peace be upon you from the turkey in the reconstruction of the Fourth International fight. 
Let's Build the Fourth International! " 
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SAUDAÇÃO DO SOCIALIST FIGHT AO CONGRESSO DA FCT

Saudação do Socialist Fight ao I Congresso da Frente Comunista dos Trabalhadores


Gerry Downing, pelo Socialist Fight (Luta Socialista) - Grã Bretanha


"Saudações do Socialist Fight (Luta Socialista) da Grã-Bretanha ao Congresso da Frente Comunista dos Trabalhadores. Desejamos-lhe todo o sucesso em suas lutas revolucionárias. A derrota dos golpes desferidos contra a classe trabalhadora brasileira é de vital importância para a classe trabalhadora de todo o mundo. Em um momento em que as massas oprimidas da Síria, Espanha e Brasil têm demonstrado a sua capacidade de combate a questão da direção revolucionária é cada vez mais urgentemente colocada. Sabemos que eles querem lutar, a ascensão da candidatura a direção do Partido Trabalhista de Jeremy Corbyn [deputado da esquerda do partido trabalhista inglês membro da «Socialist Campaign Group», «Stop the War Coalition», «Palestine Solidarity Campaign» e «Campaign for Nuclear Disarmament»] com chances de favoritismo (agora, de 5 contra 1), a partir da possibilidade de 100 contra 1 apenas há alguns meses, mostram que elas se apoiam em qualquer tipo de direção, mesmo um reformista de esquerda militante um ou um populista esquerda eles vão lutar. Por isso, nós instamos a vocês para que reúnam seus esforços para edificar uma direção à altura das necessidades da luta no Brasil, e, assim, contribuir imensamente para a resolução deste problema global superando as ilusões nos reformistas em favor dos revolucionários socialistas internacionalistas que contribuem para apressar o dia da vitória da revolução mundial."

Greetings to the Congress of the
Communist Workers Front
from Socialist Fight

Gerry Downing, for Socialist Fight


Greetings to the Congress of the Communist Workers Front from Socialist Fight in Britain. We wish you every success on your revolutionary struggles. The defeat of the coup plots against the Brazilian working-class is of vital importance to the working class of the whole world. At a time when the masses of the oppressed from greetings and Syria to Spain and Brazil have shown their fighting capacity the question of revolutionary leadership is ever more urgently posed. We know they want to fight, the rise of Jeremy Corbyn to odds on favourite (5 to 1 against now) from a 100 to 1 just a few months ago show that given any kind of leadership, even a militant left reformist one or a left populist one they will fight. Therefore we urge you on on your endeavours to forge such a leadership in Brazil, and thereby to contribute massively to solving this global problem of reforming a revolutionary  socialist international to hasten the day of the victory of the world revolution.
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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Declaração da maioria do CL ao congresso da FCT


Uma última declaração para o congresso da FCT.

 

Escrevemos este documento para tentar sintetizar nossas principais posições e propostas acerca das discussões que tomarão parte no congresso da FCT, neste domingo.

Em nosso documento, escrito há alguns meses e postado no grupo da FCT, explicitamos algumas de nossas principais divergências com o dito “programa” da frente, além disso, fizemos propostas visando um funcionamento mais democrático e saudável dos espaços e ferramentas da FCT. Listamos abaixo um breve apontamento dessas questões:

 

1 - A palavra de ordem permanente de frente única com o mal menor.

Essa posição se coloca tanto no âmbito nacional quanto internacional. A nível nacional, temos um impressionismo sobre a questão do golpe e/ou ascensão da direita que faz com que alguns companheiros virem os olhos para o PT como agregador de uma suposta resistência às ofensivas da direita. Todas as dezenas de concessões feitas para a burguesia, tanto internacional quanto nacional ao longo dos 3 mandatos não foram suficientes para mostrar de que lado o PT está na luta de classes. O voto crítico em Dilma nas últimas eleições foi justificado por um acirramento de forças entre esquerda e direita (ou até entre burguesia e trabalhadores), sintetizado por PT e PSDB. Muitas analogias históricas de frente única, que os comunistas defenderam e participaram, foram utilizadas como justificativa. A pobreza de análise em entender a diferença das condições atuais com as de um século atrás, faz alguns igualarem a resistência de um golpe militar reacionário e imperialista na Rússia pré-revolucionária de 1917 (e outros episódios enciclopédicos) com as eleições burguesas do Brasil de 2014 e esquecerem que a única posição revolucionária numa eleição burguesa é aquela que denuncie em primeiro plano a farsa eleitoral, sem concessões.

Essa tática do mal menor, se alastrou até os dias atuais, com a desculpa de um pretenso golpe para justificar o combate primeiro a uma direita do que contra os ataques do governo Dilma à população. Achando que o PT se tornou vítima da pressão de uma direita golpista, quando este só mais uma vez colocava em prática o programa que sempre se propôs a seguir, o de conciliação de classes. Para os que falham em entender os papéis do Estado e a postura que os comunistas devem ter perante eles, sugerimos a leitura do livro “Estado e Revolução” de Lenin, onde ele tenta mostrar como o Estado se configura como a ferramenta de dominação que a classe dominante usa contra a classe dominada.

Nenhuma revolução social pode ser bem sucedida sem que o Estado seja destruído e substituído por um novo, representante da classe que dirigiu a revolução. Especificamente nos dias de hoje, o Estado nacional burguês se configura como o principal inimigo da classe trabalhadora. É claro que na época do imperialismo, os estados nacionais se interligam e formam coligações em prol dos interesses dos grandes bancos e corporações. Mas por questões óbvias, é mais vantajoso que a classe trabalhadora, sem perder a perspectiva internacionalista de destruição do capitalismo, combata em primeiro plano a ferramenta maior de dominação da burguesia alojada em seu país: seu estado.

É claro que haverá raríssimas ocasiões em que o Estado nacional possa vir adotar (apesar de pouco provável, pois está sempre alinhado com a lógica imperialista) posturas que coincidam com os interesses imediatos da classe trabalhadora e sejam minimamente contrários à gatunagem imperialista. Nesses casos raros e muitos específicos, é necessária a agitação da frente única de organizações classistas, mas sem nunca esquecer que os Estados nacionais oprimidos tenderão muito mais a negociar e se submeter ao imperialismo do que lutar ao lado da classe trabalhadora até as últimas consequências. Portanto, não se pode nunca deixar de propagandear em primeiro plano que o Estado será o primeiro a voltar as armas para as cabeças dos trabalhadores e trabalhadoras, após a passagem da contenda específica. A frente única há de ser unicamente uma trégua com o Estado para combater um mal mais pernicioso.

Esse não é o caso atual. Não era o caso das eleições passadas. O PT continua a implementar a agenda neoliberal, sem pestanejar. E o teria feito mesmo sem ameaças insipientes de impedimento ou golpe talvez em menor velocidade. O estado continuou sendo o principal inimigo, com todas as suas reformas, extermínios de pobres e negros, intervenções militares em países vizinhos. Se 12 anos da mesma ladainha nada ensinaram sobre onde deve estar o foco da propaganda revolucionária, não sabemos o que o fará.

Sobre a direita que se faz mais notável no último ano, não há nada de novo nisso. A direita que tem ido às ruas é a base dos partidos que compõem o Estado, ora majoritariamente, ora minoritariamente. Não se pode negar que a consciência da classe trabalhadora muitas vezes se encontra muito próxima da direita e essa consciência não se pode deixar por um instante de ser disputada no dia a dia da militância. O combate à direita não pode cessar nunca, tal como o combate ao Estado. Mas um não pode deixar de existir em detrimento do outro porque ambos caminham sempre de mãos dadas.

Para o nível internacional, a estrutura que se apresenta é a mesma. Uma pseudoteoria formulada para justificar uma chamada de frente única permanente com um mal menor, nesse caso, com o imperialismo mais fraco.

A classe trabalhadora pouco ou quase nada tem a ver com disputas entre chefes de Estados de potências imperialistas. O principal exemplo disso foi a posição dos comunistas na primeira guerra mundial. As classes trabalhadoras deviam apontar suas armas para seus Estados e patrões e não tomar partido em disputas por novos mercados ou colônias. O que acontece hoje é exatamente a mesma coisa. A sede imperialista faz com que as potências sigam sempre em busca de mais, mais lucro, mais matéria prima, mais mão de obra, mais capital. Isso não mudará jamais, até que a classe trabalhadora organizada internacionalmente consiga ser uma alternativa à essa lógica de rapinagem das nações mais pobres. Um bloco imperialista menor ameaçando o hegemônico em nada afetará a correlação de forças na luta de classes internacional. Chamar uma frente única permanente contra o imperialismo hegemônico com qualquer setor que se autoproclame anti-imperialista é simplesmente apostar a sorte da classe trabalhadora na mudança de engravatados que terão por ora mais poder na conjuntura econômica do mundo. Torcer e agitar que a classe trabalhadora deve encampar com seus inimigos, que simplesmente anseiam ter mais poder para esmagá-la mais fortemente é no mínimo irresponsável e a longo prazo devastador para a perspectiva de se construir uma alternativa independente e classista de luta contra o imperialismo.

Não gostamos de fazer análises psicologicistas, mas é interessante que os campos para frente única escolhidos pelos companheiros sejam aqueles que tenham um mínimo de ligação com uma antiga tradição de lutas da classe trabalhadora. Tanto o PT, como o bloco russo-chinês (ex estados operários) parecem trazer uma falsa e doce ilusão de ainda serem uma opção de resistência aos largos avanços do imperialismo. Essa armadilha psicológica de depositarmos confiança em instituições que não são nem a sombra do que já foram um dia, apesar de parecerem reconfortante e um refúgio atrás do qual é possível se esconder e encontrar todas as respostas para os problemas do mundo; não são nada além de uma cegueira para a situação deplorável que se encontra a classe trabalhadora, a nossa classe, majoritariamente sem referência em qualquer forma de luta, que os revolucionários e revolucionárias  tanto anseiam por criar. Mais cedo ou mais tarde haveremos de perceber que se apegar a um passado distante para encontrar as repostas para um futuro não é nada mais que adiar um problema urgente de se resolver, o que só piora a situação da nossa classe.

 

Trouxemos também propostas para uma construção mais democrática e aberta do jornal da FCT. Pedimos simplesmente que os textos fossem disponibilizados com uma semana de antecedência para dar oportunidade aos militantes de lerem e minimamente debaterem as posições dos textos. Pedimos que isso fosse feito de maneira a expor todos os textos que comporiam o jornal, indicando os títulos e links dos textos. Incluimos um pedido para que a comissão editorial, que só tomamos conhecimento da existência recentemente, seja apresentada de forma transparente e encarregada das tarefas para tonar a confecção do jornal mais democrática.

Pedimos também uma maior consideração das posições que não são consensuais dentro da FCT e que na nossa opinião não aparecem como fundamentais para a classe trabalhadora. Concordamos que o jornal deve ser um instrumento de propaganda para as massas e por isso deve ser prioritariamente um palco para as denúncias dos males que mais afetam a classe trabalhadora.

 

Após a última reunião do CL, resolvemos levar para o congresso mais algumas propostas. Algumas foram consensuais e outras não.

Consensuais:

- Opressões específicas: o CL possui a tradição de defender e agitar as questões das opressões de sexo, gênero e grupos étnicos minoritários como uma questão fundamental na luta contra o capitalismo. Entendemos que no último século, o capitalismo se consolidou, tendo como uma das principais fontes de mais valia a segregação de “trabalhadores de segunda classe”. Podemos citar dois exemplos. O primeiro trata da questão do povo negro no Brasil, que encurralado em favelas e periferias, exterminado diariamente pelas polícias  e sempre empurrado para sub empregos enquanto instituições como universidades, cargos públicos e até de empresários ficam relegados para uma elite branca. Isso acontece com outros grupos minoritários, como os negros e negras, latinos e latinas e árabes nos Estados Unidos e União Europeia. Também acontece, embora em menor escala com os indígenas no Brasil. O segundo ponto possui uma importância a nível global e trata da questão da mulher. As mulheres carregam o passado da opressão em toda a história da luta de classes, em todas as sociedades. Na sociedade capitalista contemporânea continuam sendo de longe o principal alvo da dupla jornada, empregos mal pagos, objetificação e violência sexual, falta de representação nos espaços de decisão, inclusive da militância de esquerda.

Entendemos, que uma organização que se pretenda ser revolucionária e lutar por uma sociedade livre de opressões precisa se engajar nesse combate a partir de hoje, por entender que uma luta por igualdade de sexo, gênero e etnias é uma luta contra o capitalismo. Uma organização de vanguarda aqui no Brasil, será realmente representante da classe trabalhadora quando for composta majoritariamente por negros e mulheres, como o Coletivo Lenin defendeu desde sua fundação.

Um sintoma de que as organizações de tradição marxista não tem dado conta de responder a essas questões fundamentais é o surgimento cada vez maior de organizações de vanguarda que lutam contra o racismo e o machismo e não se reivindicam marxistas e a falta de protagonismo das organizações tradicionais de esquerda nessas lutas.

Em vista disso, trazemos a proposta, utilizada pelo Coletivo Lenin em muitos momentos, que toda vez que produzir um material para divulgação para as massas (como o jornal da FCT) seja obrigatório que se contenha pelo menos um texto com a temática de opressões, com o intuito de aprofundar o debate em torno desses pontos com a própria classe e outras organizações de vanguarda e poder construir um programa específico dessas lutas.

Para iniciar o debate, temos três materiais do Coletivo Lenin que podem ser utilizados. São livretos de nome: “A escravidão é a chave da história no brasil”, “Revolução Permanente na África” e “Os comunistas e a questão sexual”.

 

Ecologia:

Uma outra proposta foi a de aprofundar o debate sobre ecologia, por entender que somente uma sociedade socialista planificada para atender as necessidades da humanidade pode dar conta de uma produção sustentável que torne possível a permanência da vida humana na Terra. Os companheiros Thieplo e Sairo levantaram esse tema e ficaram responsáveis de apresentar dois documentos no Congresso da FCT com essa temática.

 

Sobre o futuro da FCT (não consensual)

 

Nós do Coletivo Lenin sempre defendemos iniciativas e nos engajamos em muitas delas que visem a reunificação da vanguarda, com o objetivo de criação de um partido revolucionário da classe trabalhadora. Entendemos que a FCT foi uma dessas iniciativas e apesar de nossas críticas, acreditamos que construímos um processo válido para nosso objetivo.

Acreditamos ser um erro nesse momento a criação de uma nova organização centralizada, que dificultará o contato com outros militantes independentes e organizações que estão sentindo a mesma necessidade de se organizar mais coletivamente de forma ampla e democrática, sem precisar se centralizar em torno de um programa fechado. Após uma tentativa frutífera de fundar um espaço revolucionário, achamos que descartar tal espaço para se fechar novamente numa organização com meia dúzia de militantes será um retrocesso.

Queremos deixar claro então que somos contra a criação de mais uma nova organização fechada e centralizada nesse momento. Entendemos, no entanto que essa nova organização será provavelmente criada no congresso e que não cabe a nós nenhuma atitude impedidora.

Em vista disso, propomos, que mesmo que alguns companheiros decidam formar uma organização, a FCT se mantenha entre esta e o CL e quaisquer outros militantes e organizações que estejam dispostos a construí-la. Defendemos isso, acreditando na liberdade de qualquer militante de pertencer a qualquer organização que achar melhor e ainda sim de continuar com a iniciativa de um espaço mais amplo e tão necessário quanto no processo de construção de uma organização de massas que possa finalmente marchar junto com a classe trabalhadora rumo à revolução socialista.

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